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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 543/setembro 2007

Prática Cristã

Governo Lula:

 

PLANEJAMENTO FAMILIAR

 

Em síntese: O Governo Lula lançou forte campanha de planejamento familiar mediante a contracepção artificial e a vasectomia, sem levar em conta os graves prejuízos para a saúde do homem e da mulher daí decorrentes. Os recursos artificiais são meios colocados no organismo humano que funciona bem para que não funcione bem e isto só pode fazer mal.

  *  *  *

Aos 28/5/07 o Governo Lula lançou um Programa de Planejamento Familiar, o que inclui redução no preço e aumento na oferta de anticoncepcionais, além do incentivo à vasectomia. A cartela de pílulas poderá ser comprada por R$ 0,40 nas farmácias populares. Os repasses aos médicos que realizam vasectomia serão sextuplicados, passando de R$ 20,00 para R$ 123,00. Foram anunciados investimentos de R$ 130 milhões. O Ministro da Saúde José Gomes Temporão pediu a participação dos homens no Planejamento Familiar. Em todo o Brasil serão aumentados de 3,5 mil para 20 mil os postos de venda de anticoncepcionais.

Pergunta-se:

 

1. Que dizer?

Eis as ponderações que esse programa sugere:

1. Planejamento familiar. É muito desejável, pois não se deve colocar uma criança no mundo se não há recursos para educá-la dignamente. O casal pode não querer ter filhos nos primeiros anos de seu casamento a fim de estabilizar suas finanças; pode também limitar o número de filhos, reduzindo-o a dois ou três.

O que importa, porém, é o modo como essa limitação é feita: há recursos naturais e recursos artificiais. O Governo só disseminará recursos artificiais; e por que não considera os recursos naturais? Respondemos:

a) os meios naturais exigem um certo sacrifício, ou seja, a continência periódica, que exclui da cópula sexual os dias fecundos da mulher. Ora hoje em dia as pessoas se furtam a qualquer sacrifício, mesmo aos que dignificam a pessoa humana; daí alegar-se que os métodos naturais não são seguros - o que há de ser entendido com reservas -; de fato, a tabela de Ogino-Knaus não é segura, pois calcula os dias férteis e estéreis à distância no tempo. Todavia o método de Billings é muito seguro, pois avalia o estado da mulher dia por dia dando atenção à existência ou não do muco cervical ou da clara de ovo (como se diz), lubrificante que o organismo feminino produz para facilitar a passagem do espermatozóide. É também reconhecido o método de Doyle ou da temperatura do corpo feminino mediante um termômetro apropriado.

Usando métodos artificiais, como a camisinha, qualquer adolescente julga poder ter relações sexuais em qualquer momento, o que é falso, pois o preservativo não garante sexo seguro (seus poros são maiores do que as dimensões do HIV; cf. PR 490/2004, pp. 220;

b) Não se pode ignorar que há interesses financeiros incentivando o "sexo seguro" mediante artifícios de laboratório. Há quem se enriqueça às custas da desgraça alheia.

É de notar ainda que os métodos artificiais prejudicam sempre um dos dois consortes: a mulher, através da pílula ou da laqueadura... ou o homem através da vasectomia, ficando a outra parte do consórcio incólume. Ao contrário, os métodos naturais unem o casal, pois obrigam marido e mulher a se absterem de sexo conjuntamente em alguns dias do mês; o esposo e a esposa compartilham a mesma situação e colaboram entre si para manter-se firmes no seu propósito. Isto só pode beneficiar o casal, ao passo que os métodos artificiais prejudicam apenas um dos cônjuges. Na verdade, os anticoncepcionais em forma de pílula são meios farmacêuticos colocados no organismo que funciona bem para que não funcione bem; ora isto só pode fazer mal.

A propósito merece plena atenção o artigo de D. Rafael Cifuentes, Bispo de Nova Friburgo, publicado no jornal O GLOBO de 31/5/07, p. 6:

 

2. Fala D. Rafael Cifuentes

Precipitações

D. Rafael Llano Cifuentes

O Ministério da Saúde anunciou a redução de 90% no preço dos anticoncepcionais, o aumento da oferta gratuita de pílulas nos postos de saúde, a ampliação de verbas para incentivar a vasectomia e a laqueadura, a distribuição maciça e gratuita de preservativos e outras medidas.

É uma verdadeira febre anticoncepcional. Parece que só se enxerga um aspecto do problema, e não a dignidade da pessoa humana como um todo e o respeito devido à integridade do organismo humano.

Em nenhum momento se alerta a população quanto aos aspectos negativos dessa campanha. As pílulas suscitam algumas doenças, como tromboflebite, trombose da veia hepática, tromboses cerebrais e pulmonares, aumento da pressão arterial, tumores do fígado, câncer de mama, além de outros efeitos psicológicos. Não se adverte que elas têm um potencial efeito abortivo. A laqueadura traz consigo a síndrome postubária e sangramentos. Por esta razão, no Brasil, há um aumento progressivo de operações cirúrgicas para conseguir a reversão da ligadura de trompas e da vasectomia.

O problema essencial, contudo, não é este. A lei natural determina que existe um vínculo inseparável entre a relação sexual e a transmissão da vida. Romper artificialmente essa união representa uma grave infração desta lei. Utiliza-se o corpo humano - especialmente o da mulher-como simples objeto de prazer; banaliza-se a relação sexual, para convertê-la em mera satisfação instintiva.

É louvável um verdadeiro planejamento familiar, servindo-se dos métodos naturais - como o de Billings e outros, que têm eficácia comprovada. Mas em nenhum momento o Ministério da Saúde falou nesses métodos naturais.

O Estado deve compreender que não existe sociedade estável sem família bem constituída; não há família bem constituída sem fidelidade conjugal; e não há fidelidade conjugal sem a educação da afetividade e do sexo ou sem autocontrole.

Não é com anticoncepcionais que se solucionarão os problemas do desregramento sexual, mas com um trabalho profundo que venha a colocar no seu devido lugar o valor da vida, do amor, do sexo, do matrimônio e da família.

À guisa de complemento, acrescentamos uma carta de leitor de O GLOBO (27/5/07) p. 6. O que o Sr. Guilherme Romano escreve, vale exatamente para um autêntico planejamento familiar.

 

Legalizar o aborto

Legalizar o aborto não resolve a questão. O governo e a população precisam é ter coragem de enfrentar a questão de verdade. Infelizmente isso não é costume no nosso país. Solução de fato é realizar investimentos para educar a população para a paternidade responsável. Mas esta solução não serve para os políticos, que precisam de resultados imediatos. Assassinar uma criança inocente também é a "fórmula mágica" sugerida por aqueles que não querem ser responsáveis pelos próprios atos e colocam o seu prazer sexual acima de tudo, esquecendo que a vida é um direito fundamental.

Guilherme Quinderé Romano (por e-mail, 22/5), Rio

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