ESPIRITUALIDADE (604)'
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Artigo

A Transfiguração

22 de março de 2011

Na quaresma, todos os filhos da Igreja, seguem os passos de Jesus até o Calvário. Trata-se de um itinerário espiritual, onde a esmola, o jejum e a oração nos ajudam, num verdadeiro exercício penitencial, a alcançarmos, com Jesus, a páscoa (grande passagem) da ressurreição. Assim, neste tempo, recordando as dores de Cristo que são redentoras, nosso olhar se dirige para Aquele que vence a morte e o mal.

De fato o episódio da transfiguração, texto que refletimos na liturgia do 2º domingo, nos apresenta o Senhor que caminha para a morte e “por um instante, mostra sua glória divina” (cf. Catecismo, 555).

A subida ao Monte da Transfiguração é um convite a distanciarmo-nos dos boatos da vida quotidiana para deixarmo-nos imergir pela presença de Deus e reforça a nossa vontade de seguir o Senhor. Se o caminho parece difícil, podemos renovar nossa confiança no Mestre que caminha a nossa frente e nos apresenta o horizonte da glória que queremos alcançar.

A Campanha da Fraternidade deste ano nos apresenta um itinerário de conversão, e devemos trilhá-lo sabendo claramente onde vamos parar. Muito se fala de consciência ecológica nos tempos hodiernos, porém ainda é difícil estabelecer conclusões sempre exatas sobre o mútuo influxo entre ambiente e vida humana. A ecologia é uma ciência recente, de poucas décadas de estudo científico e cujas conclusões devem ser analisadas com calma e espírito crítico.

Alguns autores vêm afirmando reiteradamente que o fator humano é sempre negativo em relação à sustentabilidade da vida do planeta. Esta doutrina está muito presente em produções cinematográficas e livros recentes. É importante recordar que a ecologia tem sentido de ser se for uma ciência que engloba a sustentabilidade de toda a vida do globo, incluindo a vida humana, que dá sentido a todas as demais. É insana a criação de uma ciência, produto da inteligência humana, contra a própria raça humana.

“A tutela do ambiente constitui um desafio para a humanidade porque trata-se do dever, comum e universal, de respeitar um bem coletivo, destinado a todos” (cf. CDSI, 466). O interesse pessoal, geralmente movido pela ganância, pelo egoísmo e por nossa visão sempre limitada das coisas, põe em risco a os recursos naturais, imprescindíveis para a vida de todos os seres vivos.

Este elemento pode compor nossa penitência cristã própria do tempo quaresmal: prestar atenção às nossas ações cotidianas e realizá-las conforme uma reta consciência ambiental. Cuidar da criação de Deus é louvar ao Criador.

Dom Edney Gouvêa Mattoso,
Bispo Diocesano de Nova Friburgo


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