SACRAMENTOS (466)'
     ||  Início  ->  
Artigo

CONFISSÃO E PENITÊNCIA

 

Um dos efeitos da Justiça vinda do sacrifício de Cristo é validar de modo PERFEITO o arrependimento necessário ao perdão. Ora, quem se esforça para corrigir os pecados de sua fraqueza, não deve de modo algum ocultá-los, mas assumi-los e suporta-los sobre os seus ombros, tomando-os por cruz, unida à Cruz Maior que é de Cristo: – “ Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. (S. Lucas 9. 23) ”

 

Diz a Escritura:

 

“ Quem dissimula suas faltas, não há de prosperar; quem as CONFESSA e as DETESTA, obtém misericórdia. (Provérbios 28, 13) ”

 

Ensinou São Cipriano de Cartago:

 

“ Numerosas são as dádivas da misericórdia Divina, a fim de preservar o homem já remido (pelo sacrifício do calvário). Na generosidade e opulência que sempre operam para nossa salvação, o Pai mandou o Filho, que quis ser enviado para curar-nos e CONSERVAR-NOS vivificados. (S. Cipriano de Cartago. Ano 259, in Patrística – vol. 35. Livro I, p. 153)"

 

Uma vez unidos no sacrifício vicário, somos REMIDOS e CONSERVADOS na remissão dos pecados.

 

A purificação penitencial tem propósito de preservar ou restituir o indivíduo ao estado de Beatitude que lhe adveio pela Comunhão com Cristo, no Batismo:

 

“ Mas quem dentre nós pode pretender santificar Aquele que já é o próprio Santificador? Santificamos Deus em nossas vidas, rogando que Ele nos mantenha naquilo que começamos a ser no Batismo, rezando pela santificação permanente em nós, pois é necessária uma purificação contínua do pecado no qual incidimos. ” (S. Cipriano de Cartago. Ano 259, in Patrística – vol. 35. Livro I, p. 111)

 

A Igreja ensina que a Confissão Penitencial é desdobramento necessário de outro sacramento que é o Batismo.[1] Batizar é o primeiro passo para o perdão, pois através dele somos ligados ao sacrifício de Cristo,[2] o que nos torna aptos para sermos perdoados por nossos pecados, nos quais ainda estamos sujeitos.

 

Daí a importância da confissão, conforme as Escrituras:

 

" Então eu vos CONFESSEI o meu PECADO, e NÃO mais DISSIMULEI a minha culpa. E vós perdoastes a pena do meu pecado. “ (Salmos 31, 5)

 

" NÃO TE ENVERGONHES de CONFESSAR os teus pecados. ” (Eclesiástico 4, 31)"

 

O confesso há de ter a plena convicção de que Deus perdoará absolutamente todos os seus delitos, exceto a blasfêmia[3] que é a rejeição consciente do perdão de Deus.

 

Como ensinou Santo Ambrósio de Milão:

 

“ 11. Deus é mais indulgente no perdão, que implacável no castigo. 22. Não é, pois, evidente que o Senhor Jesus se indigna conosco quando pecamos, para chamar-nos à conversão pelo terror da sua indignação? Portanto, a sua indignação não é a administração de um castigo, mas sobretudo uma obra de perdão. (Santo Ambrósio, In Patrística Coleções. Da Penitência, p. 61 e 63. Par. 11 e 22, anos 337 a 339) ”

 

E ainda o Profeta:

 

“ Quero mais misericórdia do que sacrifício; e o conhecimento de Deus mais que os holocaustos. (Oséias 6.6) ”

 

Entretanto, é certo que todo defeito colide com uma perfeição, e por ela é aniquilado.

 

Tem-se PERFEITO aquilo que nada lhe falte para alcançar o fim que lhe é colimado.

 

Do contrário, o defeito é a incompletude que impede o mover do ser a realizar o designo para o qual fora apontado.

 

No âmbito teológico, o pecado é defeito, posto que impede o ser humano de cumprir o seu destino de se unir a Deus.

 

Já a perfeição está nas virtudes que permitem essa Comunhão entre o Divino e o natural, o Criador e a criatura.

 

Por isso, todo defeito que colide com a perfeição é por ela encerrado, como aniquilado será todo pecado que se opõe aos atos de amor virtuosos.

 

O arrependimento que nos redime há de ser PERFEITO.

 

Nele nada pode faltar, sob pena de não atingir o efeito útil que é um Perdão não divorciado da Justiça. E para sua perfeição, não se pode dispensar a CONTRIÇÃO, CONFISSÃO e PENITÊNCIA.

 

Tem-se a contrição, como a profunda dor na alma que nos faz detestar o ato pecaminoso cometido, o qual agrediu aquele que mais nos ama, quando aproveitamos nossa vida para buscar a morte, desprezando o sofrimento do que morreu para nos dar a vida. – “ Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (São João 3.16) ”

 

“ Se te CONVERTERES, e CHORARES, então estarás salvo. ” (Isaías 30.15)

 

Consiste num impulso da Graça que nos outorga a disposição em não repetir o pecado no futuro.

 

A dor causada pela detestação do pecado cometido não pode ser guardada, pois há de ser expulsa de nosso âmago por intermédio da Igreja.

 

"Até quando aninharei a angústia na minha alma, e, dia após dia, a tristeza no coração? (Salmos 12, 3)"

 

"Chora de tristeza a minha alma; reconfortai-me segundo vossa promessa. (Salmos 118, 28)"

 

Surge assim, a necessária confissão ao sacerdote, que é o ato exterior da contrição no qual provamos a Deus que estamos dispostos a nos humilharmos para que após, Ele nos exalte:

 

“ quem se exalta será humilhado, e que se humilha será exaltado. (São Lucas 18.14) ”

 

Todo pecado é cometido contra o sacrifício que Cristo fez por seu Corpo Humano, razão porque, pelo Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja,[4] haverá de ser delido.

 

O pecado tem como causa a soberba, na supremacia das nossas vontades depravadas e perversas sobre a vontade justa e reta de Deus, o que sói ocorrer por conta do orgulho que nos impede de enfrentar e assumir nossos erros, preferindo a inventada “confissão íntima e direta com Deus” na comodidade da consciência acovardada, sem bravura de assumir os pecados cometidos, o que incentivará a pecar novamente, pois o erro perpetrado às escondidas se repete.

 

Ora, nos colocarmos diante de um outro pecador como nós, no caso, um padre, para a confissão auricular dos nossos pecados, tem por almejo eliminar a soberba que perfaz a matriz de todo pecado nascido.[5]

 

Assim, o antídoto contra a soberba é a humildade:

 

" Aos humildes salvais; os semblantes soberbos humilhais. (II Samuel 22, 28) "

 

" A soberba precede à ruína; e o orgulho, à queda. (Provérbios 16, 18) "

 

" Humilha profundamente o teu espírito, pois o fogo e o verme são o castigo da carne do ímpio. (Eclesiástico 7, 19)"

 

Confessar significa nos colarmos à disposição do juízo de Deus, atestando nosso estado de miserabilidade para que o piedoso juiz possa nos agraciar com seus méritos, nos dando suas virtudes necessárias à absolvição.

 

Não há como confessar e declarar os pecados, sem ter quem nos ouça com Autoridade dada por Deus para nos confortar, confirmando o perdão de Deus:

 

“ Oh! Quanto melhor é admoestar que irritar-se, e não impedir de falar aquele que quer confessar a sua falta! (Eclesiástico 20, 1)"

 

A chamada “confissão direta com Deus” é invenção protestante, justo porque, pela soberba e ausência de fé na Igreja, negam-se as palavras do Nosso Senhor e o Poder das Chaves que Ele delegou ao seu Corpo Místico Apostólico:

 

“ Àqueles A QUEM PERDOARDES os pecados, SER-LHES-ÃO PERDOADOS; àqueles a quem os retiverdes, ser-lhes-ão retidos. (São João 20, 23) ”

 

“ Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que LIGARES na TERRA será LIGADO nos CÉUS, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus. (São Mateus 16, 19)"

 

Não por outra razão, os santos Apóstolos realizavam a Confissão Penitencial:

 

“ Muitos dos que haviam acreditado vinham CONFESSAR e DECLARAR as suas obras. (Atos dos Apóstolos 19, 18) "

 

Tal como os fariseus que negaram a Cristo o Poder de Perdoar os pecados, porque o viam agindo na dispensação do perdão através de sua Humanidade presente entre eles, muitos hoje repetem o arcaico chavão farisaico de que só Deus perdoa:

 

“ Quem é este homem que blasfema contra Deus desta maneira? Ninguém pode perdoar pecados; só Deus tem esse poder. Quem é ESTE HOMEM que blasfema contra Deus desta maneira? NINGUÉM PODE PERDOAR PECADOS; SÓ DEUS TEM ESSE PODER. (São Lucas 5. 21)

 

Mas a questão é outra.

 

É COMO, de que FORMA Deus age para ministrar o seu perdão.

 

Pela Encarnação do Verbo, Deus agora atua através de uma Humanidade na qual o Filho toma e sacrifica para nos salvar.

 

A Divindade outorga a humanidade o Poder de perdoar os pecados.

 

Por isso, ao responder aos escribas e doutores da Lei, Cristo quando perdoava os pecadores, o fazia se proclamando FILHO DO HOMEM:

 

“Ora, para que saibais que O FILHO DO HOMEM tem NA TERRA poder de perdoar pecados (disse ele ao paralítico), eu te ordeno: levanta-te, toma o teu leito e vai para tua casa. No mesmo instante, levantou-se ele à vista deles, tomou o leito e partiu para casa, glorificando a Deus. (São Lucas 5. 25) ”

 

Quando disse do “FILHO DO HOMEM NA TERRA” não está falando apenas de sua Natureza Humana, mas daqueles que ficariam no mundo após sua ascensão para o Céu, como líderes temporais de sua Igreja e de seu Ministério Divino:

 

“ Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que EU ESTOU CONVOSCO TODOS OS DIAS, até a consumação dos séculos. (São Mateus 28. 20) ”

 

Essa Humanidade que EM CRISTO foi dado o Poder de perdoar os pecados, está agora presente na Igreja, que é o Corpo Sobrenatural de Cristo, representada pelos sucessores dos Apóstolos:

 

“ E quando já era dia, chamou a si os seus discípulos e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de Apóstolos: Simão, ao qual também chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Felipe e Bartolomeu; e Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelotes; e Judas de Tiago; e Judas Iscariotes, que foi o traidor” (São Lucas 6. 13-16) ”– “E convocando os seus doze discípulos, DEU-LHES AUTORIDADE e PODER.  (São Lucas 9,1)”

 

“ E disse-lhes outra vez: ‘A paz esteja convosco. Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio’. Dito isto, soprou sobre eles e lhes disse: ‘Recebei o Espírito Santo. Aqueles a QUEM PERDOARDES OS PECADOS, estes lhes serão perdoados; aqueles a quem os retiverdes, estes lhes serão retidos” (São João 20. 21 -23) ”– “Conforme iam passando pelas cidades, iam também entregando, para que observassem, as decisões tomadas pelos Apóstolos e presbíteros em Jerusalém” (Atos 16,4).
E assim, aconteceu a SUCESSÃO dos apóstolos, até nossos dias:
" Designavam presbíteros em cada igreja, e após fazerem orações e jejuns, os encomendavam ao Senhor no qual haviam crido. (Atos  14. 23) "

 

" Deste testemunho de mim em Jerusalém, assim importa também que o dês em Roma. (Atos dos Apóstolos 23, 11)"

 

Por derradeiro, procedida a contrição e confissão, nos habilitamos então em realizar a PENITÊNCIA.

 

Penitencia ou SATISFAÇÃO é o fruto visível e eficiente da Justiça que se realiza pelo arrependimento, pois o que se lesou POR ATO, há de ser reparado por OUTRO ATO.

 

Os sacramentos possuem matéria e forma.

 

A forma na Penitência são as palavras sacerdotais confirmando a absolvição.

 

Já a matéria direta[6] são os atos de justiça que realizamos após confessarmos.

 

Todo mal há de ser satisfeito por um Bem que o anule.

 

Não basta arrepender e confessar, deixando intactos os efeitos do mal que causou.

 

O mal que se realizou deverá ser solvido por uma obra de CARIDADE:

 

“ a Caridade cobre todos os delitos. (Provérbios 10.12) ”

 

Assim, por exemplo, se matamos o filho de um pai, tornemo-nos pai para um filho cujo pai mataram.

 

Essa é a Verdade Divina do Amor.

 

Sem Justiça não haverá Perdão válido.

 

“ Não te deixes vencer pelo mal, mas TRIUNFA DO MAL COM O BEM. (Romanos12.21) ”

 

" Renunciai a todas as vossas faltas! Que não haja mais em vós o mal que vos faça cair. (Ezequiel 18, 30) "

 

" Porém, se SE PERDOAR O ÍMPIO, ELE NÃO APRENDERÁ A JUSTIÇA; na terra da retidão ele se entregará ao mal e não verá a majestade do Senhor. (Isaías 26, 10) "

 

“ O Senhor é paciente; façamos, pois, PENITÊNCIA por isso e peçamos-lhe perdão com lágrimas nos olhos, (Judite 8, 14) ”

 

Nando Gomes

Fonte: A Fé Católica nas escrituras


 

[1] Que ninguém coma, nem beba da Eucaristia sem antes ter sido Batizado. [...] reúna no Dia do Senhor para partir o Pão, e agradecer após ter CONFESSADO SEUS PECADOS, para que seu sacrifício seja puro. (Didaqué, Capítulos IX, 5 e XIV, 1, anos 70 ou 90)”

[2] https://afecatolicanasescrituras.blogspot.com.br/2016/11/do-batismo-em-geral-ei-lojesus-aquele_16.html

[3] Mt 12.31

[4] "ele vos reconciliou pela morte de seu corpo humano, para que vos possais apresentar santos, imaculados, irrepreensíveis aos olhos do Pai. (Colossenses 1, 22)" " Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. (Efésios 5, 23)"

[5] O primeiro pecado surgido, foi o pecado da soberba, pelo qual o diabo revoltou-se contra DEUS. (Ez 28.11-19)”

[6] A matéria indireta é a água do Batismo, sem o qual não teria valor nosso arrependimento.


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
2 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL -  FACEBOOK 

:-)