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Artigo


Respeitar o “islã verdadeiro” é a solução

Carlos Ramalhete17/07/2016

Muito se fala sobre a diferença entre o "islã verdadeiro" e o terrorismo. É fato que só entendendo a religião islâmica poderemos vencê-los.

O horrendo atentado de 14 de julho mostra, mais uma vez, que a diferença fundamental entre a civilização ocidental e seu velho inimigo, o Islã, está no valor da vida humana.

Para o Ocidente, cada vida humana é – ou deveria ser – preciosa, criada à imagem e semelhança de Deus, conatural do Verbo Encarnado, dotada de direitos inalienáveis desde o princípio de sua existência. Para o Islã, a vida humana não é nada quando comparada com a grandeza absoluta de Alá. Assim, ao jogar fora a própria vida matando o maior número possível de “infiéis” o jihadista estaria somando a essa grandeza, não a negando, como para nós pareceria ser o caso.

O que percebemos como um atentado contra Deus e contra tudo o que há de mais sagrado é para o terrorista um ato de verdadeira adoração e sacrifício. Moer uma multidão com um caminhão, para ele, é como para nós dar comida a quem tem fome, água a quem tem sede e vestir quem está nu. Só que melhor ainda.

Essa visão do assassinato como algo justificante, mais que justificado, teve seu caminho interrompido pelo judaísmo sacrificial, em primeiro lugar, que proibiu o sacrifício humano (comum até então em toda parte) e sempre colocou o sacrifício animal como secundário diante do respeito ao próximo. O Antigo Testamento tem instruções para sacrifícios rituais, mas também tem inúmeras admoestações para não fazer deles, sim da justiça e da caridade, o foco principal da união com o divino.

No Novo Testamento cristão este caminho foi completado perfeitamente, com o homem-Deus fazendo-Se vítima e sacerdote: o próprio Deus entregou-Se em sacrifício de uma vez por todas, e todo sacrifício depois disso passou a ser não apenas inútil, como blasfemo. Que valor teria matar um bode ou galinha preta diante da morte do próprio Deus?!


Já o Islã é um retorno ao paganismo mais cru, ainda que disfarçado de monoteísmo. Surgido de uma mistura de cristianismo nestoriano mal apreendido com elementos de judaísmo tribal e animismo das tribos do deserto, temperado em sua “revelação” pelos interesses imediatos do ladrão de estrada que o fundou, ele desfaz pela raiz a lenta evolução da revelação divina que formou o Ocidente. Em primeiro lugar, ele separa totalmente o Criador da Criação; enquanto para o cristão ou judeu percebe-se na Criação a mão de Quem a criou, para o muçulmano tudo é a vontade arbitrária de Alá.

O ocidental vê a água que toma cor e cheiro das sementes torradas e moídas do café e agradece a Deus por ter criado o café com tais propriedades; o islâmico agradece a Alá por ter feito com que aquele cheiro e gosto saísse naquele momento daquela mistura, pois seria igualmente aceitável e mesmo em tese previsível, para ele, que a mistura de pó de café e água se tornasse em pedra, por exemplo. Para ele não existe milagre, pois não existem regras dadas por Deus: tudo ocorre por ação direta de Alá, e tudo é milagre.

Em segundo lugar, o Islã – completando a brutal separação da Criação, inclusive dos homens, do Criador – nega qualquer valor intrínseco à vida humana. Abre-se assim novamente a porta para o sacrifício humano, que a natureza humana decaída sempre parece achar uma possibilidade interessante, mas que a cultura ocidental conseguiu praticamente eliminar, ao menos em suas formas mais evidentes.

Para o ocidental, a vida humana está acima de qualquer outra coisa: da bandeira, do altar, da casa. Em caso de incêndio, por exemplo, é evidente que é melhor que se percam as malas cheias de dinheiro para que seja salvo o bebê ou o velhinho. Isso não acontece em culturas pagãs; no confucionismo, por exemplo, o coletivo vale sempre mais que o indivíduo, inclusive quando se tem que escolher entre o bem-estar da maioria e a vida de uma minoria. No zen-budismo o apego a qualquer criatura, inclusive à própria vida, é o único pecado.

No Islã, o que está acima da vida humana é o mesmo que está acima de tudo: Alá. Os “infiéis” são “inimigos de Alá”, e por isso podem e devem ser chacinados. Morrer fazendo-o é um bônus a mais, por assegurar a perfeita e instantânea salvação.

É por isso que faz pleno sentido para a mentalidade islâmica que os terroristas tenham frequentemente cometido “pecados” contra as leis de sua religião nos dias anteriores ao atentado, ou mesmo que jamais tenham tido uma mudança de vida após aceitarem intelectualmente o Islã.

Não há, no Islã, um batismo ou confissão que pudesse fazer a pessoa ter uma segunda chance, e ao morrer seriam pesados os seus atos “bons” e “maus”, e seu destino eterno dependeria de quais preponderassem. Assim, um homossexual praticante, como o terrorista de Orlando, percebe num atentado do qual não vá sair vivo sua melhor chance: ele estaria “ajudando”, à sua macabra maneira, as suas vítimas ao impedir que elas continuassem a pecar, e seu “martírio” o faria ter a salvação garantida, coisa que não ocorreria se ele simplesmente mudasse de vida e abandonasse o “pecado”. Coisa que, evidentemente, não é fácil nem instantânea para ninguém.

O mesmo vale para bandidinhos de rua, como os atacantes do Bataclan, e para qualquer muçulmano não-praticante que tenha em um dado momento “aceitado Alá”, por assim dizer: o “martírio” é a maneira mais garantida de evitar que seus muitos “pecados” passados preponderem sobre seus atos “virtuosos” depois de uma conversão. Cada fatia de presunto e cada copo de cerveja tem que ser contrabalançado para que ele escape da punição eterna, e o jeito mais fácil de fazê-lo é pelo “martírio” num atentado.

Notem que não se trata de aceitar a morte como um mal colateral indesejado advindo de algo bom, mas de buscá-la como um bem, como o coringa que o leva para o Céu sem ter que contrabalançar aquilo tudo com anos de vida regrada.

Ora, o que é isso, se não um sacrifício humano? É a perversão e a negação do Sacrifício fundador do Ocidente, o do Cristo. Cada terrorista se percebe como seu próprio Cristo, com sua morte pelas mãos da polícia ou da própria bomba sua chave pessoal para abrir-se as portas do Céu.

Assim, o que temos pela frente é muito diferente dos inimigos que partilhem valores ocidentais básicos. É uma situação que já foi encontrada séculos atrás, com o mesmo Islã e com o zen-budismo, e reencontrada no século passado na Indochina com o confucionismo: um inimigo que não dá valor à vida, mas percebeu que o Ocidente dá.

Para um jihadista morrer é lucro, e ser preso não é tão mal assim: afinal, na cadeia ele tem bem menos chance de beber cerveja, por exemplo. O maior medo dele é a própria liberdade e sua incapacidade de lidar com ela, que o faz cometer tantos “pecados” que depois fica quase impossível contrabalançá-los com atos. A prisão é para ele, assim, libertadora, ainda que muito menos desejável que a morte.


Reza a lenda que os americanos teriam conseguido diminuir tremendamente os atentados dos guerrilheiros muçulmanos nas Filipinas com um expediente simples: mergulharam, à vista dos guerrilheiros presos, a munição com que iriam fuzilá-los em sangue de porco e enrolaram os cadáveres em tripas de porco antes de enterrá-los, deixando um vivo e solto para ir contar a história aos correligionários. Faz sentido: a extrema impureza ritual do porco, para o muçulmano, faria com que sua salvação, mesmo como “mártir”, passasse a ser duvidosa.

O que não funciona nem pode funcionar é tentar assustá-los com guardas armados, que só aumentam a chance deles serem “martirizados”, que é justamente o que estão procurando ao atacar, ou ameaçar prendê-los.

O respeito verdadeiro à religião do próximo não é ir à TV mentir, com lágrimas de crocodilo nos olhos, fazendo-se de especialista em Islã e dizendo que “o verdadeiro Islã” não é isso, porque “o Islã é a religião da paz”. Respeita-se-a quando levamos a sério aquilo em que acreditam seus seguidores. E eles não acreditam que a vida humana tenha valor, e do mesmo modo consideram a liberdade humana um mal. Assim, ameaçá-los com perda de vida ou liberdade simplesmente não faz sentido. É desrespeitar a religião deles, na verdade, fazer isto.

Eles são muitos, contudo, e os explosivos que usam muitas vezes os picam demais para que se possa sempre usar as técnicas dos americanos na Filipinas, mas já seria um começo se, por exemplo, passasse a ser praxe que em caso de atentados em qualquer país ocidental os restos dos terroristas fossem enterrados dentro de potes plásticos, mergulhados em sangue de porco.

Seria também interessante se as potências ocidentais tivessem a coragem de dar um ultimato, que poderia perfeitamente ser em etapas, não só aos jihadistas como aos supostos “bons muçulmanos” e adeptos da “religião da paz” que, contudo, dão guarida aos jihadistas: no próximo atentado, mais de cem porcos de trezentos quilos ou mais serão jogados de aviões-bombardeiros sobre Medina, cobrindo a cidade inteira com sangue e pedacinhos de porco. Se não tomarem jeito, o mesmo será feito sobre Meca, mirando bem na Caaba. Tudo, claro, avisado com uma semana de antecedência para que todos os habitantes possam sair a tempo e ninguém se machuque.

Acho extremamente improvável que o jihadismo continuasse a agir da forma atual se isso fosse feito, mas sempre haveria a possibilidade de recrudescer ainda mais e ameaçar, na mesma ordem e com o mesmo aviso prévio, detonar nas cidades “santas” explosivos nucleares concebidos para destruição média e radioatividade máxima, fazendo com que pelos próximos dez mil anos qualquer um que cumpra o mandamento religioso muçulmano de ir a Meca se torne uma pessoa literalmente brilhante.

Temos que respeitar a religião deles, afinal de contas.

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Gravei em vídeo uma aula sobre a história do Islã como problema geopolítico. São duas partes, das quais a primeira está no artigo.

Carlos Ramalhete


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