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Artigo
Pergunte e Responderemos - Bíblia Online Católica

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 382 – março 1994

"atendido por causa da sua reverência"

(Hb5,7)

 

O mês de março terminará com a celebração da Semana mais Santa do ano: 28/03 a 03/04. É semana de paradoxo, pois nela se celebram a morte e a ressurreição de Jesus ou a morte que não foi morte, mas passagem para a vida. — Um texto da epístola aos Hebreus (5,7) é apto a explanar o mistério: o autor sagrado recorda a agonia de Jesus no Horto das Oliveiras, em meio a clamores e lágrimas e. . . ousa dizer que Jesus, tendo pedido ao Pai a isenção da morte de Cruz, foi atendido por causa da sua reverência.

 

É espontâneo perguntarmos: como foi atendido, se não foi poupado da crucifixão dolorosa? — A resposta é importante.

 

No Horto das Oliveiras, Jesus pediu que o cálice passasse sem que Ele o bebesse, mas acrescentou: "Faça-se, porém, a Tua vontade, ó Pai, e não a minha" (Lc 22,42). Tal é, aliás, o modelo da oração de todo cristão: "não sabemos o que pedir como convém" (Rm 8,26); podemos, porém, sugerir ao Pai tudo o que nos pareça útil e conveniente, mas façamo-lo sempre com Jesus e como Jesus, subordinando nossos anseios aos santos desígnios do Pai (é isto que se chama "pedir em nome de Jesus"; cf. Jo 16,23). Uma tal oração nunca é perdida; será sempre atendida, como foi atendida a de Jesus: se Ele não recebeu a dispensa da morte de Cruz, mas a atravessou, ganhou mais do que a graça de morrer sem violência; sim, através de sua morte na Cruz, Jesus venceu a morte, ressuscitando e tornando-se o Senhor dos vivos e dos mortos. É Ele quem afirma no Apocalipse: "Eu sou o Primeiro e o Último, o Vivente; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da Morte e da região dos mortos" (Ap 1,18).

 

O Apocalipse apresenta o Cordeiro tendo nas mãos o livro dos desígnios de Deus sobre a humanidade; é o Senhor da história, mas traz as chagas da sua Paixão; está de pé como que imolado (cf. Ap 5,6). Era tal dignidade que o Pai havia reservado para Jesus como homem; se não lhe deu aquilo que o bom senso humano sugeria, deu-lhe algo de muito mais valioso.

 

Considerando tal modelo, o cristão se sente reconfortado. Não lhe faltam ocasiões de padecer como Jesus; Ele quis descer até o extremo das nossas dores e pedir o que qualquer criatura humana, na angústia, pediria. Em tais circunstâncias, o cristão rezará com Jesus. E esteja certo de que a sua prece não será perdida, pois, se o Pai não lhe conceder o que sugere, há de lhe dar muito mais ainda, ou seja, a participação no reinado de Cristo, que esteve morto, mas vive pelos séculos!

 

É a oração com Cristo, filial e perseverante, que transfigura a Cruz e a torna Árvore da Vida.

 

Dom Estêvão Bettencourt

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