TEOLOGIA (1930)'
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Artigo

Papa Francisco e a Teologia da Libertação

O Papa Francisco refutou qualquer ligação com a Teologia da Libertação de Leonardo Boff

As falas do Papa Francisco de solidariedade com os pobres e por uma sociedade justa nada tem a ver com o reducionismo marxista de Leonardo Boff e Frei Betto. A teologia do líder católico não é esquerdista. O próprio Jorge Mario Bergoglio não ocultou jamais seu desacordo com aspectos essenciais desta teologia. Seus teólogos de referência jamais foram Gutiérrez, nem Leonardo Boff, nem Jon Sobrino, mas o argentino Juan Carlos Scannone, que elaborou uma teologia, não da libertação, mas ‘do povo’, centrada sobre a cultura e a religiosidade das pessoas comuns, em primeiro lugar dos pobres, com sua espiritualidade tradicional e sua sensibilidade pela justiça.

Nesse sentido, um ano depois da publicação do livro de Gutiérrez e Dom Müller, o então Arcebispo de Buenos Aires expressou que "com a queda do império totalitário do 'socialismo real', essas correntes ideológicas ficaram esvanecidas no desconcerto, incapazes de um replanejamento e de uma nova criatividade. Sobreviventes por inércia, embora ainda existam hoje aqueles que as proponham anacronicamente.

Na avaliação de Clodovis, que é irmão de Leonardo Boff, o acontecimento que significou o adeus da Igreja Católica latino-americana ao que restava da teologia da libertação foi a Conferência Continental de Aparecida, no ano de 2007, inaugurada por Bento XVI pessoalmente, e com o seu protagonista, o cardeal Bergoglio. Clodovis Boff, que passou de expoente da teologia da libertação a um de seus críticos mais incisivos, advertiu em 2008 que "o erro fatal desta corrente ideológica é colocar o pobre como primeiro princípio operativo da teologia, substituindo Deus e Jesus Cristo.” A pastoral da libertação converte-se em um braço entre tantos da luta política. A Igreja se assimila a uma ONG e assim se esvazia também fisicamente, já que perde operadores, militantes e fiéis. Os de fora e de dentro experimentam pouca atração por uma Igreja da libertação meramente imanente, porque para a militância já contam com diversas ONGs, enquanto que para a experiência religiosa têm a necessidade de muito mais que uma simples libertação social, indicou Clodovis. Nesse sentido, o risco de que a Igreja se reduza a uma ONG é um sinal de alerta que o papa a Francisco tem falado repetidamente em seus documentos oficiais. Seria enganoso se esquecer disso, ao realizar hoje a releitura do livro de Müller e Gutiérrez.

Em sua visita ao Brasil, mostrou Francisco sobriedade e moderação, numa terra em que o poder se confunde com ostentação e aproveitamentos pessoais. Sua mensagem aos jovens foi honesta e simples: “manifestem-se, mostrem sua discordância com o materialismo, mormente aquele que é cruel com os desvalidos, os que têm fome e não têm saúde. Não se esqueçam da mensagem cristã de mansidão e fraternidade. Protestem contra a corrupção...”

O papa deixou portanto, claríssimo, que sua mensagem de igreja pobre, voltada primordialmente para os pobres, não significa outra coisa, e que não é veículo de nenhuma ideologia, senão de solidariedade cristã. Condenou a descriminalização das drogas, defendida por boa parte da esquerda brasileira, ideologia de gênero e uniões homoafetivas.

Uma fala do ex-padre Leonardo Boff, um dos arautos da “Teologia da Libertação”, uma impossível mistura de cristianismo e marxismo, de fé e ateísmo, de espiritualismo e materialismo, um Frankenstein filosófico, enfim, açulado contra a Igreja de verdade. Boff, expulso da igreja, tentava uma reaproximação, com a saída de Bento XVI, que o expurgou, e a vinda de Francisco. Falava da simplicidade e da austeridade de Francisco, como se isso o aproximasse da “Teologia” que ele Boff e seus boffentos tanto defendem. Mencionava mesmo uma proximidade anterior do papa com essa corrente na Argentina, e quase que pedia dele uma palavra de comprometimento. Antes de mais nada, Boff mentia. A Teologia da Libertação, de cunho marxista, tal como defendida pelo brasileiro, correspondia na Argentina à linha pregada pelo padre peruano Gustavo Gutierrez Merino, de quem o papa, quando ali vivia, então padre Bergoglio, discordava. Como discordava seu professor de grego, tido como o maior teólogo argentino, o padre Juan Carlos Scannone. A teologia de Scannone, exposta no seu livro (de 1976) “Teoria de La Liberación y Praxis Popular — Aportes Críticos para uma Teologia de La Liberación”, era a mesma que hoje prega o papa, de uma igreja sóbria, voltada principalmente para os pobres, fundada nas condições sociopolíticas da própria Argentina, próxima até da prática peronista de identificação nacional com a religiosidade e a fé dos “descamisados” e longe do internacionalismo marxista. O papa não deixou o Rio sem uma manifestação quanto a essa corrente de uma falsa fé. Na sua fala aos bispos das Conferências Episcopais da América Latina e do Caribe (Celam), no dia 28 de julho, afirmou com todas as letras:

“A opção pela missionariedade do discípulo sofrerá tentações. É importante saber por onde entra o espírito mau, para nos ajudar no discernimento. Não se trata de sair à caça do demônio, mas simplesmente de lucidez e prudência evangélicas. Limito-me a mencionar algumas atitudes que configuram uma igreja ‘tentada’. Trata-se de conhecer determinadas propostas atuais que podem mimetizar-se na dinâmica do discipulado missionário e deter, até fazê-lo fracassar, o processo de Conversão Pastoral... Menciono apenas algumas: a) O reducionismo socializante... Trata-se de uma pretensão interpretativa com base em uma hermenêutica de acordo com as ciências sociais. Engloba os campos mais variados, desde o liberalismo de mercado até a categorização marxista”.

É curioso, no mínimo, constatar que a imprensa, sempre ávida em colher impressões de Leonardo Boff, Frei (?) Betto, Pedro Casaldáliga, e CIA LTDA, não os tenha entrevistado sobre essa fala do papa. Não tenha pedido que interpretassem as expressões “espírito mau”, “igreja tentada”, “reducionismo socializante”, “categorização marxista”. Seria tão interessante ouvi-los não acham?

Leonardo (Genésio) Boff escreveu, aliás, no “Diário da Manhã” do dia 31 de julho, suas impressões sobre a visita papal. Desconheceu, ignorou, fez como se nunca tivessem sido ditas, as importantes palavras de Francisco sobre a infiltração marxista na Igreja.

Fonte: Beraká - o blog da família.

Paulo Lelis Lelis

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