ÉTICA E MORAL (758)'
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Artigo

Entre o Bem e o Mal

 

O Mágico de Oz, obra clássica infantil do  escritor americano L. Frank Baum (1856-1919), que assume o papel de bruxo para governar Oz. Pessoas de todas as idades aprenderam lições morais com Dorothy, o Espantalho, O Homem de Lata e o Leão Covarde ao viajar pela estrada de tijolos amarelos. É claro que, no enredo o grande inimigo a ser vencido é a Bruxa Má do Oeste. O mal é claramente retratado e vencido pelo bem.

 

Um novo musical desse conto, no entanto, virou o sentido moral da história original de ponta-cabeça. Nesta nova versão, dessa história, a bruxa má é apresentada como personagem simpática. Nascida com a pele de cor verde, ela se sente uma estrangeira. Os personagens mais importantes, as linhas do enredo, os papéis e outros detalhes são alterados de modo que a bruxa malvada é somente uma pessoa mal compreendida. A audiência poderá sair com a ideia de que o mal é bem e o bem é mal.

 

Durante o ministério do profeta Isaías, ocorreu em Israel uma reversão dos valores morais. Alguns realmente consideraram o assassinato, idolatria e adultério como sendo bons. Como resposta, Isaías deu-lhes um conselho severo: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal...” (Is 5, 20). O professor e escritor americano Rev. H. Dennis Fisher escreve: “Em nosso mundo de relativismo, a cultura popular desafia constantemente os valores bíblicos. Mas estudar, memorizar e meditar sobre a Palavra de Deus pode garantir o nosso discernimento entre o bem e o mal” (1).

 

Santo Agostinho

 

A existência do mal coloca um problema na vida do gênio do pensamento filosófico e teológico Santo Agostinho que atormentou longamente, desde a sua conversão. Se as ações dos homens não são sempre o que deveriam ser, sua vontade é a responsável. O homem escolhe livremente suas decisões e é por ser livre que é capaz de fazer mal (2).

 

Santo Agostinho diz: “ Vivamos bem, contudo, nestes dias maus, para que possamos à fruição dos dias bons. A divisão entre os bons e os maus deverá ser feita no dia do juízo. Então, será a verdadeira separação, diferente da que existe agora”(3).

 

Escreve São Paulo Apóstolo: “Enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos” (Gl 6,10).

 

A prática do bem salva a humanidade. O mal é encurralado e sem expressão na medida em que o amor toma o espaço em toda configuração humana. O bem vence o mal quando a virtude é atitude em toda dimensão do relacionamento humano.

 

Pe. Inácio José do Vale

Professor e conferencista

Sociólogo em Ciência da Religião

Religioso da Fraternidade da  Visitação de Charles de Foucauld

E-mail: [email protected]

 

Notas:

1.       Pão Diário, 26 de Maio de 2016.

2.       Gilson, Élienne. Introdução ao estudo de Santo Agostinho. São Paulo: Discurso Editorial; Paulus, 2006, pp. 271 e 276.

3.       Tonna-Barthet, Antonino. Síntese da espiritualidade agostiniana. São Paulo: Paulus, 1995, pp. 422 e 426.


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