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Artigo

Carta do Papa:

 

Sobre o Neocatecumenato

 

Em síntese: O Neocatecumenato, movimento de renovação católica fundado em 1964 na Espanha, obteve em 1990 a aprovação oficial do S. Padre João Paulo II em carta dirigida a Mons. Paulo José Cordes, Vi­ce-presidente do Pontifício Conselho para os Leigos e encarregado pessoal­mente de acompanhar as comunidades do Neocatecumenato.

O texto dessa Carta vai, a seguir, publicado. Contribui para esclarecer a posição jurídica do Neocatecumentao dentro da Igreja e incrementar a atuação desse Movimento em benéfico apostolado.

 

O Neocatecumenato é um movimento eclesial que teve origem nos arredores de Madrid (Espanha) em 1964, por obra de um jovem espanhol chamado Kiko Arguello e companheiros leigos. Kiko era um convertido do ateísmo e, consciente da grandeza da vocação cristã, quis empenhar-se para que muitos se tornassem cada vez mais cientes do dom de Deus. Para tanto, conceberam um itinerário de formação que compreende diversas etapas, semelhantes àquelas que a Igreja antiga propunha aos adultos que se prepara­vam para passar do paganismo à vida cristã. O Catecumenato na Igreja antiga terminava com a recepção do sacramento do Batismo (ao qual geralmente se acrescentavam os da Crisma e da Eucaristia); hoje em dia o Neocatecumena­to já supõe "catecúmenos" batizados; apenas visa a transmitir-lhes mais pro­funda consciência do valor e das responsabilidades da vida cristã; termina com a renovação das promessas do Batismo. A descrição das etapas e da espiritualidade subjacente à instituição do Neocatecumenato já foi apresen­tada em PR 290/1986, pp. 300-310.

 

O Neocatecumenato tem suscitado dúvidas em alguns observadores não somente porque é algo de novo ou inédito na vida da Igreja, mas tam­bém porque se têm registrado exageros ou abusos no modo de falar ou de agir de neocatecúmenos. São falhas explicáveis pela fragilidade humana; não decorrem da mensagem mesma do Neocatecumenato. Este tenciona ser fiel ao magistério da Igreja e desenvolver sua vivência em plena comunhão com o Bispo diocesano e o Pároco local.

 

Precisamente para dirimir dúvidas, o Santo Padre João Paulo II, aos 30708/1990, escreveu uma Carta sobre o Neocatecumenato, testemunhan­do seu apreço pela instituição e dando-lhe a sua aprovação. A Carta foi di­rigida ao Pontifício Conselho para os Leigos e dada ao público nos últimos dias de setembro de 1990. Segue-se o texto integral da mesma em tradução portuguesa:

"Ao Venerável Irmão Mons. Paulo José Cordes, Vice-Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, Encarregado pessoalmente do Apostolado das Comunidades do Neocatecumenato,

 

Sempre que o Espírito Santo faz germinar na Igreja impulso de maior fidelidade ao Evangelho, florescem novos carismas que manifestam essa rea­lidade, e novas instituições que a põem em prática. Foi o que se deu após o Concílio de Trento e o do Vaticano II.

 

Entre as realidades suscitadas pelo Espírito em nossos dias, encon­tram-se as comunidades do Neocatecumenato, fundadas pelo Sr. Kiko Arguello e a Sra. C. Hernández (Madrid, Espanha), cuja eficácia para a reno­vação da vida cristã já foi saudada por meu predecessor Paulo VI como fruto do Concílio:

 

'Quanta alegria e quanta esperança nos trazeis por vossa presença e vossa atividade1. . . . Viver e promover esse despertar, é o que considerais uma forma de pós-Batismo, que poderá produzir nas atuais comunidades cristãs os efeitos de maturidade e aprofundamento que, na Igreja antiga, eram obtidos no período de preparação para o Batismo' (Paulo VI às Comu­nidades Neocatecumenais, Audiência Geral de 08/05/74, em Notitiae, 96-97, 1974, p. 230).

 

Também eu, em muitos encontros que tive, como Bispo de Roma nas paróquias romanas, com as comunidades neocatecumenais e seus pastores, e em minhas viagens apostólicas por numerosos países, pude verificar frutos copiosos de conversão pessoal e um fecundo impulso missionário.

 

Essas comunidades tornam visível, nas paróquias, o sinal da Igreja mis­sionária e se esforçam por abrir caminho para a evangelização daqueles que quase abandonaram a vida cristã, oferecendo-lhes um itinerário de tipo catecumenal, que percorre todas as fases que na Igreja primitiva os catecúme­nos percorriam antes de receber o sacramento do Batismo; tal itinerário os aproxima da Igreja e de Cristo (cf. Catéchuménat post-baptismal, em Notitiae 96-97, 1974, p. 229). O anúncio do Evangelho, o testemunho dado em pe­quenas comunidades e a celebração eucarística em grupos é que permitem aos membros do Neocatecumenato pôr-se ao serviço da renovação da Igreja.

 

Vários irmãos no episcopado reconheceram os frutos desse caminho. Limitar-me-ei a lembrar o falecido Bispo de Madrid, Mons. Casimiro Morcillo: em sua diocese e sob seu governo pastoral, nasceram em 1964 as comunida­des neocatecumenais, que ele acolheu com grande amor.

 

Após mais de vinte anos de existência das Comunidades, esparsas pelos cinco continentes,

considerando a nova vitalidade que anima as paróquias, o impulso missionário, e os frutos de conversão que desabrocham no compromisso dos itinerantes e, ultimamente, no seio das famílias que evangelizam em zonas descristianizadas da Europa e do mundo inteiro;

considerando também as vocações que brotaram desse itinerário para a Vida Religiosa e para o presbiterato, assim como o surto de colégios diocesanos destinados à formação presbiteral em vista da nova evangelização (tenha-se em vista, por exemplo, o Redemptoris Mater de Roma);

tendo outrossim tomado conhecimento da documentação por vós apresentada, acolhe o pedido que me foi feito, e reconheço o Caminho Neocatecumenal como um itinerário de formação católica, válido para a sociedade e os tempos atuais.

 

Desejo, portanto, que meus irmãos no episcopado valorizem e aju­dem — juntamente com seus presbíteros — essa obra destinada à nova evan­gelização, a fim de que se desenvolva segundo as linhas propostas por seus fundadores, em espírito de serviço ao Ordinário (Bispo ou Prelado) do lugar, em comunhão com ele e no contexto da unidade da Igreja particular com a Igreja Universal.

 

Em penhor de fiel execução de vosso programa, dou a vós e a todos os membros das comunidades neocatecumenais, minha bênção apostólica.

 

Do Vaticano, aos 30 de agosto do ano de 1990, XII do Pontificado.

 

João Paulo Papa II"

 

 

Este documento é de enorme importância, pois confirma oficialmente a iniciativa dos fundadores do Neocatecumenato, após mais de vinte anos de experiência fecunda. A instituição é assim incentivada a prosseguir a sua mis­são, especialmente tendo em vista o Projeto de Nova Evangelização que o S. Padre João Paulo II tem apregoado em suas visitas pastorais. O fiel católi­co encontra assim o caminho de uma instituição que o ajude a se converter sempre mais ao Senhor Jesus e ser arauto eloqüente da mesma.


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