Comentário: Rev. D. Joan MARQUÉS i Suriñach (Vilamarí, Girona, Espanha)

Cuidado para não serdes enganados

Hoje, o Evangelho nos fala da última vinda do Filho do homem. Aproxima-se o final do ano litúrgico e a Igreja nos apresenta a parúsia e, ao mesmo tempo quer que pensemos em nosso postimeiro: morte, juízo, inferno ou céu. O fim de uma viagem condiciona sua realização. Se quer ir ao inferno, poderá se comportar de uma maneira determinada de acordo com o término de sua viagem. Se escolhe o céu, deverá ser coerente com a Glória que quer conquistar. Sempre, livremente. Ao inferno não vai ninguém pela força; nem ao céu. Deus é justo e dá a cada pessoa o que ganhou, nem mais nem menos. Não castiga nem premia arbitrariamente, movido por simpatias ou antipatias. Respeita nossa liberdade. No entanto, devemos considerar que ao sair deste mundo a liberdade já não se poderá escolher. A árvore permanecerá estendida pelo lado em que ela caiu.

«Morrer em pecado mortal sem estar arrependidos nem acolher o amor misericordioso de Deus, significa permanecer separados Dele para sempre por nossa própria e livre escolha» (Catecismo da Igreja n. 1033).

Imagina a grandiosidade do espetáculo? Os homens e as mulheres de todas as raças e de todos os tempos com nosso corpo ressuscitado e nossa alma compareceremos diante de Jesus Cristo, que presidirá o ato com grande poder e majestade. Virá julgar-nos em presença de todo o mundo. Se a entrada não fosse gratuita, valeria a pena... Então se saberia a verdade de todos nossos atos interiores e exteriores. Então veremos de quem são os dinheiros, os filhos, os livros, os projetos e as demais coisas: «Dias virão em que destas coisas que vedes não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído» (Lc 21,6). Dia de alegria e de glória para uns; dia de tristeza e de vergonha para outros. O que não quer que apareça publicamente, agora é possível eliminá-lo com uma confissão bem feita. Não se pode improvisar um ato tão solene e comprometedor. Jesus nos o adverte: «Vede que não sejais enganados. Muitos virão em meu nome, dizendo: Sou eu; e ainda: O tempo está próximo. Não sigais após eles, Olhai, não os deixeis enganar» (Lc 21,8). Está preparado agora?