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Artigo

Tráfico de seres humanos

 

Sergio Sebold

Economista e professor independente

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Segundo as convenções internacionais o tráfico de pessoas se define pelo “recrutamento, transporte, transferência, abrigo ou recebimento de pessoas, por meio de ameaça ou uso da força ou outras formas de coerção, de rapto, de fraude, de engano, do abuso de poder, ou de uma posição de vulnerabilidade, ou de dar ou receber pagamentos ou benefícios para obter o consentimento, para uma pessoa ter controle sobre outra pessoa, para o propósito de exploração”.

 

O tráfico humano é a terceira mais rentável atividade do crime organizado depois das armas e das drogas. Embora venha de tempos remotos da história e moralmente admitido, o processo de hoje é o mesmo apenas com novos requintes de crueldade. Nos tempos modernos, o que mais manchou a história da atual civilização cristã foi o tráfico de negros para a América. Era fácil identificar um escravo pela cor da pele. Nenhum deles veio da África por livre iniciativa. Hoje o tráfico é mais sutil, e é espalhado pelos diversos países pela força da globalização, formando uma rede invisível de difícil detecção.

 

O tráfico humano nem sempre é para fins de escravidão na forma do passado. São pessoas que não tendo mais como sobrevier no país de origem, buscam então através de intermediários, de maneira ilegal, chegar a outro país que os acolhe.

 

O atrativo pela emigração, inato no ser humano, é buscar novas oportunidades e experiência de vida. Neste momento surgem os traficantes, para prostituição quando mulheres, o chamado comércio de escravas brancas ou de seres humanos e de vidas. É o fim da dignidade humana. Infelizmente muitos o suportam, tal é o desespero diante da falta de oportunidade de trabalho e pior, pela fome. Sendo pessoas vulneráveis, são facilmente aprisionadas e comercializadas, criando-se um “mercado” de seres humanos.

 

A atividade desta “indústria” gera um mercado aproximado de 32 bilhões de dólares, sendo computado no mundo inteiro, até onde as estatísticas os contabilizou, em aproximadamente 21 milhões de seres humanos negociados por ano. Mais da metade são mulheres ou meninas adolescentes. Os 45% restante de homens, o são para trabalhos escravos, tráfico de drogas e mesmo para milícias de facções políticas em países em guerra civil.

 

Pela carruagem da história, os africanos são os que têm a mais triste história de tráfego para fins escravagistas. Nesta sina do destino, com revoltas armadas infindáveis da colcha política da África, há perda de homens nas sociedades tribais, onde as crianças se tornam vulneráveis e são facilmente capturadas. Nestas condições muitas delas são sacrificadas monstruosamente pelo roubo de seus órgãos, para atendimento do mercado de países desenvolvidos. Para estes fins não há preconceito racial.

 

No desespero da fome e da miséria, os traficantes levam a bandeira de ofertas ilusórias e atraentes de emprego dos países mais desenvolvidos, para serem explorados monetária e fisicamente. É evidente que as mulheres – aquelas que tenham ainda algum atrativo - e meninas traficadas são obrigadas a se prostituírem, espancadas, estupradas, passam fome e são torturadas pelos seus “donos” ou gigolôs.

As mulheres nestas condições de vida levam o farto do martírio de doenças DST e do HIV, lhes tirando toda a vontade de viver; muitas procuram a saída pelo suicídio. Mas que sejam bem-sucedidas, porque o inferno será pior do que antes pelos algozes do destino.

 

Tirando as barcaças apinhadas de refugiados das guerras e da fome do oriente médio e da África, geralmente conduzidas por aliciadores que aportam nas belas praias mediterrâneas da Europa, o tráfico formiguinha é intenso em todo mundo, onde é mais visível nos aeroportos e rodoviárias. Neste contexto são transportadas para qualquer país deste mundo. A maioria sem saber o propósito de sua viagem apenas alimenta a ilusão de um paraíso nos países desenvolvidos, alardeados pelos traficantes. Muitas vezes estas pessoas possuem tatuagens, semblante de angústia e estão assustadas. Quando questionadas (a PF já tem um receituário), suas respostas são evasivas, ou ensaiadas, observa-se que as vítimas não possuem liberdade de falar com estranhos, são reservadas por orientação. As condições visuais (roupas, bonés, adereços) podem ser indicativas de pessoa traficada. Muitas escondem até alguns sinais de agressão usando roupas inapropriadas para o momento.

Pergunta-se: onde estão as feministas furiosas de apartamento e de academia?

(01/12/17)

 


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