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Artigo
Pergunte e Responderemos - Bíblia Online Católica

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 383 – abril 1994

"... É O SENHOR!"

(Fl 2,11)

 

O tempo de Páscoa continua a celebrar a vitória de Cristo sobre a morte. Esta vitória é expressa com especial destaque em Fl 2,6-11 : Jesus se faz obediente até a morte; por isto, Deus Pai O exaltou sobremaneira e lhe deu o nome Kyrios (Senhor), que é proclamado por todas as criaturas.

 

Tal nome é denso de significado. Notemos, antes do mais, que vem outorgado àquele que foi crucificado e morto, ou seja, à humanidade de Jesus. Deus Pai quis ressuscitá-la e fazê-la participante da realeza própria de Deus. Com efeito, Kyrios, na versão grega do Antigo Testamento (LXX), traduz o nome lahweh (Javé) revelado por Deus a Moisés. O texto de Fl 2,6-11 parece fazer alusão a isto, pois retoma palavras que se encontram em Is 45,23s: "Diante de mim se dobrará todo joelho e toda língua jurará por mim"; a honra que toca a Javé, tocará também a Jesus ressuscitado. A soberania de Cristo é realçada igualmente no Apocalipse: o Cordeiro que foi imolado e traz as marcas do seu suplício, está de pé, vencedor da morte, e recebe o livro que contém toda a história da humanidade; Ele é o Senhor (Kyrios) dos tempos; tudo o que acontece, é por Ele regido; Ele é capaz de fazer da cruz e da morte dos homens a passagem para a vida plena (cf. Ap 5,6-14).

 

A soberania de Cristo é um tema que perpassa todo o Novo Testamento; está sempre associada à morte e à ressurreição de Jesus, como termo final do processo de obediência de Jesus. Assim, por exemplo, diz São Pedro: "Reconheça, com certeza, toda a casa de Israel: Deus o constituiu Senhor e Messias, esse Jesus que vós crucificastes" (At 2,36).

 

Além de ser o equivalente grego do hebraico lahweh, o apelativo Kyrios era usado na linguagem profana para designar o Imperador Romano. Há vestígio disto no próprio livro dos Atos dos Apóstolos, onde o procurador Festo afirma: "Nada tenho de concreto sobre Paulo para escrever ao Soberano (Kyrios)" (At 25,26); o título punha em relevo o poder absoluto do Imperador e as honras divinas que se lhe prestavam.

 

Estas poucas considerações permitem formular duas conclusões importantes: 1) o Jesus glorioso professado pela fé (o chamado "Jesus da fé") é o próprio Jesus aniquilado no patíbulo da Cruz (é o chamado "Jesus da história"), sem influência de alguma corrente de pensamento heterogêneo; a Cruz desemboca na glória; 2) os cristãos compreenderam isto desde os primeiros anos, pois o texto de Fl 2,6-11 é um hino da Liturgia da Igreja nascente transcrito por São Paulo.

 

Caro leitor, o mistério de Jesus é o mistério de todo cristão. Tal é o ensinamento básico da fé que tu professas!

 

 

Dom Estêvão Bettencourt

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