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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 500 – fevereiro 2004

Há quem alegue..

 

A IGREJA CATÓLICA ACRESCENTOU LIVROS AO CATÁLOGO BÍBLICO?

 

Em síntese: Os protestantes alegam que a Igreja Católica, no Concílio de Trento (1545-63), acrescentou sete livros ao catálogo bíblico. Para dissipar esta afirmação, já foram publicados vários testemunhos em PR 432/1998, pp. 194ss, aos quais seja adicionado o Tomus Damasi abaixo transcrito.

 

Os protestantes costumam afirmar que a Igreja Católica no Concílio de Trento, em 1546, acrescentou ao catálogo bíblico sete livros: Tobias, Judite, Eclesiástico, Baruque, Sabedoria, 1/2 Macabeus, além de fragmentos de Ester e Daniel.

 

Para evidenciar a falsidade desta alegação, já foram publicados em PR 432/1998, pp. 194ss os testemunhos de Concílios que desde 393 professam o cânon bíblico como ele até hoje se encontra nas edições católicas da Bíblia; somente a ignorância da documentação pode sustentar a alegação protestante.

 

Visto que o assunto vem à baila com freqüência, publicaremos, a seguir, mais um testemunho de grande peso, pois data do fim do século IV, como julgam os críticos.

 

A introdução ao texto e o próprio texto são extraídos da obra de Justo Collantes intitulada "A Fé Católica" no 2001 (edição brasileira apresentada em PR 497/2003).

 

Tomus Damasi (382?)

 

Este decreto [Decretum Damasi], posteriormente incorporado ao decreto gelasiano [Decretum Gelash], se não é do Papa Dâmaso, deve ter sido redigido antes do ano 405, porque nesse ano o Papa Inocêncio I, numa carta ao bispo Exupério datada de 20.2, atribui ao Apóstolo João as três epístolas do cânon. Nenhum autor afinado com a prática romana poderia, depois de tal ano, atribuir ao evangelista só a primeira epístola e as duas seguintes a um presbítero João, como faz o nosso decreto. De qualquer modo, mesmo na hipótese de não ser autêntico, costuma-se reconhecer no decreto uma origem damasiana, ao menos quanto à substância.

 

Texto: PL 19, 791-793; Msi 8, 145-147; JTS 1 (1900) 557-559.

 

2.001 - "Devemos agora tratar das divinas Escrituras: o que toda a Igreja Católica aceita e o que deve ela recusar.

 

Ordem do Antigo Testamento: Gênesis, um livro. Êxodo, um livro. Levítico, um livro. Números, um livro. Deuteronômio, um livro. Jesus de Nave, um livro. Juízes, um livro. Rute, um livro. Reis, quatro livros. Paralipônemos, dois livros. Cento e cinqüenta Salmos, um livro. De Salomão, três livros: Provérbios, um livro; Eclesiastes, um livro; Cântico dos Cânticos, um livro. Além disso: Sabedoria, um livro. Eclesiástico, um livro. Série dos profetas: Isaías, um livro. Jeremias, um livro com Cinoth, isto é, suas Lamentações. Ezequiel, um livro. Daniel, um livro. Oséias, um livro. Amós, um livro. Miquéias, um livro. Joel, um livro. Abdias, um livro. Jonas, um livro. Naum, um livro. Habacuc, um livro. Sofonias, um livro. Ageu, um livro. Zacarias, um livro. Malaquias, um livro. Série das histórias: Jô, um livro. Tobias, um livro. Esdras, dois livros. Ester, um livro. Judite, um livro. Macabeus, dois livros.

 

Ordem das Escrituras do Novo e eterno Testamento, que a Santa Igreja Católica reconhece[e venera]: os Evangelhos: segundo Mateus, um livro; segundo Marcos, um livro; segundo Lucas, um livro; segundo João, um livro. As Epístolas de Paulo [Apóstolo] em número de 14: aos Romanos, uma; aos Coríntios, duas; aos Efésios, uma; aos Tessalonicenses, duas; aos Gálatas, uma; aos Filipenses, uma; aos Colossenses, uma; a Timóteo, duas; a Tito, uma; a Filémon, uma; aos Hebreus, uma. Igualmente: o Apocalipse de João, um livro; Atos dos Apóstolos um livro. Série das epístolas canônicas, em número de sete: do Apóstolo Pedro, duas; do Apóstolo Tiago, uma; do Apóstolo João, uma; do presbítero João, duas; do Apóstolo Judas zelote, uma. Termina o cânon do Novo Testamento".

 

A leitura deste texto e dos que foram transcritos em PR 432/1998 pp. 194s leva a afirmar que foi Lutero quem retirou da Bíblia os sete livros deuterocanônicos; abandonou assim a tradição católica, baseada na praxe da Igreja antiga, para seguir o cânon estipulado pelos judeus em Jamnia no ano 100 d.C. aproximadamente.

 

É de notar que, sendo canônicos, como realmente são, os sete livros apontados, adquirem fundamento bíblico já no Antigo Testamento as doutrinas do purgatório (ver 2Mc 12, 38-45) e da intercessão dos santos pelos seus irmãos militantes na terra (ver 2Mc 15, 12-16).

 

 

Dom Estêvão Bettencourt


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