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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 518 – agosto 2005

POR QUE SE DIZ QUE A MISSA RENOVA O SACRIFICIO DO CALVÁRIO?

 

- Se por "renovar" entendemos "repetir, multiplicar', devemos dizer que a Missa não renova o sacrifício da Cruz; Cristo não pode mais padecer e morrer (Rm 6, 8-11). A Missa torna presente ou perpetua sobre os nossos altares o sacrifício da Cruz; Ele que está sempre vivo para interceder por nós (Rm 8, 4; Hb 7, 25) apresenta-nos sua oblação ao Pai para que dela possamos participar.

A Missa renova (repete, multiplica) o ritual da última ceia, quando Jesus antecipou sacramentalmente o sacrifício da Cruz.

Em suma: a Missa perpetua ou re-apresenta o sacrifício do Calvário. Ela renova ou repete o rito da quinta-feira santa.

E por que a Missa torna presente o sacrifício da Cruz? Por que Jesus a instituiu?

Porque ser cristão não significa apenas seguir um Mestre na qualidade de discípulo. Implica participar da vida desse Mestre, que também é tronco de videira a comunicar sua seiva aos ramos que somos nós. Por isto Ele torna presente sua oblação ao Pai para que nós, em virtude do nosso sacerdócio batismal, ou comum, nos ofereçamos como hóstias vivas ao Pai; colocamos sobre a patena do altar nossos trabalhos, nossas alegrias e tristezas, que são as de um membro vivo do Cristo, para glorificar o Pai e pedir-Lhe as graças de que necessita a humanidade. Tornamo-nos assim remidos e colaboradores de Cristo na obra da Redenção... Remidos, porque tudo é graça, nada temos de bom que não tenhamos recebido. Colaboradores de Cristo, porque comungamos com a vida e a obra dele. Ele é o único Mediador, que quer conceder aos seus fiéis a grande graça de cooperar, partilhando a sua oferta de sacrifício ao Pai.

Estas reflexões nos ajudam a compreender o valor de uma vida cristã bem vivida; ela não pode ser avaliada por aquilo que produz; ela é importante por aquilo que ela é: enxertada em Cristo, portadora e transmissora da graça salvífica. Por isto bem podia dizer o Santo Padre João Paulo II: "Uma alma que se eleva, eleva o mundo inteiro" (citação do Diário de Elizabeth Leseur na Exortação Apostólica "Reconciliação e. Penitência" n° 16).

 

Em síntese, portanto, dizemos:

1)  na 5a feira santa Jesus tornou presente de modo real, mas incruento, o sacrifício que no dia seguinte havia de oferecer cruentamente; tornou-o antecipadamente presente. E mandou repetir o gesto;

2)  atualmente em cada S. Missa Jesus torna presente de modo real, mas incruento esse mesmo e único sacrifício que Ele realizou cruentamente na Cruz.

Precisamente o "tornar presente" a todos os tempos, sem implicar repetição nem multiplicação, constitui o "mistério da fé", título dado por excelência à S. Eucaristia. É o Concílio de Trento quem o diz: "Há uma só e mesma Hóstia, um mesmo Sacerdote, que se oferece agora pelo ministério dos presbíteros depois de ter oferecido Ele mesmo outrora sobre a Cruz, apenas a maneira de oferecer é diferente" (DS 1743; Fé Católica 9167).

 

Dom Estêvão Bettencourt


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#0•A695•C134   2012-05-30 18:50:15 - Convidado/[email protected]
mais uma ves o meu muito obrigada pelos vossos maravilhosos ensinamentos. que DEUS vos abençõe,Amem

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:-)