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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 379 – dezembro 1993

Livros em Destaque

 

Homem-Mulher no Caminho da Vida, por Urbano Zilles. — Editora Santuário, Rua Pe. Claro Monteiro 342, 12570-000 Aparecida (SP), 175x125 mm, 141 pp.

 

Este livro deve-se a renomado professor de Teologia da PUC de Porto Alegre; resulta de conferências feitas a jovens. Considera a sexualidade humana na sua identidade transcendental; é elemento integrante de uma personalidade inteligente, que tem seu ideal e deve procurar harmonizar seus impulsos naturais com os ditames da razão: "O sentido da sexualidade humana não se esgota na união de dois corpos, mas no amor, que é a união de duas vidas, entrelaçadas e unidas no que a existência tem de mais profundo" (p. 23). Observa o autor que "entre os tipos de comércio mais rentáveis do mundo estão o dos armamentos, o dos tóxicos, o dos anticoncepcionais e o da pornografia com as mais diversas formas de exploração do sexo. Tenta-se banir toda noção de pecado, reduzindo todas as aberrações morais a meros casos clínicos de competência psiquiátrica... Em nome do amor defende-se um egoísmo disfarçado" (p. 19).

Em conseqüência, o Pe. Zilles é contrário às relações pré-matrimoniais: "O homem torna-se homem na medida em que domina seus instintos e suas paixões. Quem for incapaz disso, jamais se tornará capaz de verdadeiro amor, pois será incapaz de fidelidade à pessoa amada" (p. 31). Também é contrário à masturbação consciente e voluntária (p.26), ao aborto (pp. 33-46)...

Todavia esse livro, precioso em muitas de suas páginas, é prejudicado por falta de posições nitidamente fiéis à Igreja em outros pontos importantes. Assim, por exemplo, no tocante à limitação da natalidade, o autor reconhece a necessidade do planejamento familiar, pois não se devem gerar crianças sem que haja os meios de as educar com dignidade, mas de certo modo legitima, por sua própria iniciativa, o uso de anticoncepcionais, desde que os cônjuges os julguem oportunos para o seu caso próprio; isto fere a doutrina da Igreja repetidamente manifestada na encíclica Humanae Vitae, no Catecismo recém-publicado e na encíclica Veritatis Splendor; o recurso a anticoncepcionais fere a lei de Deus manifestada pela índole mesma — unitiva e fecunda — do amor humano. No que concerne às segundas núpcias após o divórcio, Zilles é tolerante, embora reconheça que a Igreja professa a indissolubilidade do matrimônio (pp. 58.7Is); o mesmo autor usa de linguagem imprópria, quando afirma que "a Igreja admite o divórcio em dois casos: privilégio paulino e privilégio petrino (p. 67); estes são dois casos em que não há matrimônio sacramental no sentido pleno da palavra. O celibato sacerdotal deveria ser optativo, segundo Zilles, o que mais uma vez não se coaduna com a secular Tradição da Igreja.

 

E.B.

 


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