ESPIRITUALIDADE (803)'
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Artigo

FALAR AO CORAÇÃO

 

Não oferecer coisas, ou pior, doar ofensas. Jamais sejamos portadores de incompatibilidades.

 

Ofertar amor, carinho, gratidão, perdão e falar ao coração com a alma do otimismo, da fortaleza, da fé, da coragem e da esperança.

Falar ao coração é alcançar a pessoa rumo ao sentindo real da vida feliz e com fundamento na âncora do porto seguro, onde há um verdadeiro encontro com a dignidade da pessoa humana e seus mais profundos sentimentos.

 

A desconstrução de não falar ao coração é o óbito progressivo e consistente da pessoa como coisa e como consumidor. O jogo é conduzir a pessoa opilada. Não é lucrativo perder em curto prazo o sujeito gastador, esbanjador e devedor.

 

Adoecer a mente e opilar o coração para não raciocinar e não ter sentimentos nobres, e sim, vangloriar na falsa idéia de ter, possuir e aparecer com coisas e jamais entender e saber que é fantoche do processo capitalista. A melhor forma de escravidão é fazer o escravo pensar que é livre e sua ação nunca seja fator de libertação.

 

A máquina do sistema ganha de forma colossal, pela industrialização de marionetes. Libertar-se desse sistema alienante, manipulador e condicionante, ou seja, dessa cultura boçal e de morte, só mesmo dando abertura à missão, ao poder do Espírito Santo para realizar a conversão e fazer do coração morada do amor de Deus. (Rm 5,5).

 

Temos que acreditar na palavra: "AMOR", na unção libertadora, no acalanto da acolhida, na força da caridade e no mar de bênçãos de Deus! Temos que derrubar os muros, destruir as algemas, acabar com as armas, eliminar a vingança e o ódio, dar fim às passagens para o mal, dar cabo às palavras assassinas, tirar as pedras do caminho, fechar as covas e ser: ponte, escada, caminho, alimento, luz e ser da paz, ser Jesus.

 

Chega de prisão, escuridão, confusão, depressão, solidão e perdição.

Haja coração, afeição, perdão, paixão, comunhão, consolação e morada na mansão da eterna união.

 

Em tempos nenhum podemos ser escravocratas e compactuar com a ignorância e a violência por gestos e por palavras, ser sim, de fato e de verdade: instrumentos de libertação e anunciador da Boa Nova do Reino de Deus.

Que a nossa palavra e a nossa atitude tenham aceitabilidade nos corações.

Quando somos rejeitados, ou seja, quando as pessoas se afastam de nós, é porque as nossas palavras e as nossas atitudes não foram recebidas e nem guardadas em seus corações. Esse é o resultado de palavras ferinas e gestos soberbos e pedantes.

 

Em nosso dicionário não existem as palavras: crítica maliciosa, censura, reprovação, humilhação e condenação. A pessoa pode se tornar uma criminosa em potencial quando usa a palavra para matar. A péssima educação, a mídia e a falta de espiritualidade colaboram com essa fábrica de palavreado assassino. Tem palavra que corta mais do que uma faca afiada e perfura muito mais do que um punhal, tudo isso procede da fonte de Belial. E em nossa defesa o poder angelical do arcanjo São Miguel. Seja a nossa boca uma fonte de palavras abençoadoras.

 

É maravilhoso saber que a boca e a língua estão no cérebro - razão - juízo, e no coração, o paraíso da palavra: amor, carinho, vida feliz, respeito e gratidão.

O coração é a fonte da docilidade, da sabedoria, do equilíbrio, da paciência do amor e da misericórdia.

Que nossas palavras sejam mais doces do que o mel, abissais em ternuras e os nossos gestos sejam motivadores e amorosos. Por tudo isso, sejamos solícitos e agregadores.

 

Pe. Inácio José do Vale

Sociólogo em Ciência da Religião

Professor no Instituto de Teologia Bento XVI

Fraternidade Sacerdotal Jesus Cáritas

Irmãozinho da Visitação da Fraternidade de Charles de Foucauld

E-mail: [email protected]

 


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