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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 388 – setembro 1994

 

MOVIMENTO SACERDOTAL MARIANO

 

Alguns leitores pedem uma palavra sobre o Movimento Sacerdotal Mariano (MSM) nas páginas de PR. Tal Movimento, aliás, é acompanhado pelo livro "Mensagem aos Sacerdotes, filhos prediletos de Nossa Senhora", portador das linhas diretrizes de tal Movimento de espiritualidade. O livro tem sido controvertido, porque está dito que reproduz mensagens que a Virgem SS. terá comunicado ao Pe. Stefano Gobbi mediante locuções interiores. Eis breve parecer sobre o assunto, parecer inspirado exclusivamente pela intenção de servir à S. Igreja.

 

Distingamos, como, aliás, faz o próprio Pe. Gobbi à p. XXXVI do livro, entre o MSM e o livro concomitante:

 

1)  O MSM é muito recomendável, pois visa à consagração dos sacerdotes e dos fiéis leigos a Nossa Senhora, incentivando a piedade e a renovação de vida numa hora tão carente de estímulos. O MSM vem a ser uma das muitas iniciativas hoje existentes na Igreja para reunir os fiéis e oferecer-lhes um programa de espiritualidade. Fica a critério de cada fiel católico aderir a este ou aquele outro Movimento, atendendo às suas disposições pessoais.

O S. Padre e muitos Bispos têm apreciado e incentivado o MSM.

 

2)  O livro de locuções interiores é algo de discutido pela índole mesma extraordinária de tal fenômeno; o próprio Pe. Gobbi cataloga as objeções que se têm levantado contra tal obra, visto que locuções interiores podem não ser senão uma manifestação patológica e ilusória. Com muita sinceridade o Pe. Gobbi reconhece o perigo de ilusão, mas julga que nem por isto se pode de antemão condenar qualquer manifestação de tal tipo. O Pe. Gobbi tem certeza de que a Virgem SS. lhe fala. Os critérios para avaliar a autenticidade de tal fenômeno são:

 

1)  ortodoxia da doutrina proposta;

2)  fidelidade à Igreja, especialmente ao Papa e aos pastores legítimos;

3)  humildade e despretensão da pessoa agraciada pelas locuções;

4) frutos positivos decorrentes das respectivas mensagens (afervoramento, conversões, catequese...).

 

Ora tais requisitos têm-se verificado em torno das mensagens atribuídas a Nossa Senhora. Especialmente os frutos permitem reconhecer a árvore (cf. Mt 7, 15-20). Daí não se poder, a rigor, impugnar o fenômeno das locuções interiores e o que elas transmitem, na obra do Pe. Gobbi. Pode haver, sem dúvida, quem não se identifique com a tônica colocada sobre este ou aquele ponto, como, por exemplo, a explicação dada aos números 666 e 333 (ver Ap 13,18) às páginas 647s; a referência ao Anticristo (pp. 649s), ao sinal impresso sobre a fronte e sobre a mão (pp. 655s);em suma, a interpretação do Apocalipse, que ocorre esparsa pelo livro, é de nível pastoral, nem sempre correspondente à da exegese científica; a predição da iminente segunda vinda de Jesus (pp. 704.712) é algo de controvertido.

 

Em suma, nota-se que a mensagem das locuções interiores é um apelo à conversão ou ao afervoramento — o que certamente é muito válido. Há aí censura de erros doutrinários e morais apontados com realismo e com oportunidade — o que também é válido. As previsões, ameaças e promessas é que são questionáveis; há tantas previsões e ameaças paralelas atribuídas ao Senhor e aos Santos em nossos dias que é lícito perguntar se, de fato, vêm do céu ou são projeções da mente humana cansada de tantos males e flagelos contemporâneos e, por isto, espontaneamente disposta a crer que "só Deus dá um jeito nisso". Podemos crer que estamos à beira de uma catástrofe mundial, mas não convém acentuar esta hipótese como se fosse uma certeza e um referencial para o comportamento dos cristãos.

 

Ao cristão compete viver como se estivesse sempre diante do juízo de Deus, sem dúvida; isto implica que qualquer momento pode ser o último. Basta que saiba isto para que se prepare constantemente para o encontro final com o Senhor Jesus; não há necessidade de profecias que definam algum tempo ou momento com precisão. Disse o Senhor Jesus: "Não compete a vós conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com a sua própria autoridade" (At 1,7).

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

 


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