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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 401 – outubro 1995

Reflexões

"GUARDEI A FÉ..." (2Tm 4,7)

 

O Apóstolo São Paulo escreveu em sua carta-testamento palavras que revelam a grandeza de toda uma vida: "Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé" (2Tm 4,7).

Guardar a fé, para todo cristão, significa caminhar no claro-escuro ou na penumbra de uma estrada em que a luz da aurora vai dissipando as trevas da noite; a sofreguidão e a ânsia da chegada e da plenitude movem o peregrino... São Paulo experimentou isto ao escrever: "A noite está adiantada, e o dia se aproxima" (Rm 13,12). Todavia, além do incômodo do claro-escuro, o Apóstolo sofreu longo catálogo de dores elencadas em 2Cor 11,23-33: açoites repetidos, apedrejamento, naufrágio, perigos nos mares, nas cidades, nos desertos, perigos por parte de falsos irmãos, fome e sede, frio e nudez... - Eis o que serfiel acarretou para São Paulo. Todavia o Apóstolo podia dizer: "Transbordo de alegria em toda a minha tribulação" (2Cor7,4). Pediu ao Senhor que o livrasse de um cruel aguilhão da carne; ao que Jesus lhe respondeu: "Basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que a força manifesta todo o seu poder" (2Cor 12,9). Donde conclui São Paulo; "Eu me comprazo... nas angústias, pois, quando sou fraco, então é que sou forte" (2Cor 12,7-10).

O testemunho do Apóstolo fala hoje a todo cristão. Guardar a fé não é fácil num mundo em que tantas propostas de ordem religiosa, filosófica e moral se cruzam, sugerindo que guardara fé é ficar para trás, é ser bitolado... Torna-se forte a tentação de abandonar a fé ou "trocar de té", aderindo a crenças novas, mais coloridas e sonoras ou mais fantasiosas. Saiba, porém, o fiel católico que guardar a fé (fides) é ser fiel (fidelis) até o fim: não há grandeza sem luta heróica; a maior fonte de alegria no fim da carreira terrestre consistirá em olhar para trás e dizer com o Apóstolo: "Combati o bom combate, guardei a fé... Fui fiel a Jesus Cristo e à sua Santa Igreja, que Ele fundou, como sacramento de salvação, sobre a Rocha, que é Pedro". Aliás, a alegria do final de vida pode-se fazer sentir já nas etapas do percurso terrestre, como acontecia a São Paulo; com efeito, o manancial de alegria não está fora, mas dentro do cristão; consiste precisamente em compartilhar a Páscoa de Cristo, que é Cruz (para não trair...) e Ressurreição gloriosa.

Muito a propósito vêm as palavras do Cardeal Henri de Lubac:

 

"Acontece que essa Igreja santa seja por vezes abandonada por aqueles que tudo receberam dela... Acontece que Ela seja injuriada por aqueles que Ela continua a alimentar. Um vento de crítica amarga e sem inteligência vem por vezes virar as cabeças... É então que, contemplando a face humilhada de minha Mãe, eu hei de amá-la com redobrado amor... Saberei mostrar que amo a Igreja em sua forma de serva. E, enquanto alguns se detêm nos traços que envelhecem o seu semblante, o amor me fará descobrir nela, com muito mais veracidade, as virtualidades... que lhe asseguram uma perpétua juventude".

 

E.B.


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