CIêNCIA E Fé (1405)'
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Artigo

Os Limites da Ciência

A idéia de que só o mensurável e controlável é real não se sustenta racionalmente. O sujeito, antes de fazer um experimento em física, por exemplo, parte de várias premissas empiricamente indemonstráveis: deve acreditar na existência do mundo exterior e que este possui algum tipo de ordem detectável por seus instrumentos de medida, que esta ordem não pode ser descrita a priori (como queriam os gregos), mas precisa ser inferida a partir da observação. Deve crer também que seu intelecto é capaz de apreender as coisas e a ordem das coisas através dos sentidos, e assim por diante. Só isto já basta para refutar o empirismo restrito, já que é impossível justificar empiricamente tais premissas antes (ou mesmo depois) de se fazer qualquer experimento.

Aliás, é impossível provar empiricamente que só devemos acreditar naquilo que pode ser provado empiricamente. Também é impossível definir empiricamente o que é uma definição. Temos aqui um daqueles casos da tese que refuta a si mesma. Levado até o limite, o empirismo cientificista nos faz concluir que não existimos, que não pensamos, que a realidade não é real: tudo são apenas campos matemáticos e partículas sem cor, sem textura, sem cheiro, sem som, sem sabor. O mundo sensível que experimentamos, nesta perspectiva, não existe...

Mas se o mundo não existe, então como falar que ele é feito de campos e partículas? Se não há como falar de campos e partículas, como falar de matéria? E se não é possível falar de matéria, então como dizer que tudo se reduz à matéria?

Como podemos, aliás, falar de alguma coisa, se o pensamento é apenas o resultado da interação determinista ou fortuita de partículas e campos? Como falar de conhecimento, ciência e verdade?

A física não estuda a natureza, estuda os acidentes quantitativos que podem ser "extraídos", mediante a aplicação do método experimental científico, de fenômenos que ocorrem na natureza. Ela não estuda o que se move, mas certos acidentes do movimento sem ter como definir o que é movimento, o que se move, de onde se move e para onde se move.

Um físico, químico, biólogo, que faz de sua limitadíssima ciência a totalidade da ciência, a única forma válida de conhecimento, comete um erro primário, um erro terrivelmente embaraçoso, para dizer o mínimo.

Ewerton Caetano

 


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