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Artigo

Diversos: Apologética - Sábado ou Domingo? - por Carlos Ramalhete

Sábado ou Domingo?

Algumas seitas, surgidas em tempos recentes, vêm pregando que o verdadeiro dia de descanso do cristão seria o sábado, e não o domingo.

Ora, isso é errado. Por que?

É errado porque seria seguir a Lei Antiga, a Lei dos judeus, preparatória para a Lei de Cristo, ao invés de seguir a Lei dos cristãos. A Lei dos judeus era uma preparação para a de Cristo; São Paulo a chamou de "pedagogo". Um pedagogo era o equivalente da época de um cursinho pré-vestibular: um professor que prepara para a pessoa poder entender e aceitar coisas mais avançadas que virão depois. Assim era a Lei dos judeus, uma mera sombra do que mais tarde veio em Cristo.

Os seguidores dessas seitas justificam a sua crença com as narrações dos Dez Mandamentos que encontramos no Antigo Testamento, em que lemos que Deus mandou santificar e guardar o Sétimo dia, além da narrativa do Gênesis (Gn 2,2), em que Deus santificou o dia de sábado. Além disso, acrescentam eles, Nosso Senhor Jesus Cristo guardou o sábado.

Ora, há alguns problemas sérios com estas idéias:

O primeiro deles é que eles estão confundindo uma lei cerimonial dos judeus, lei essa preparatória para a Lei de Cristo, com uma Lei Moral que deve ser sempre seguida. Guardar, como o fazem os judeus, o sábado é seguir uma lei judaica sem seguir as outras (sacrifícios de animais, proibições de certas comidas, impurezas rituais, etc).

Devemos sim guardar as leis morais do Antigo Testamento, que nos proíbem matar, roubar, cometer adultério, fornicação, incesto, etc. Mas não podemos nem devemos guardar as leis cerimoniais, que eram apenas preparação para o que veio em Cristo.

O sábado era apenas uma figura do domingo, uma sombra do que veio depois, assim como os sacrifícios de bichos no Templo dos judeus eram figura do Sacrifício de Cristo na Cruz e a proibição de certas comidas era figura da proibição do pecado aos cristãos.

É por isso que São Paulo diz aos Colossenses: "Ninguém, pois, vos condene pelo comer ou pelo beber, ou por causa dum dia de festa, ou duma lua nova, ou dum sábado, coisas que são sombra das vindouras" (Cl 2,16).

Os cristãos guardam o dia de Domingo (Domingo vem do latim Dominus, "Senhor"), o Dia do Senhor, e não o sábado dos judeus. Este dia é guardado porque foi nele que Cristo ressuscitou, nele que Cristo recriou o mundo após haver passado o sábado libertando os justos presos no Inferno (Mt 28,1; Mc 16,2; 16,9; Lc 24,1; Jo 20,1).

Cristo é o Senhor do Sábado, maior que o sábado e com poder de modificá-lo à vontade (Mc 2,28).

Foi também no domingo que o Senhor apareceu aos discípulos pela primeira vez (Jo 20,19) e no domingo seguinte, oito dias depois, a São Tomé (Jo 20,26).

Sempre foi no domingo, e não no sábado, que os discípulos se reuniram, como podemos ver em At 20,7 e 1Cor 16,2.

Foi igualmente no domingo que São João recebeu o livro do Apocalipse (Ap 1,10).

O sábado era usado não para a reunião dos cristãos, mas sim para ir procurar os judeus e evangelizá-los, levando-os a conhecer Nosso Senhor Jesus Cristo (At 13,14; At 13,42; At 13,44; At 17:2). Isto é mais ou menos como quando os cristãos vão a algum lugar onde haja uma reunião de alguma falsa religião para buscar converter os que foram enganados por falsos pastores.

Evidentemente os cristãos não deixavam de ir à Missa para participar de reuniões de oração dos judeus!, mas sim iam a estas reuniões para convertê-los e, no dia seguinte, à Missa.

Além disso, o testemunho histórico é claro: os cristãos sofreram inúmeras perseguições por parte dos imperadores pagãos de Roma por se recusarem a desistir do domingo, Dia do Senhor.

Muitíssimos são os testemunhos neste sentido também fora da Bíblia. Dentre eles podemos citar a Epístola de Barnabé, escrita antes do Livro do Apocalipse (esta Epístola foi escrita no ano 74 d.C., menos de 40 anos após a Ressurreição, enquanto o Apocalipse foi escrito dezesseis anos depois): "Guardamos o oitavo dia (domingo) com alegria, o dia em que Jesus levantou-se dos mortos" (Barnabé 15,6-8).

Este testemunho não é único: centenas de textos escritos por cristãos, como Barnabé, e não cristãos (como Plínio, governador de Bitínia, que no ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 96 escreveu a Trajano manifestando a sua surpresa com os cristãos, que se reuniam no domingo), mostram que, como escreveu Santo Inácio, Bispo de Antioquia, aos Magnésios em 107, disse: "Se aqueles que viveram segundo os velhos usos chegassem à novidade da esperança, não deveriam de modo algum guardar o sábado, mas sim o domingo, em que também nossa vida teve sua origem por Cristo e por Sua morte."

Assim, o melhor a fazer é evitar falsas doutrinas pregadas por falsos pastores (cf. 2Pd 2,1) e, a cada domingo, fazer-se presente, como já o fizeram os Apóstolos e todos os cristãos desde então, à Santa Missa.

Deixemos o sábado para trás, como Cristo deixou para trás o Seu Sepulcro, e guardemos o Dia do Senhor, o Dia de sua Ressurreição.

GoNet - PeR
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