REVISTA PeR (3443)'
     ||  Início  ->  
Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 525 – março 2006

Fé ou crendice?

 

"ACENDO VELAS E JOGO ÁGUA BENTA"

 

A Redação de PR recebeu um e-mail portador de questionamento que merece uma resposta pública, vista a freqüência com que ocorrem casos semelhantes. Eis o problema:

"Sou católica, e gostaria de saber sobre acender velas em casa.

Um amigo me falou que, quando acendemos velas em casa, as almas do purgatório vêm em busca da luz. E não é bom acender em casa, só nas igrejas e em cemitérios.

Isto é possível?

Por favor estou precisando de esclarecimento, pois sempre acendi vela em casa. Faz 19 anos que acendo velas e também rezo por elas, jogo água benta para elas em casa. E, depois disto tudo, minha vida está uma droga: só desentendimentos com meu marido, parecemos estranhos, só brigamos. 25 anos de casamento, concluí que é possível a influência delas, pois não conhecemos quem são e como elas estão.

Aguardo ansiosa uma resposta".

QUE DIZER?

Proporemos nove ponderações:

1)  As velas são um sacramental, isto é, objetos sobre os quais a Igreja orou, pedindo a Deus que dê graças e bênçãos aos seus usuários.

2)  As velas, emitindo luz e calor, são um símbolo da fé (luz) e da caridade (calor) de quem as usa. Não têm valor mágico; não atraem nem afugentam espíritos bons ou maus que estejam pairando nos ares.

3)  As almas dos nossos falecidos que estejam num estado (não num local) chamado "purgatório", não procuram luz física nem costumam intervir na vida dos terrestres. Seu grande interesse é purificar-se das escórias do pecado para entrar na visão de Deus face-a-face. Somente por especial autorização divina podem manifestar-se neste mundo.

4)  O incenso também é um sacramental, que a Igreja benze para que seja penhor de graças e bênçãos em favor dos seus usuários.

5)  O incenso simboliza a oração dos fiéis, como atesta o SI 141, 2: "Suba minha prece como incenso em tua presença". Ver Ap 5, 8.

6)  A água benta é outro sacramental. Ao benzer a água, a Igreja pede os favores divinos para os respectivos usuários. Lembra o Batismo e deve provocar no cristão mais intenso desejo de vivenciar o Batismo, morrendo para o pecado e ressuscitando para uma vida nova.

7)  É válido usar esses sacramentais no próprio lar, que deve ser uma "igreja doméstica". Todavia não se esperem dessa prática efeitos supersticiosos ou mágicos. Os seus autênticos efeitos estão condiciona­dos à fé e ao amor de quem os usa.

8)  Se a vida de alguém não vai a contento, não se pense que está sendo prejudicada por um espírito mau ou "alma desencarnada". O de­mônio quer o pecado dos homens, e não os charutos e a farofa dos des­pachos afro-brasileiros. Os casos de desgraça na vida do indivíduo não devem ser tratados por aplicação de exorcismo sem meticuloso exame prévio da situação. O exorcismo precipitadamente aplicado dá a enten­der que realmente o demônio está atuando (quando não está) - o que contribui para mais sugestionar a pessoa aflita e mergulhá-la mais ainda em sua problemática. O que o padre e os fiéis católicos podem e devem fazer, no caso, é pedir a Deus alívio e cura para o(a) paciente; orem fervidamente, mas não façam exorcismo por conta própria.

9)  Se alguém crê que está sendo perseguido por algum espírito mau, quando isto não ocorre, pode-se prejudicar pela sugestão. Julgando-se vi­sado por forças misteriosas, o(a) paciente se sentirá combalido(a); perderá o ânimo e facilmente se deixará levar por algum acidente ou infortúnio.

 

Dom Estêvão Bettencourt


GoNet - PR
Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
4 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL -  FACEBOOK 
-

:-)