REFLEXõES (386)'
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Artigo

Os Idiotas Guiam Os Cegos

William Shakespeare em Rei Lear, escreveu que neste mundo os loucos guiam os cegos.

A ansiedade de ter, possuir, consumir não é tão real e verdadeira como o ser humano que é possuído e usado e abusado pelas coisas. A grande crise no ser humano foi transformá-lo numa coisa que ele não consegue sair. A farsa de ser gente leva a falsificação de si mesmo e dos objetos que o cercam. A usabilidade do seu ser, ou seja, o abuso do seu interior configura o estupro da alma e autodestruição do seu íntimo e a sua imagem é um apagão que causa em si mesmo e nos outros a perdição.

Esse ser humano farsante e falsificado é radicalmente dominado e controlado numa vida de mentiras, (mitomaníaco), falação, (prolixista), pedantismo, pernosticismo, vícios (carência afetiva), narcisismo, hedonismo, e parafilias, (patologias). Muitos estudos e pesquisas encontram uma relação direta entre prazer (imediato) e dependência, e o poder de atração para um novo ciclo de prazer-depressão, característico de todas as formas de vícios. Dessa forma, a despeito de a configuração deste comportamento ser explicada biologicamente, sua avaliação social é paralela aos conceitos de mau, incorreto, indecente, antinatural, arriscado, doentio, perigoso, fatal, evidenciando que a construção histórica do conceito aponta sua prática indiscriminada em direção à morte ou grave degradação biológica do indivíduo viciado, ou seja, vício é um conceito composto e indissociável, formado por diversas acepções que se sobrepõem nos campos medicinais ou biológicos, históricos, políticos, antropológicos, econômicos, psicológicos e psicanalíticos, religiosos, éticos e morais e, além disso, é um conceito contemporâneo (da forma como o conhecemos) que não existia há algumas décadas, e não pode ser isolado como processo biológico, evidenciando-se a primazia não da química, mas de todo um complexo real e imaginário em torno da individualidade.

A desconstrução da dignidade da pessoa humana resulta no mar de corrupção, de relacionamentos violentos, várias modalidades de crueldades, crimes em avalanches e doenças incuráveis. Esse ser humano com o prazer de seus vícios gera todos os dias e pare monstros que estraçalham e devoram tudo que é verdadeiro, ortodoxo, canônico e absoluto. Não há mais espaço para fundamentar valores; é radical a rejeição da honestidade; é um vexame tomar posições firmes em prol da humildade, da simplicidade, da autenticidade, do “ser” e não do “ter”. Normatizou-se ser descartável, parcial, virtual, superficial e infernal. A ideologia é imperializar o relativismo, a banalização e o fundamentalismo religioso.

O renomado dramaturgo e escritor Domingos de Oliveira afirma de modo colossal: “A única coisa que ainda escandaliza hoje em dia é a sinceridade”. A arte do engano, a pseudociência com a morte da razão, a mídia com poder que tem de manipular, distorcer os fatos e conduzir as pessoas às fantasias infinitas, tornam o errado o senhor da situação. O célebre filósofo e teólogo Santo Agostinho de Hipona, disse: “Os que não se deixam vencer pela verdade serão vencidos pelo erro”.

Os monstros são indivíduos loucos, idiotas, boçais que estão na liderança, na hierarquia, no parlamento, na presidência guiando cegos pela mentira, pelo engano, pelos vícios e pelos belos discursos falaciosos e diabólicos!

Ainda restam aqueles que pelo autoconhecimento e o autoaperfeiçoamento tomam posse de exercitar dignamente a honestidade como disse o ínclito intelectual austríaco Dr. Sigmund Freud: “Ser inteiramente honesto consigo mesmo é um bom exercício”.

Dr. A. Inácio José do Vale

Psicanalista Clínico

Professor e Conferencista

Membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea/RJ. E da Ordem Nacional dos Psicanalistas/RJ.

E-mail: [email protected]

Visite o nosso Blog: https://wordpress.com/post/psicanalise682.wordpress.com/15

 


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