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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 393 – fevereiro 1995

SAO UMA LEGIÃO...(1)

 

 

Notícias provenientes da Europa nos dizem que mais e mais se vai tomando conhecimento do grande número de fiéis católicos — clérigos e leigos — que morreram por causa da sua fé durante os anos de regime comunista; suportaram cárceres (por vezes, cela solitária) ou trabalhos forçados..., que terminaram pelo desaparecimento ou pela deterioração física ou mental desses irmãos. Precisamente nos países em que o Catolicismo é minoritário, como Romênia e Bulgária, vêm à tona os nomes de grandes heróis; os Bispos da Romênia pediram à Santa Sé "que sejam acelerados os processos de canonização das testemunhas da fé que deram a vida por Cristo e pela Igreja durante os quarenta anos de perseguição".

 

Na Bulgária, na noite de 11 para 12 de novembro de 1952 foram fuzilados o Bispo de Nikopol, Mons. Eugênio Bossilkoff e três sacerdotes, cujos cadáveres foram lançados na fossa comum; tudo fora feito para conseguir a sua apostasia; respondia Mons. Bossilkoff: "Estou pronto a dar a vida pela minha fé". Citam-se ainda como heróis de fidelidade o Cardeal Jozsef Mindszen-ty, Primaz da Hungria, o Cardeal croata Alojzije Stepinac, o Cardeal ucraniano Josyf Slipyj e o Cardeal romeno Juli Hussu. "Mortos, ainda vivem e falam eloqüentemente" (cf. Hb 11,4) ; são o tesouro humano e a expressão da vitalidade da Santa Mãe Igreja; a sua morte destemida é causa de alegria para as gerações futuras, pois é sinal de que o sangue de Cristo frutifica nos Santos até hoje. De resto, o sangue dos mártires é semente de novos cristãos (sanguis martyrum sêmen christianorum, dizia Tertuliano, (+220).

 

Esses mártires vêm a ser um convite muito enfático aos cristãos de hoje para que trilhem o mesmo caminho. Aliás, toda vocação cristã é um chamado para o heroísmo, pois é o apelo a seguirmos o Cristo portador da Cruz para ressuscitar como nova criatura. O convite à santidade decorre do Batismo mesmo e acompanha todo o currículo de vida de um cristão.

 

Bem diferente do caso dos mártires do Leste Europeu é o dos "mártires da América Latina". Entre estes, contam-se sacerdotes e leigos (até protestantes), que morreram em litígios por causa de questões sociais. Merecem respeito, mas pode-se perguntar: qual o motivo preciso por que morreram? ... pela causa da partilha de terras e da reforma agrária?... pela ecologia?... por dissensões políticas? — O termo "mártir", na linguagem do Novo Testamento, significa "ser testemunha da fé até o extremo". Não basta a morte corajosa ou trágica para fazer um mártir; S. Agostinho (+430) sabiamente dizia: "Martyres non facit poena, sed causa. Não é a pena que faz os mártires, mas a causa pela qual é sacrificada a sua vida". Ver pp. 84-89 deste fascículo (393).

 

Possa a "legião de mártires" (conhecidos e desconhecidos) de nossos tempos servir de estímulo a que os fiéis católicos dêem lúcido testemunho da fé,seguindo generosamente o Cristo no seu caminhar cotidiano!

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

 

1 L'Eglise en Détresse dans le Monde no 84, p.3.


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