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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 347 – abril 1991

Por que Confessar-se?

 

Por que confessar-se? Sugestões práticas para o Sacramento da Reconciliação, por Hans Schalk. Tradução de Elfrida Decker e Maria de L. Dias. — Editora Cidade Nova, Rua Cel. Paulino Carlos 29, 04006, São Paulo (SP), 110x 190 mm, 62 pp.

 

Eis um livro precioso que, de maneira simples e clara, ajuda o fiel católico a procurar o sacramento da Reconciliação. O autor expõe algumas das causas pelas quais custa ao homem reconhecer seus pecados (é desagradável sentir-se faltoso, é mais fácil atribuir a causas extrínsecas os pecados do indivíduo. . .). Mostra como a noção de pecado se prende à noção de Deus, que é santo, mas também é o Pai de misericórdia. Quem compreendeu o que é o pecado, concebe o desejo de se libertar dele; por isto procura o meio eficaz para o conseguir, ou seja, o sacramento instituído pelo próprio Jesus na noite de Páscoa como fruto da sua obra redentora; cf. Jo 20, 20-23. O sacramento é necessário todas as vezes que haja uma falta grave, e é recomendável para que haja ritmo de vida espiritual sadia no cristão, independentemente de faltas graves.

 

"Se compreendo a confissão desta maneira, ela não se torna um colóquio humilhante de um homem com outro, onde o primeiro se envergonha e o outro está sentado como num tribunal. A confissão é o encontro de homens que se unem na fé de que o Senhor quer estar ali com eles, mesmo que sejam apenas dois que se reúnem em seu nome (cf. Mt 18,20).

 

O penitente cria uma prontidão interior para esta presença de Jesus. Vê no sacerdote seu irmão, pelo qual pode doar sua culpa a Cristo. E o sacerdote esforçar-se-á para ouvir com paciência e atenção, identificando-se com o penitente para poder ajudá-lo na sua caminhada para a meta. Pois ele mesmo é um homem pecador, que vive do perdão.

Onde a confissão é praticada desta maneira, ela pode tornar-se uma festa, na qual se experimenta a presença de Cristo, como aquele que é a fonte de todo perdão" (pp. 44s).

 

O livro é altamente valioso para a renovação da piedade cristã e para derrubar dificuldades que muitos concebem em relação ao sacramento da Reconciliação. O autor, sacerdote redentorista, escreve com profundo senso teológico, solidez de doutrina e, ao mesmo tempo, com grande unção e piedade, pois ele diz de si mesmo:

 

"Com este texto, queremos oferecer algumas indicações e esclarecimentos. São experiências, reflexões, impulsos para pensar, estímulos para a prática. Transmito-o como alguém que se confessa sempre de novo e está â procura da forma mais adequada para a confissão; como alguém que experimentou a confissão como um presente para a sua vida e que deseja contribuir para que também outros a possam experimentar como um presente" (p. 14).

 

Palavras de Paz, do Mahatma Gandhi. Tradução de Karin Bakke de Araujo. Coleção "Grandes Ideais" no 5. — Editora Cidade Nova, São Paulo (SP), 88 x 220 mm, 89 pp.

 

Mahatma Gandhi (1869-1948) tornou-se famoso pela pregação e a prática da não-violência, que veio a ser eficaz em prol do povo indiano. Não era cristão; antes, recebera formação hinduísta (panteísta); no plano teológico, o seu pensamento tende ao monoteísmo. Gandhi muito admirou o Evangelho, especialmente o Sermão da Montanha (Mt 5-7), que prega a não-violência, mas ficou mal impressionado pelo modo de vida de cristãos da Inglaterra. A Editora Cidade Nova apresenta uma coleção de pensamentos de Gandhi reunidos debaixo de títulos significativos: "Bem-aventurados os que não usam violência", "Bem-aventurados os que têm fome de justiça", "Bem-aventurados os puros de coração", "Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça", "Não tenhais medo". — Embora se trate de um autor não cristão, a leitura de tais páginas é interessante e profícua também para o fiel católico, pois se encontram aí afirmações das mais genuinamente católicas, proferidas por um não católico, como se depreende das citações seguintes:

 

"A oração foi a salvação da minha vida. Sem oração, eu teria perdido a razão há muito tempo. . . Para mim foi absolutamente necessária. Eu estava num impasse: sem oração, não poderia ser feliz. Mais e mais minha fé em Deus aumentou e, na mesma medida, aumentou minha necessidade de rezar. Sem a oração, minha vida teria sido insensata e vazia" (p. 15).

 

"Quando você aceita a existência de Deus, a necessidade da oração torna-se indiscutível. Não sejamos tão presunçosos a ponto de afirmar que toda a nossa vida é uma oração e que, portanto, é supérfluo reservar a ela determinados horários" (p. 15).

 

"Eu percebi que a oração é tão indispensável para a alma quanto o alimento para o corpo. Para ele, o alimento nem é tão importante quanto o é a oração para a alma. Pois freqüentemente o corpo necessita do jejum para se manter sadio, mas não existe jejum de oração. Você nunca se 'saciará de oração" (pp. 17s).

 

"Eu estou convicto de que a Europa de hoje não traz em si o espírito de Deus ou do Cristianismo, mas o espírito do demônio. E o demônio faz o maior sucesso onde ele aparece com o nome de Deus nos lábios. A Europa hoje é cristã só de nome. Na verdade, ela reza para Mamon. 'É mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus'. Estas são palavras de Cristo. Os seus assim chamados seguidores medem seu progresso moral por seus bens materiais" (p. 19).

 

Nos escritos de Gandhi descobrem-se muitas das "sementes do Verbo" esparsas fora do Cristianismo, das quais falam os antigos Padres da Igreja.

 

Dom Estêvão Bettencourt


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