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Artigo

O belo e o aberrante

Gregorio Vivanco Lopes (*)

 

A revolução nos costumes, que há muito tempo contamina o Ocidente, conduz geralmente ao aberrante: arquitetura louca, pinturas extravagantes, músicas cacofônicas, trajes absurdos, modos cafajestes, além de muitas outras manifestações em diversos campos. Assim como existe um requinte para o belo, existe também um requinte para o aberrante. E se o primeiro chega a tocar o Céu, o segundo nos leva diretamente ao inferno.

 

A esse respeito, o saudoso Plinio Corrêa de Oliveira nos legou uma verdadeira escola de discernimento psicológico, através da análise dos ambientes, costumes e civilizações, análise que visa a ressaltar o contraste entre o que é verdadeiramente belo e as manifestações de extravagância e aberração que hoje se multiplicam quase ao infinito.

 

* * *

 

Tome-se por exemplo o uso de brincos por moças e senhoras. É um adorno que, utilizado com discrição e bom gosto, sempre foi admitido com naturalidade nos povos civilizados. Desde os brincos de pérolas e diamantes de princesas e rainhas, até as simples bijuterias reluzentes ostentadas dignamente por simples camponesas.

 

 

O quadro que aqui reproduzimos — do pintor holandês Vermeer (1632-1675), intitulado Moça com brinco de pérola –– é um exemplo frisante do que queremos dizer. O brilho moderado do brinco é o adequado para realçar discretamente a candura e a inocência presentes no rosto, sobretudo no olhar, da moça ainda muito jovem. O jogo de luz e sombra é perfeito, de modo a ressaltar as vestes de boa qualidade, que denotam uma filha da alta burguesia flamenga da época, vivendo num ambiente psicologicamente calmo e moralmente elevado.

 

* * *

 

Em sentido contrário, vem se generalizando ultimamente o uso dos chamados piercings, tanto para mulheres como para homens, perfurando lábios, nariz (como gado), toda a concha auricular, língua, pálpebras e o rosto em geral.

 

Como a tendência não é para o belo, mas para o extravagante, nem é para o civilizado, mas para a barbárie, pode-se chegar por esse caminho à total deformação da fisionomia física e moral de uma pessoa.

 

 

Veja-se a foto da brasileira Elaine Davidson, ex-enfermeira que mora na Escócia, e que entrou para o Guinness, o livro dos recordes, ao exibir alguns de seus 9.000 piercings espalhados por todo o corpo. Um absurdo e uma extravagância que, ao contrário do brinco no quadro de Vermeer, deformam o corpo humano como o faziam certos selvagens em muitos países.

 

Ora, a natureza humana foi criada à imagem e semelhança de Deus. Deformá-la propositadamente significa assemelhar-se ao demônio, ainda que não se tenha isso em vista, pois é ele o ser que deformou a si próprio.

 

(*) Gregorio Vivanco Lopes é advogado e colaborador da ABIM

Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)

 


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