TESTEMUNHOS (242)'
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Artigo

Antes de dar meu testemunho, preciso deixar claro que não estou desrespeitando os meus irmãos protestantes das várias denominações, mas estou falando o que aconteceu comigo, na minha vida, pois foi Deus agindo.

TESTEMUNHO de minha conversão ao catolicismo

Tenho 35 anos e meu nome é Francisco Guimarães. Sou cristão católico apostólico romano faz 12 anos, sou ex-protestante de uma família mista protestante, pois aceitei Jesus aos meus 12 anos de idade na Betel Brasileira de Manaíra – Joao Pessoa. Frequentei por vários anos junto a meus familiares e lá também tive momentos muitos bons no culto. Estudava em escola católica (Arquidiocesano PIO XII), mas nunca tive uma boa formação católica e, com o passar do tempo, notava as divergências e críticas aos irmãos católicos sobre a questão da idolatria, diziam que o Papa era o Anticristo e que também só os protestantes estavam salvos e que só eles eram cristãos e os católicos pagãos; era isso que o pastor falava da Igreja Católica e também não tinha um amor à Mãe de Jesus, sobre quem eu ignorava a sua importância no decorrer da história como serva fiel, e nem gostava de escutar tal nome.

Bom, certa vez, fiz um curso básico de filosofia onde aprendi uma prática muito importante para o entendimento da realidade. (Isso consiste no seguinte: AS IDÉIAS TÊM QUE TER UM VINCULO NA REALIDADE. E A REALIDADE É MAIS IMPORTANTE DO QUE AS IDÉIAS. E NÃO AO CONTRÁRIO.) Deveríamos sempre idealizar as coisas e descer para o mundo da realidade e ver se isso se aplica. Em seguida, deveríamos sair da realidade e voltar ao mundo das ideias em uma retórica e engrenagem circular. 

A partir dai, comecei a perceber que desde pequeno já aplicava isso na busca de entender problemas de saúde, morte, contribuição para a paz do próximo até o dia que acabei em aplicar essa prática em uma coisa que vivia diariamente que era a Bíblia. Como eu fazia parte da ideologia protestante em viver apenas da Bíblia e idealizar que a Bíblia era a própria palavra de Deus, tive a curiosidade de aplicar essa ideia à realidade para meu entendimento. E o resultado inevitável foi me conduzir para a Igreja Católica.

Então comecei a colocar a ideia que me introduziram sobre a Bíblia (Sola Scriptura) ser o único meio de fé e apliquei isso à realidade. Então questionei alguns pontos, como:

Ideia: Toda a fé e prática do cristão vêm somente da Bíblia. Logo pensei. Bom, se existe somente uma Bíblia, teríamos somente um corpo, uma só fé, um só espirito, um só batismo, um só Deus. E então, como São Paulo diz: Uma só fé. Assim, parecendo bem razoável observar que se todos derivam da Sola Scriptura, então TODOS deveriam ter a mesma fé pelo simples fato de que, quando invocamos o Espirito Santo, invocamos apenas um Espirito, não existem dois.

Realidade: Entrando no campo da realidade, isso não se aplica porque no movimento histórico evangélico protestante há um divórcio entre o que era alegado como principio único de fé, e o que era vivido em verdade diariamente. Ou seja, eu podia alegar que a Bíblia é a única fonte de fé e prática. Mas na realidade esse principio não se aplica devido à divisão doutrinária. Então eu percebi que esse divórcio entre o que era alegado e vivido. Logo comecei a observar que podemos dizer que a fé vem somente da Bíblia, mas não se pode viver isso dentro da realidade. Exemplos:  Tem gente que batiza crianças, tem gente que não batiza; Tem gente que acredita na salvação de um certo modo, tem gente que acredita de outro modo; Tem gente que acredita que Jesus é Deus, tem gente que não acredita; Tem gente que não acredita que devemos guardar o sábado, tem gente que não acredita. Ou seja, são inumeráveis divergências. Então, se por um lado você afirma isso, pelo outro você não tem como viver isso. E se você não tem como viver isso, o princípio não é verdadeiro. Por fim, para haver essa unidade na fé, não basta somente a Bíblia e precisamos mais que isso. Até porque não há registros na própria Bíblia que ela seja isso. Mas, sim, a Igreja.

Logo após isso, eu abandonei e acabei deixando de ser evangélico protestante, mas também não me tornei católico. Porque uma coisa é você ser evangélico e acreditar somente na Bíblia, e outra coisa é você acreditar na Igreja Católica. Assim, eu comecei a voltar às épocas de OURO da igreja, e me deparei com a patrística. E o que tem na patrística? Lá está a essência da realidade vivida na igreja primitiva sem nenhuma ideologia, sem nenhum viés intelectual pregado pelo livre exame tão condenado pela própria escritura.  E lá entendi que Jesus Cristo quer uma união mística comigo, viver na realidade junto com ele, 24h por dia, pois ele é o verbo encarnado e verdadeira palavra divina. O Próprio Deus entra na realidade e por isso acabei retornando à fé católica. Mas, não no sentido de Igreja católica de placa ideológica. Mas, na Igreja católica no sentido universal das igrejas primitivas que se compõem e se estruturam nessa plenitude ortodoxa plena ao Senhor em 2 mil anos.

Outro ponto que me fez perceber e amar Jesus Cristo dentro da realidade e parar de denegrir a Igreja criada e amada pelo próprio Deus vivo, e seus amados apóstolos, é o fato de que não importa o quão ruim é o ser humano que atua dentro da igreja. Esse será julgado pela pessoa de Jesus Cristo e será considerado um Judas pelo próprio Deus. Portanto, não me importa julgar reis ou até Padres, Bispos e o clero em si. Porque esses já terão seu julgamento de forma individual, diante do Senhor. E eu mal percebia o crime e heresia que fazia em condenar a Igreja de Cristo como “Obra de Satanás” sem ser! Pois a Igreja é Santa e é obra do Senhor, independente dos males feitos pelos homens dentro ou fora dela, no decorrer a história.

Aprendi que Lutero, ainda que cheio de boas intenções, não praticou nenhuma reforma na igreja. Seu exemplo repercutiu em uma revolta e revolução cismática de viés ideológico que se perpetua até hoje. Muito diferente do que o reformador São Francisco de Assis fizera dentro da Igreja.

Dentro da realidade é impossível não adorar a Jesus Cristo na carne e espírito. Voltando-me ao principio cristão de viver junto ao verbo divino, a pessoa de Jesus Cristo, deixando de ignorar a humanidade de Cristo e vivendo como os apóstolos que o viram ressurreto em carne e osso, glorioso! Como não adorar a humanidade de Cristo dentro da Igreja? Jesus Cristo é a cabeça da Igreja, corpo de Cristo; os Santos são a extensão da humanidade de Cristo em seus membros; os Sacramentos são instrumentos da humanidade de Cristo. Por que veneramos Maria? Porque como serva fiel ela gerou a humanidade de Cristo e é a primeira cristã a acreditar. Por que amamos a Igreja? Porque ela é a extinção da reencarnação da humanidade de Cristo na história. Entre vários outros pontos, ficou impossível que eu negasse tudo o que nos liga a humanidade e extensão de Cristo em minha vida, dentro do campo da realidade, aniquilando todo o campo mutável e de metamorfoses das ideias de um intelectual que cria e inventa técnicas e práticas fora do contexto real da verdadeira palavra divina, a pessoa de Jesus Cristo. E todo o testamento deixado por homens santos, que morreram na carne, mas nunca deixaram o campo da realidade por escoar diariamente seus dizeres na expressão da palavra contida na Bíblia.

Havia aprendido que a Bíblia no campo das ideias, era a palavra de Deus e único meio de fé. Mas dentro da realidade boa parte do que compõe o novo testamento é expressão das missas e pregações, que tiveram como base resolver problemas das igrejas primitivas e que pela prefiguração do Velho testamento ao Novo testamento se transfigurava a própria ação divina.

Aprendi também que a Bíblia nunca deixou de ser escrita. Porque ela é um testamento deixado por seus Santos homens mortais na carne. Esses santos se esvaziam de si mesmos, e deixam sua carne para ação divina se perpetuar no decorrer da história, tornando-se expressão na própria canonização de homens e mulheres, onde Deus habita, sendo testemunhas por imagens que são significantes e que dão sentido ao significado da ação divina em suas vidas. 

Portanto, dentro da realidade eu pude identificar a verdadeira união entre fé e obra na humanidade e extensão da humanidade de Cristo. Até mesmo o entendimento do princípio da contraposição entre fé e obra. A fé salva. Mas, o que salva é a obra meritória de uma humanidade, que é a de Cristo. E é porque estamos unidos a essa humanidade que nós podemos alcançar a salvação, por graça. E por que eu não aceitava a tradição? Porque não aceitava que a Igreja fosse a extensão da reencarnação de Cristo, a palavra de Deus viva, visível e vivida, um colosso de 2 mil anos. Assim, a salvação não vem de um livro, mas de uma pessoa. O Sagrado Livro continua sendo escrito na história pelos séculos, sendo expressão dessa extensão e ação divina que se perpetua em seus santos, sendo criação dessa Igreja ortodoxa.

A chave da Salvação e fé está na humanidade de Cristo, o verbo encarnado. E essa atua sem medo dentro da Igreja primitiva que abrange todas as igrejas universais católicas. Percebi que a humanidade e a divindade de Cristo estão unidas, mas não confundidas. Distintas, mas não separadas. Assim, adoramos a imagem de Deus na terra e, consequentemente, toda imagem da ação divina em seus santos porque eles são meros espelhos presentes na realidade, dando sentido e vida à ação salvífica de Jesus Cristo. Como se diz, devemos nos esvaziar e deixar Deus agir.

Quem tiver paciência de ler, entenda. Não se pode ter preconceito de uma coisa que você vivia. Portanto, considero tudo ação divina de Nosso Senhor em minha vida. Fui transformado, Ele age em mim, me converto diariamente ao Senhor e me alimento de todo o conteúdo interligado e ininterrupto dentro do cristianismo.

 

Deus abençoe a todos. Ele é, e basta!

 

Francisco Guimaraes Neto,

Orlando, Florida USA.


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