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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 381 – fevereiro 1994

Dados impressionantes:

 

JUVENTUDE E SEXO

Em síntese: As pesquisas realizadas a respeito de juventude brasileira e uso do sexo apresentam resultados impressionantes; torna-se quase normal o sexo pré-matrimonial, com porcentagem crescente de adolescentes grávidas.

 

O antídoto que as autoridades civis e alguns profissionais propõem para este quadro, é o recurso a anticoncepcionais e preservativos. Na verdade, tais meios são falhos; além do quê, dão a entender que nada há a opor às relações pré-matrimoniais, do ponto de vista ético; apregoa-se falsamente "o sexo seguro".

 

Falta a coragem, da parte de genitores e educadores, para propor aos adolescentes e jovens uma escala de valores: o uso do sexo é a última etapa do amor que desperta no namoro, se fortalece no noivado e se consolida estavelmente no matrimônio; somente no contexto deste pode haver a prole, que decorre do uso da sexualidade. Sem compromisso total do homem e da mulher, o sexo não tem sentido; é, não raro, manipulação "colorida" do(a) parceiro(a). Bons médicos e psicólogos afirmam que a castidade pré-nupcial, longe de prejudicar a saúde, só contribui para a fortalecer e melhor preparar o casamento.

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O uso do sexo torna-se cada vez mais "normal" entre os jovens antes do casamento e até mesmo na adolescência. Os genitores e mestres, não raro, se dão por perplexos diante da onda de erotismo; embora percebam frutos negativos da mesma, não ousam pronunciar-se ou tentam mesmo acobertá-la com a justificativa de que a liberdade de comportamento da nova geração é intocável.

A propósito o jornal O ESTADO DE SÃO PAULO, aos 19/09/93, pág. A 26, publicou os resultados de uma pesquisa realizada entre universitários, que passamos a apresentar e comentar, pois se trata de fatos muito significativos.

 

1. O PROBLEMA

 

A psicóloga Heloísa Aparecida Tivetti Angeli efetuou na Universidade de São Paulo, um estudo entre os universitários de 18 a 21 anos, chegando às conclusões seguintes:

 

62% mantêm vida sexual ativa;

64% dos rapazes freqüentam prostíbulos;

32% não se preocupam com a AIDS, moléstia que se transmite, em grande parte, através da promiscuidade sexual;

50% nunca conversaram com os pais sobre sexo, muitas vezes porque os pais estão despreparados ou não dão a devida importância ao assunto.

 

Registra-se também freqüência crescente de gravidez na adolescência ou desde os 14/15 anos de idade, como se depreende do trecho abaixo:

 

"A gravidez na adolescência continua aumentando. Na década de 70, 0,5% das crianças eram filhas de mães com menos de 15 anos. De acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE}, divulgado em 1990, essa porcentagem triplicou.

'Oficialmente, 20% dos bebês que nascem no Brasil têm mães adolescentes', afirma a Coordenadora do Programa de Atendimento Integral de Adolescentes no Estado de São Paulo, Albertina Duarte Takiuti" (pág. cit.).

Mais: 40% das meninas voltam a engravidar nos 36 meses seguintes, caso não recebam orientação.

 

''Mãe de quatro filhos, Lídia está lançando o romance Tesouro da Juventude, pela Editora 'Olho d'Água', voltado para adolescentes. A história fala do amor de dois jovens que se apaixonam e, apesar de todas as informações de que dispõem, passam a manter relações sexuais sem precaução. Tudo muito romântico, até que acontece o inevitável: a gravidez. E a opção pelo aborto.

 

'O adolescente tem a sensação de onipotência, própria da idade', explica. 'Acha que nada que não queira irá acontecer', diz" (pág. cit).

 

Eis ainda outros tópicos colhidos na mesma página de jornal:

 

"A dona de casa Sílvia Prado, de 48 anos, mãe dos estudantes Sílvia Adriana, 19 anos, e Plínio César, de 15, garante que a conversa em sua casa é muito liberal. Ela se preocupa com a possibilidade de os filhos contraírem doenças venéreas e não aprova o sexo antes do casamento. 'Mas, se minha filha resolver transar, eu prefiro não saber', afirma. 'Só espero que minha filha saiba escolhera hora certa', ressalta.

 

Segundo Heloísa, a dificuldade dos pais é maior do que aparenta. 'A maioria garante que conversa com os filhos sobre sexo, mas o que existe é uma hipocrisia social, a abertura é falsa, sustenta a psicóloga. Para a dona de casa Camila Gouveia, de 20 anos, a falta de conversas aprofundadas sobre sexo com os pais, durante a adolescência, foi decisiva. Grávida aos 15 anos, quando fazia o segundo colegial, ela escondeu o fato da família até o sexto mês. Cinco dias após seu casamento, nasceu Frederico, hoje com 3,6 anos, e há três meses nasceu Gabriel. 'A gente nunca acredita que vai engravidar, aí é que está o erro', diz, planejando retomar os estudos no próximo ano. O nascimento do primeiro filho, entretanto, serviu para aproximar Camila e sua mãe, a empresária Marina de Mello Lopes. 'Agora conversamos mais livremente', garantem.

 

Thereza Cristina Lacerda de Camargo, 20 anos, viveu uma experiência semelhante. 'Quando contei para minha mãe que não era mais virgem, ela chorou muito, acho que pensou que estava me perdendo'. Grávida aos 16 anos, Thereza deixou os estudos, cancelou uma viagem aos Estados Unidos, casou-se e hoje tem duas crianças. 'Na época eu era muito irresponsável', lembra..."

 

Diante de fatos tão relevantes para a juventude e as famílias brasileiras, pergunta-se: que dizer? — Responderemos por etapas.

 

 

2. PRESERVATIVOS E ANTICONCEPCIONAIS

 

A cautela para evitar fatos semelhantes geralmente apontada pela imprensa e as autoridades governamentais é o uso de preservativos e anticoncepcionais. Esta recomendação supõe que a liberdade sexual seja válida e que apenas se deve tomar cuidado para evitar as suas seqüelas indesejadas. Ora a raiz do problema é outra; parece, porém, que falta coragem para enfrentá-la; apontam-se tão somente falsos paliativos. Isto é grave e daninho para a sociedade, a mais de um título:

 

1) Os preservativos, longe de proporcionar "sexo seguro", são falhos,... falhos a tal ponto que o Ministério da Saúde mandou substituir o tipo de "camisinhas" em uso no Brasil por outras tidas como mais eficientes. Ver PR 377/1993, p. 466: "os preservativos nacionais deixam passar esperma pelos microporos".

Quanto à pílula anticoncepcional, é um produto farmacêutico dado a um organismo que funciona bem, para que não funcione bem. Ora isto não pode deixar de ser nocivo para o organismo feminino. Enquanto a mulher carrega as conseqüências da pílula, do DIU e outros meios artificiais, o homem fica isento de qualquer seqüela nociva à sua saúde — o que redunda em discriminação e "machismo". Somente o método natural ou da continência periódica não ofende o organismo e exige do casal igual esforço e colaboração para limitar a natalidade; marido e mulher se unem e ajudam mutuamente para se abster de relacionamento "perigoso"; dentre os métodos de contenção natural, o mais indicado é o de Billings ou do muco cervical ou da clara de ovo, que vem apresentado em folhetos de divulgação pelas Edições Paulinas.

 

2) A falta de coragem para tocar na raiz do problema (os abusos sexuais) só contribui para prejudicar os adolescentes e os jovens. Os mais velhos lhes sugerem tácita ou explicitamente que não há mal no uso do sexo desde que despertem os impulsos naturais. Parece estar ultrapassa a linguagem que fala de disciplina e escala de valores; falta coragem para afirmar que muitas vezes o Não dito aos impulsos instintivos é sadio e benéfico. Dizer Sim a tudo o que a natureza pede cegamente, é atirar-se no precipício das paixões irracionais e degradantes.

 

A castidade ou a abstenção de relações sexuais antes do casamento, longe de prejudicar a saúde, só contribui para a beneficiar, como ensina João Mohana em seu livro "Vida Sexual dos Solteiros e Casados", do qual extrairemos alguns tópicos sob a rubrica seguinte:

 

 

3. A CASTIDADE - FATOR DE BOA SAÚDE

 

João Mohana dedica um dos capítulos de seu livro ao "Controle Sexual em Bases Fisiológicas". Escreve às pp. 35s da 23a. edição o seguinte:

 

"Sexologistas bem-intencionados do passado chegaram a pensar que o ato sexual fosse o mais poderoso estímulo para o desenvolvimento sexual dos rapazes.

 

Ora, em face das descobertas endocrinológicas dos nossos fisiologistas, a gente conclui que a abstenção da função genital não perturba a anatomia nem a fisiologia dos testículos. Não provoca, como nunca provocou, a atrofia testicular. Não provoca, porque o aparelho genital, tanto do homem como da mulher, está sob a dependência das glândulas endócrinas,especialmente da hipófise.[1] O aparelho genital, agora se sabe, nãoé independente, nem funciona sozinho. Por isso uma moça que não se casou, mesmo depois dos 30 anos poderá ser mãe, após tanto tempo de completa abstenção sexual. Aqueles ovários que sempre estiveram em virginal quietude, fornecerão na hora oportuna óvulos fecundáveis, perfeitos. Aquelas glândulas mamárias, dormindo há trinta anos, arquivadas todo esse tempo, elas que nunca produziram uma gota de leite, estarão a postos na hora exata, fabricando leite em abundância.

É que elas também têm hipófise.

O mesmo acontece com qualquer celibatário.

Se isso se dá com esses, dá-se, com muito mais razão, com os moços.

O que a moderna endocrinologia nos permite garantir, é que qualquer rapaz pode esperar para fazer sua vida sexual no casamento. Sem receio. Tranqüilamente. Porque a maturação anatômica e fisiológica se processa no homem como nos frutos. De dentro para fora. Por meio de forças internas. Você ainda se recorda dos efeitos da indolência, da exaltação, da extirpação da hipófise em adolescentes, em crianças e em adultos. Ainda se recorda das conseqüências da hiperatividade das supra-renais. Do efeito da involução e da permanência do timo. Etc, etc.

Em outras palavras: — pedir que um rapaz seja casto nãoé pedir um absurdo".

O autor prossegue, referindo-se à glândula de Leydig. Eis o que significa tal glândula dentro da fisiologia masculina:

"Esta é uma das muitas novidades descobertas pela moderna Fisiologia, ou antes, pela moderna Sexologia: Os testículos não são apenas duas glândulas externas, cada uma com a mesma função de fabricar espermatozóides e lançá-los no exterior. Os testículos são quatro glândulas: duas exócrinas e duas endócrinas. As exócrinas, formadas pelos tubos produtores de espermatozóides (tubos seminíferos + tubos do epidídimo + canal deferente) e as endócrinas, formadas pelas células de Leydig ou glândula intersticial, produtora do hormônio sexual masculino, isto é, aquele hormônio que faz com que uma pessoa tenha barba, fale grosso, manifeste virilidade corporal e mental, distribuição masculina de pelos, etc. Que faz com que uma pessoa se conduza como homem e não como mulher" (pp. 15s).

 

Após explicar o que seja a glândula de Leydig, Mohana pode escrever:

 

"Na castidade do rapaz, ou seja, no controle da vida sexual para o casamento, dá-se um fato que todos conhecem. A porção produtora de espermatozóides (os canais espermatogênicos do testículo) limita-se a produzir espermatozóides que o organismo se encarrega de eliminar. Toda aquela exaltação do rapaz de vida sexual irregular não existe no casto. Entretanto ambas as glândulas — a espermatogenia e a de Leydig — funcionam normalmente, como em qualquer rapaz que possua hipófise.

 

Um ilustre professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil mostrou a vantagem desse fato. Como médico, o Dr. Moreira da Fonseca, procurou esmiuçar o fundamento anatômico e fisiológico dele. Lembrou que a circulação testicular é única. Isto significa que os vasos sangüíneos que alimentam os testículos em sua função externa, exócrina (glândula espermatogênica), também alimentam as células de Leydig (função endócrina dos testículos, hormonal). Ora, das glândulas de Leydig vem a produção de testosterona, nosso hormônio virilizante. É a testosterona (por estímulo hipofisário) que vai provocando no adolescente o aparecimento das características de homem. É ela que dá também ao indivíduo fortaleza, energia, resistência não só corporal, nem só sexual, mas também cerebral. É ela que robustece o cérebro e, em conseqüência, a mente. É ela que fornece à alma um instrumento poderoso, competente para as exigências da missão de homem. Ela ainda nos arma contra as infecções, contra os traumas, mantendo nosso corpo apto para a atividade espontânea.

 

Ora, se as mesmas artérias alimentam simultaneamente ambas as glândulas (glândula endócrina e glândula exócrina), 'não encontrando motivo para atuar em benefício de uma função, destinam-se então de preferência à outra, que se aproveita delas quase exclusivamente'. Como 'a outra' função presta ao organismo todo esse conjunto de benefícios, podemos prever o contingente tonificante que recebe o rapaz durante os anos de uma juventude castamente vivida.

Se não captou em todas as dimensões a exposição, volte e releia, porque , se a compreendeu e tiver coragem de pô-la em prática, sua vida de casado terá mais uma indiscutível chance de ser vivida em intensidade.

 

Esse esforço da glândula de Leydig com repercussões tão benéficas para o corpo e para a mente do rapaz casto, é ainda aumentado por uma lei fisiológica — a lei da compensação funcional.

 

Quando um, dentre dois órgãos gêmeos de nosso corpo, cessa de agir ou diminui a atividade, o outro redobra a própria atividade. Por um gesto compensador, por verdadeiro mecanismo de desforra. Assim, quando um dos rins diminui a filtração de urina, o outro aumenta; quando um dos pulmões baqueia ou adoece, o outro resolve trabalhar mais. Quando uma das mamas capitula, a outra enfrenta a crise. Além do exemplo que nos dão, esses órgãos ajudaram a compreender melhor as vantagens da castidade.

 

Apreciando o funcionamento dos testículos dum rapaz que controla sua vida sexual, notamos que a glândula espermatogênica é mantida em regime de trabalho moderado, natural, em regime de atividade inferior à do rapaz devasso. Acontecerá então a lei da desforra. A glândula de Leydig vai trabalhar mais. Vai fabricar mais testosterona. E como a testosterona é a gasolina da virilidade, da distribuição de músculos masculinos, como é estímulo dos pelos axilares, faciais, pubianos, esternais, como é a "corda" dos órgãos copuladores, — concluímos que o rapaz casto, verdadeiramente casto e verdadeiramente homem, é um tipo portador de alto índice de sexualidade; sexualidade sadia, harmoniosa.

 

Ainda: como a testosterona garante a resistência física sob diversas modalidades (resistência ao trabalho, ao cansaço, às infecções, aos choques, etc), vê-se que o casto tem mais possibilidade de gozar saúde e de tirar melhor partido de tudo aquilo em que a saúde é condição indispensável (vida profissional, vida familiar, vida social).

Mais: como a testosterona levada pelo sangue até o sistema nervoso central, confere ao cérebro uma assombrosa tenacidade e aos nervos uma resistência invulgar, multiplicando a capacidade mental, o casto pode ser, indiscutivelmente, um sujeito intelectualmente mais vigoroso, psiquicamente mais tenaz.

 

Há experiências em Fisiologia Animal (chamadas experiências de Voronoff e Steinach) que comprovam, quantas vezes se queira, o mesmo fato.

— Resumo das afirmações anteriores numa única, como expressão da realidade em foco: A castidade é um método natural de aumentar saudável mente a taxa de testosterona no organismo. Como a testosterona viriliza e vitaliza, a castidade viriliza e vitaliza" (pp. 37-39).

 

 

4. AMOR HUMANO E SEXUALIDADE

 

O amor humano, que termina no matrimônio, tem seus graus de amadurecimento:

    o namoro, que é o tempo das primeiras abordagens; é a procura de mútuo conhecimento, sem compromisso;

    o noivado, em que já há um compromisso, mas compromisso solúvel;

    o casamento, compromisso definitivo ou vitalício. É doação plena e total, que há de ser duradoura para sempre; em caso contrário, não é total. Somente então há condições para a vida sexual. Esta é unitiva e fecunda. A prole que nasce do amor do homem e da mulher, requer um lar estável ou pai e mãe definidos — o que só se verifica se houve casamento entre os dois genitores.

 

Aliás, não há melhor demonstração de quanto é sábia a Moral Católica do que o doloroso flagelo da AIDS... Esta moléstia se propaga, freqüentemente, como conseqüência do libertinismo sexual. A natureza, quando violentada, replica; não é necessário que Deus intrevenha explicitamente para punir os abusos; a própria natureza protesta contra as transgressões da ordem que dela decorre. Ora parece que nem o flagelo da AIDS está sendo eficaz para conter as paixões dos jovens e adultos contemporâneos.

 

 

5. O REMÉDIO BÁSICO

 

O remédio básico para o triste quadro da sociedade atual é a proposta de uma escala de valores condizente com a dignidade humana. O homem tem seus impulsos vegetativos e sensitivos, mas também tem a sua vida intelectual, que depende da espiritualidade da alma humana. Esta presença da alma espiritual no homem dá um novo sentido e valor às funções que o ser humano tem em comum com os animais irracionais. A sexualidade humana está a serviço da realização de uma personalidade, que tem seu ideal. Nenhum ser humano foi feito para se contentar apenas com o prazer sensual e passageiro; tudo é pequeno demais para quem é capaz de viver uma vida inteligente. A inteligência humana se volta para o Infinito, e aspira a Ele, único bem capaz de satisfazer plenamente às tendências naturais do homem. Por isto o comer humano, o divertir-se do homem, a sexualidade do homem são elevados a um plano superior ou são encaminhados à consecução da verdadeira felicidade, que é a descoberta e o gozo do Bem Infinito, Deus.

Aliás, merece atenção a tese do psicólogo judeu Viktor Frankl, fundador da Logoterapia. Opõe-se a Sigmund Freud, que julgava ser o eros o impulso fundamental que leva o ser humano às suas mais diversas atividades; debaixo de qualquer destas estaria camuflado o eros. Viktor Frankl afirma que a necessidade básica do ser humano é a de saber o sentido da vida; é uma necessidade de ordem intelectual, e não sensual ou cega. Todo homem, segundo Frankl, precisa de saber por que vive, para que vive, para que luta, sofre e morre... Quem tem uma razão de ser, sustenta grandes embates com heroísmo e se habilita a vencer obstáculos. Esta afirmação é comprovada pela experiência dos campos de concentração: os prisioneiros eram "achatados" pelo rolo compressor; ocorria, porém, que um ou outro sonhasse com uma próxima libertação; contava esse sonho aos colegas, que lhe davam crédito fácil, pois aspiravam a tal meta. Em conseqüência, os encarcerados aturavam os maus tratos do campo com tenacidade e fortaleza de ânimo; quando, porém, se aproximava a data prevista e nada acontecia, caiam doentes e desfaleciam em número maior do que o previsível; faltava-lhes então a razão (o logos) para continuara lutare agüentar. Uma vez desanimados, deixavam-se ficar deitados nas pranchas do dormitório, sem ter a coragem de se levantar, embora fossem espancados e estivessem em ambiente sujo e anti-higiênico.

 

O relato e a tese de Viktor Frankl evidenciam o aspecto intelectual do ser humano; este vive e se engrandece em função da sua espiritualidade, subordinando os impulsos da sensibilidade ao ideal traçado pela personalidade respectiva.

Uma autêntica escala de valores, em que a inteligência ilumine os instintos, eis o que de mais sábio se pode dizer perante o problema do libertinismo sexual, não somente aos que têm fé, mas também aos que não têm fé (é claro que as pessoas de fé terão um enfoque ainda mais profundo das realidades sensuais do ser humano).

Dom Estêvão Bettencourt



[1] São ainda palavras de Mohana:

"Podemos conscientemente repetir a conclusão dos fisiologistas: 'A hipófise é a rainha da sexualidade'. A hipófise é o motor de nossa vida sexual. A hipófise é o general do instinto sexual. A verdadeira glândula sexual é a hipófise, não os testículos. Ê a hipófise que acende e alimenta o fogo do instinto sexual. Ê ela que constrói o fogo desse mesmo instinto. Ela que bota lenha (ou gás) na libido. Não os testículos. Os testículos abanam o fogo, se quisermos, ou graduam o tambor" (ob. cit. p. 31).


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