IGREJA (1072)'
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Artigo

A Igreja de Cristo Primitiva

Existem vários escritos do início da era Cristã que testemunham a estrutura e as características da Igreja de Cristo. Nessas obras, podem ser encontradas provas sobre questões como a Sucessão dos bispos da Igreja e a Tradição apostólica, por exemplo.

Transcrevo algumas passagens da obra de Santo Irineu de Lião, Contra as Heresias, escrita no século II. A obra é dividida em cinco livros. Os três primeiros formam escritos durante o papado (bispado) de Santo Eleutério (175-189) e os dois últimos durante o pontificado de São Vitor I (189-198).

A obra é composta de cinco livros, é muito extensa e tem como objetivo refutar as heresias, entre elas, a gnose; ao mesmo tempo em que combate a heresia, ela expõe a verdadeira doutrina Cristã.

Deixo aqui apenas algumas passagens da obra para mostrar a legitimidade da Santa Igreja Católica. Nossa religião não nasceu ontem. Tem raiz nos 12 apóstolos.

Uma das passagens mais importantes da obra de Santo Irineu de Lião é aquela que descreve a sucessão apostólica de São Pedro à Santo Eleutério, o Papa da época de Santo Irineu. Santo Irineu descreve alguns fatos de alguns destes bispos que, ao todo, somam doze Papas. Essa descrição se encontra na primeira parte do terceiro livro, no capítulo 3, versículo 3.

Santo Irineu nos dá a confirmação de que os apóstolos fundaram e edificaram a Igreja e transmitiram o governo episcopal a Lino, ou seja, o governo da Igreja Católica foi entregue a outras pessoas após o martírio de São Pedro. Evidente, a obra de Cristo, uma Igreja VISÍVEL, não poderia findar com a morte do último apóstolo.... a sucessão é algo natural a qualquer instituição humana, não seria diferente com a Igreja, instituída por Seu Fundador sobre Pedro e seus sucessores. Cito Santo Irineu, século II:

3,3. “Os bem-aventurados apóstolos que fundaram e edificaram a igreja transmitiram o governo episcopal a Lino, aquele Lino que Paulo lembra na epístola a Timóteo. Lino teve como sucessor Anacleto. Depois dele, em terceiro lugar, depois dos apóstolos, coube o episcopado a Clemente, que tinha visto os próprios apóstolos e estivera em relação com eles, que ainda guardava viva em seus ouvidos a pregação deles e diante dos olhos a tradição.

E não era o único, porque nos seus dias viviam ainda muitos que foram instruídos pelos apóstolos. No pontificado de Clemente surgiram divergências graves entre os irmãos de Corinto. Então a igreja de Roma enviou aos coríntios uma carta importantíssima para reuni-los na paz, reavivar-lhes a fé, e reconfirmar a tradição que há pouco tempo tinha recebido dos apóstolos, isto é, a fé num único Deus todo-poderoso, que fez o céu e a terra, plasmou o homem e provocou o dilúvio, chamou Abraão, fez sair o povo do Egito, conversou com Moisés, deu a economia da Lei, enviou os profetas, preparou o fogo para o diabo e os seus anjos. Todos os que o quiserem podem aprender desta carta que este Deus é anunciado pelas igrejas como o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo e conhecer a tradição apostólica da igreja, porque mais antiga do que aqueles que agora pregam erradamente outro Deus superior ao Demiurgo e Criador de tudo o que existe.

A este Clemente sucedeu Evaristo; a Evaristo, Alexandre; em seguida, sexto depois dos apóstolos foi Sisto; depois dele, Telésforo, que fechou a vida com gloriosíssimo martírio; em seguida Higino; depois Pio; depois dele, Aniceto. A Aniceto sucedeu Sóter e presentemente, Eleutério, em décimo segundo lugar na sucessão apostólica, detém o pontificado. Com esta ordem e sucessão chegou até nós, na Igreja, a tradição apostólica e a pregação da verdade. Esta é a demonstração mais plena de que é uma e idêntica a fé vivificante que, fielmente, foi conservada e transmitida, na Igreja, desde os apóstolos até agora.”

3,1. “Portanto, a tradição dos apóstolos, que foi manifestada no mundo inteiro, pode ser descoberta em toda igreja por todos os que queiram ver a verdade. Poderíamos enumerar aqui os bispos que foram estabelecidos nas igrejas pelos apóstolo e os seus sucessores até nós; e eles nunca ensinaram nem conheceram nada que se parecesse com o que essa gente vai delirando.

Ora, se os apóstolos tivessem conhecido os mistérios escondidos e os tivessem ensinado exclusiva e secretamente aos perfeitos, sem dúvida os teriam confiado antes de a mais ninguém àqueles aos quais confiavam as próprias igrejas. Com efeito, queriam que os seus sucessores, aos quais transmitiam a missão de ensinar fossem absolutamente perfeitos e irrepreensíveis em tudo, porque, agindo bem, seriam de grande utilidade, ao passo que se falhassem seria a maior calamidade.”

3,2. “Mas visto que seria coisa bastante longa elencar, numa obra como esta, as sucessões de todas as igrejas, limitar-nos-emos à maior e mais antiga e conhecida por todos, à igreja fundada e constituída em Roma, pelos dois gloriosíssimos apóstolos, Pedro e Paulo, e, indicando a sua tradição recebida dos apóstolos e a fé anunciada aos homens, que chegou até nós pelas sucessões dos bispos, refutaremos todos os que de alguma forma, quer por enfatuação ou vanglória, quer por cegueira ou por doutrina errada, se reúnem prescindindo de qualquer legitimidade.

Com efeito, deve necessariamente estar de acordo com ela, por causa da sua origem mais excelente, toda a igreja, isto é, os fiéis de todos os lugares, porque nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos.”

De suma importância essa passagem, pois ela confirma o primado da Santa Igreja em Roma no governo episcopal daqueles que sucederam a São Pedro. Em outras palavras, Santo Irineu de Lião diz que toda a igreja (isto é, os fiéis de todos os lugares) deve necessariamente estar de acordo com ela (a igreja de Roma), por causa da sua origem mais excelente e por que nela sempre foi conservada, de maneira especial, a tradição que deriva dos apóstolos.

Comparem esta passagem com a seguinte passagem do livro dos Atos do Apóstolos: At 16, 4-5: “Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém. Assim as igrejas eram confirmadas na fé, e cresciam em número dia a dia.”

Sempre, desde o tempo dos Apóstolos, houve uma autoridade CENTRAL, a qual todas as igrejas particulares, as comunidades deveriam estar de acordo. Essa autoridade foi estabelecida sobre Pedro e seus sucessores, Bispos de Roma. Isso, por óbvio, para garantir a unidade na verdadeira Fé apostólica.

Esta é a Tradição Viva da Igreja. A sucessão apostólica que a Santa Igreja Católica possui. Apenas um exemplo de Santo Irineu. Há outros.


Didacus Hff


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