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Artigo

SER PRÁTICANTE DA PALAVRA DE DEUS

“Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes; isto  equivaleria a vos enganardes a vós mesmos” (Tg 1, 22).

 

Nós, cristãos, certamente lemos centenas de milhares de passagens das Sagradas Escrituras durante nossas vidas. Muitos de nós procuram também ler publicações como o Um Pão, Um Corpo. Todos, portanto, somos muito abençoados por podermos nos dedicar à leitura e ao conhecimento da palavra de Deus. Entretanto, o Senhor não espera que nós venhamos a nos lembrar de todos os versículos da Bíblia e saibamos citá-los com erudição. Não. O que o Senhor espera é que, por Sua graça, nós saibamos vivê-los intensamente.

 

O nosso conhecimento da palavra de Deus deve ser demonstrado na prática: no Dia do Juízo Final, o Senhor não irá nos perguntar o que nós sabemos sobre a Sua palavra, mas procurará saber como nós a estamos vivendo; “porque diante de Deus não são justos os que ouvem a lei, mas serão tidos como justos os que a praticam” (Rm 2,13).

 

Portanto, não tentemos nos enganar. Vamos levar toda palavra da Bíblia para o nosso coração, e também para nossa vida diária; “rejeitando toda impureza e todo vestígio de malícia e recebendo com mansidão a palavra em nós semeada, que pode salvar nossas almas”. (Tg 1,21). Esta responsabilidade não nos deve causar medo, pois o Senhor Deus não nos dá ordem sem antes nos ter preparado e fortalecido para atendê-las.

 

Não nos esqueçamos, também, o que Jesus ensinou: “Aquele que ouve as minhas palavras e as pões em prática é semelhante a um homem prudente, que edificou sua casa sobre a rocha” (Mt 7,24). Assim, “aquele que procura meditar com atenção a lei perfeita da liberdade e nela persevera não como ouvinte que facilmente se esquece, mas como cumpridor fiel do preceito, este será feliz no seu proceder” (Tg 1,25).

 

Jesus ainda fez questão de ressaltar a importância disto ao dizer: “Minha mãe e meus irmãos são estes, que ouvem a palavra de Deus e a observam” (Lc 8,21) (1).

Disse Jesus: “Estais enganados, desconhecendo as Escrituras e o poder de Deus” (Mt 22,29). “Vós perscrutais as Escrituras, julgando encontrar nelas a vida eterna. Pois bem! São elas mesmas que dão testemunho de mim”(Jo 5,39).

 

A prática, a obediência à palavra de Deus vale mais do que guardar tradições humanas. A nossa vida está configurada na revelação de Deus em Cristo (Hb 1, 1-4; Rm 11,36; 16, 25-27). A nossa fé não se fundamenta em tradições, crenças e costumes humanos. Disse Jesus: “Invalidastes a palavra de Deus por causa da vossa tradição. Este povo me honra com os lábios, mas o coração está longe de mim. Em vão me prestam culto, pois o que ensinam são mandamentos humanos” (Mt 15, 6-9).

 

A PALAVRA DE DEUS PERMANEÇA EM NÓS

“A palavra de Cristo permaneça entre vós em toda a sua riqueza” (Cl 3,16).

 

Um dos principais conselhos do rabino, do padre do e pastor é a de encorajar os nossos irmãos e irmãs a se aprofundarem na palavra de Deus. Nós oramos de todo o nosso coração para que a palavra de Cristo permaneça neles (Cl 3,16), de modo que eles possam levá-la para muitas outras pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de conhecê-la.

 

Para deixar a palavra de Cristo permanecer em cada um de nós basta:

·                    Deliciarmo-nos com ela, deixando-a ser a causa de nossa alegria e júbilo (Jr 15,16).

·                    Estudá-la diariamente (At 17,11) e deixá-la inflamar nosso coração (Lc 24,32).

·                    Dar-lhe o devido valor, considerando-a mais preciosa que qualquer tesouro e mais doce que o mel (Sl 119,72.103).

·                    Permitir que ela nos julgue (Jo 12,48), trespasse-nos (Hb 4,12) e transforme-nos.

·                    Permanecermos nela (Jo 8,31) e a deixarmos permanecer em nós (Cl 3,16) o tempo todo.

·                    Sermos “cumpridores dela e não apenas ouvintes” (Tg 1,22).

·                    Deixarmos Deus encher nosso coração, nossa mente e nossa alma, ao ponto de tornar a Sagrada Escritura a nossa linguagem coloquial (Sl 119,13; Lc 6,45).

·                    Anunciá-la com fervor aos outros (2 Tm 4,2).

 

A palavra de Cristo é riquíssima. Vamos deixá-la permanecer em nós e contribuir para que ela cresça e se espalhe “sempre mais” (At 12,24).

Vamos pedir a Jesus: “abri a minha mente para o entendimento da Vossa Palavra” (Lc 24,45). “Vossa palavra é lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho” (Sl 119,105). Disse Jesus: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).

 

CONCLUSÃO

 

“Na Sagrada Escritura, a Igreja encontra incessantemente seu alimento e sua força, pois nela não acolhe somente uma palavra humana, mas o que ela é realmente: a Palavra de Deus. Com efeito, nos Livros Sagrados o Pai que está nos céus vem carinhosamente ao encontro de seus filhos e com eles fala” (2).

 

“Todavia, a fé cristã não é uma “religião do Livro”. O cristianismo é a religião da “Palavra” de Deus, “não de um verbo escrito e mudo, mas do Verbo encarnado e vivo” (3).

 

Quem ama o bom Deus lê e estuda a Sua palavra. Aquele que diz viver na graça de Cristo examina as Sagradas Escrituras, como faziam os bereianos (At 17, 10-12). Afirmar que tem unção e poder do Espírito Santo é mostrar habilidade no conhecimento da Bíblia Sagrada na prática da sabedoria, da caridade e da comunhão.

 

A vida do cristão segue com profundidade na palavra de Deus, fazendo cursos, participando de estudos e palestras sobre as Sagradas Escrituras até a volta de Cristo.

 

Pe. Inácio José do Vale

Professor, escritor e conferencista

Sociólogo em Ciência da Religião

Religioso dos Irmãozinhos da Visitação de Charles de Foucauld

E-mail: [email protected]

 

Notas:

(1)                UM PÃO, UM CORPO, 30/08/2009, p. 31.

(2)                Catecismo da Igreja Católica, 1993, nº. 104.

(3)                Catecismo da Igreja Católica, 1993, nº. 108.

 


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