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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 388 – setembro 1994

A GRANDE ORAÇÃO PELO BRASIL

 

As crises, por mais dolorosas que sejam, podem ter um aspecto salutar; põem o homem diante da evidência de que ele é frágil e incapaz de responder plenamente a si mesmo. Nesses momentos mais do que nunca, aflora a intuição de que o homem é dependente de um Ser Superior ou do Absoluto, único apto a saciar as aspirações "santamente utópicas" do ser humano. Então a prece brota espontaneamente do coração: "Senhor, salva-nos; estamos a parecer!" (Mt 8,25).

 

Toda a história da humanidade dá testemunho desta verdade. Muitos e muitos começaram, e começam, a se lembrar de Deus nas situações aflitivas. O Cristianismo reconhece este fato tão freqüente; a S. Escritura muito insiste no valor e na necessidade da oração em todo tempo... O Senhor Jesus, por exemplo, numa de suas parábolas, se refere a um homem que, de noite (nas trevas e na insegurança da noite), vai importunar o amigo pedindo-lhe três pães e, por rogar perseverantemente, recebe mais do que três pães, ... recebe tudo aquilo de que necessita (cf. Lc 11, 5-8).

 

A Tradição cristã fez amplo eco a estas verdades, a tal ponto que S. Afonso Maria de Ligório (+1787), repetindo o que antes se dissera, pôde afirmar: "Quem reza, certamente se salva; quem não reza, certamente se condena" (Del Gran Mezzo delia Preghiera).

 

No século IV, São João Crisóstomo, em Constantinopla, já dizia: "Nada se compara ao valor da oração... É possível até no mercado ou num passeio solitário fazer oração freqüente e fervorosa. Sentados em vossa loja, comprando ou vendendo, ou mesmo cozinhando..." (Eclogae 2).

 

Dirá alguém: às vezes, Deus parece insensível à oração dos homens! — Um Deus insensível a seus filhos não seria Deus, responde não somente a fé, mas também o bom senso. Os Santos explicam o fato: "Não te aflijas se não recebes imediatamente de Deus o que Lhe pedes, pois Ele quer fazer-te um bem ainda maior pela tua perseverança em permanecer com Ele na oração" (Evagro Pôntico, monge do século IV, Da Oração 34). Ele não despreza os anseios do homem, pois foi Ele mesmo quem os incutiu no coração do homem ao criá-lo (todos foram feitos para a vida, e a vida plena), mas Ele vê mais longe do que a criatura e discerne melhor o que lhe convém.

 

De resto, há no Evangelho uma estranha bem-aventurança: aquela dos que têm fome e sede de justiça (cf. Mt 5,6). Esses não têm justiça, não têm santidade, não têm a resposta para seus anseios mais profundos, mas têm fome e sede desses valores; sofrem por causa dessa fome e sede, e são felizes porque assim sofrem, diz o Senhor. Na verdade, tal é a condição mais autêntica do homem: sentir-se faminto e sedento de Algo mais, saber-se peregrino do Absoluto, ser viandante em demanda da Plenitude... E, por ter fome do Absoluto, ser orante...

 

O mês de outubro, dedicado ao Rosário da Virgem SSma., seja o mês da Grande Oração dos cristãos. ... oração por todas as necessidades da Igreja, do mundo e, em especial, do Brasil!

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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