TEOLOGIA (1565)'
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Artigo

Teologia da Libertação? Eu explico.

 

Alguns amigos e leitores de blogs para os quais escrevo, pediram-me um artigo explicando o porquê da TL (Teologia da Libertação) não ser aceita pela Igreja e quais os seu males. Confesso que demorei para “soltar” este artigo, não por falta de provas, na verdade, não precisa de muito para constatar seus erros, mas demorei pois tive algumas palestras e hangouts para realizar. Mas vamos parar de justificativas e vamos logo para o tema. Para melhor compreensão, dividirei o artigo em pequenos capítulos.

 

 

1.    O comunismo

 

113 Temos que entender uma coisa básica para termos uma introdução ao tema – a teologia da libertação está assentada no marxismo – ou seja, ela é comunista, suas concepções sobre o mundo e a fé são vistas pelos óculos de Marx; sendo assim, seus discursos estão cheios de piedades sociais e desigualdades gritantes, sua bandeira, ou melhor estandarte, é o chamado “pobre”; bom, mas vocês devem estar se questionando: “qual mal há nisso?”, na verdade nenhum enquanto os discursos estão voltados para a desigualdade em si, mas existe um grande problema, que esta no centro irrigador de toda ideologia comunista: todo comunismo em seu fim é materialista, ateu e desigual (apesar de seu discurso pregar a igualdade), e traz consigo interesses políticos e econômicos que em nada ajudarão os pobres; no fim, acarreta mais fome e miséria do que nos países ditos capitalistas; vejam como exemplo: Cuba, Coreia do Norte, Venezuela, China, a extinta URSS, e outros países mais, e como o Papa Francisco bem lembrou: “Os comunistas nos roubaram a bandeira. A bandeira dos pobres é cristã…” (Uol).

 

55 O “pobre” no discurso da teologia da libertação é a desculpa ou a sempre dita “massa de manobra”, para quem fica na superficialidade do primeiro discurso, abrace suas causas, sem conhecer seus conteúdos e consequências nefastas, pois no fundo todo o discurso comunista é cheio de falácias e utopias que todos, inclusive eles próprios sabem que nunca acontecerão; não é a toa que um dos maiores economistas do mundo Ludwig von Mises afirmou que o comunismo é impraticável, e não apenas economicamente, mas ideologicamente também. Atrás de todo discurso lotado de moralismo e piedade, está o desejo de um Estado totalitário e ditatorial, a permanência de uma ideologia, e o esvaziamento da democracia, elevando não os pobres a uma dignidade real, mas mantendo ou piorando sua situação material, tirando de todos a liberdade, e proporcionando caviar para a elite comunista feito do suor dos mesmos pobres que eles juraram libertar. Enfim, a teologia da libertação está montada e estruturada sobre o marxismo e seus corolários.

 

Todo agir político de Marx está ligado a dois pontos chaves – a revolução – que seria a tomada do poder pela classe pobre (ideologia) e a luta de classes que é o meio para consegui-la (práxis), sendo lícita a violência ou o golpe estatal ou ambos. A guerra programada por Karl Marx aconteceu em vários países, como na China de Mao Tse, em Cuba com Fidel Castro (o “membro” de ouro do PT), Hugo Chaves na Venezuela e agora por seu seguidor Nicolas Maduro, Hitler na Alemanha, Lenin na Rússia, enfim, todos estes implantaram um sistema comunista a força ou a golpes estatais; qual o resultado? Mais de 100 milhões de mortos (Courtois, 1999) é conta do ano 2000 ... imagine agora, afinal a matança não acabou. É nessa ideologia fatídica e assassina que está apoiada a teologia da libertação.

 

“Seria ilusório e perigoso chegar ao ponto de esquecer o vínculo estreito que os liga radicalmente (comunismo e socialismo), aceitar os elementos da análise marxista sem reconhecer suas relações com a ideologia, entrar na prática da luta de classes e de sua interpretação marxista sem tentar perceber o tipo de sociedade totalitária a qual este processo conduz.” (Paulo VI, 1971, p. 424-425)

 

 

2.    A fé para os teólogos da libertação.

 

A primeira e grande mudança da teologia da libertação está na interpretação da bíblia,  lida única e exclusivamente sob uma ótica social; toda interpretação que se dá a ela é sobre o campo político de ação, não se fala mais em pecado, em verdades definitivas, entre bem e mal, ou coisas que não se refiram ao contexto político-social ou de leituras partidárias.

 

115 Essa primeira grande mudança leva ao esvaziamento da teologia para ser uma sociologia, a teologia é vista agora pelos olhos de Karl Marx, que ironicamente era ateu, e então a partir desta ótica já não é possível falarmos em dogmas, bem ou mal, ética, moral, pecado, ou qualquer ação espiritual, já que Karl Marx idealizou que o homem e seu agir está sujeito a sua condição social, levando-nos a ler o Cardeal Ratzinger dizer: “Para estes (Teólogos  liberais), o evangelho se reduz a um evangelho puramente terrestre.” (RATZINGER, 1984, p. 25) Ou seja, já não cabe discursarmos sobre virtude, dons, ou graças, pois isso está sujeito à hermenêutica socialista, ateia. Jesus é apenas um homem, “líder” sindical, libertador de classes, ou um corista de palanques; através da teologia da libertação ocorre a separação herética entre o Jesus histórico (homem) e o Jesus religioso (Deus), pregando como que um dualismo em Jesus, como se houvesse havido um Jesus imaginário dos discursos bíblicos e outro real da visão marxista e prática.

 

A Eucaristia é retirada de seu plano espiritual e é colocada apenas no imanente, a santa missa então não é mais o sacrifício do cordeiro, não é mais a ceia sacrifical do Senhor, mas apenas um encontro sindical, social, ou de jovens revolucionários (PJ) para celebração de suas lutas sociais, o maior sacramento da Igreja Católica se torna apenas um jantar materialista com bandeiras de Che Guevara, ao som de Negro nagô e outras coisas horripilantes que a imaginação possa lhes proporcionar.

 

“A eucaristia não é mais entendida na sua verdade de presença sacramental do sacrifício reconciliador e como dom do Corpo e do Sangue de Cristo. Torna-se celebração do povo na sua luta e, por conseguinte, a unidade a reconciliação a comunhão no amor não mais são concebidas como um dom que recebemos de Cristo.” (RATZINGER, 1984, p. 45)

 

 

3.    Perigos da TL.

 

No final de tudo a teologia da libertação nada mais é do que um parasita do marxismo tentando adequar uma ideologia ateia e contrária a qualquer tipo de cristianismo, a uma fé ortodoxa de mais de dois mil anos. A teologia da libertação se tornou perversa, talvez não pela vontade dos seus seguidores mais ignorantes, mas por parte de seus idealizadores nos lugares onde ela prosperou, por exemplo nos países latino-americanos, principalmente no Brasil através de seus teorizadores, Leonardo Boff, Frei Beto, J. B Libanio. Percebe-se desde então uma grande perda de fiéis e grande número de adeptos do marxismo dentro da Igreja; Roma passou a ser desprezada, suas premissas, vestes e liturgias tornaram-se alvos de agrados da “cultura”, para não utilizar o termo “marxismo”. Hoje temos uma divisão clara dentro da Igreja brasileira: fiéis que ficaram com Roma e outros que ficaram com Marx e camaradas.

 

114 Hoje já vemos sua identidade indispensável de ditadura se instaurando aqui, pois se temos opiniões contrárias somos rechaçados, expulsos de nossas paróquias, ou pastorais, se falamos, somos perseguidos; isso não é chorar lagrimas falsas não, pois eu já fui e conheço outros tantos que já foram. Chegará enfim o dia que seremos confrontados se escolhemos ser fieis à Igreja de nosso Senhor Jesus e perder nossa liberdade, sermos perseguidos, ou nos moldar ao ditames dessa teologia que hoje encontra respaldo também do governo.

 

Seu maior perigo está em eliminar do contexto católico as verdade essenciais da fé; já não se fala mais em ética, bem ou mal, certo ou errado, catecismo virou palavrão de última escala e, quando são permitidas, já são utilizadas para doutrinação comunista. Quando se perde o parâmetro da realidade final (salvação) então não há motivos para sermos virtuosos, bondosos ou caridosos, a não ser como forma social, já se torna bobeira orar, jejuar, coisas essenciais da vida espiritual; através dessa ideologia ateia, em seu fim ultimo a Igreja, a fé, e a bíblia são meios instrumentais para alcançar fins políticos e não salvíficos. Já não se fala mais em salvação, as homilias são verdadeiros comícios eleitorais, qualquer aconselhamento que fuja do plano social se torna moralismo.

 

No fim, temos uma sociologia transvestida de teologia, pregando política marxista dentro dos templos católicos, temos uma fé oca, sem conteúdo, em que a salvação virou piada, a liturgia virou churrasco de encontro sindical, e Roma virou “adversária”.

 

Os adeptos da TL não percebem que não haverá uma verdadeira mudança no âmbito social, sem que haja uma conversão sincera, uma libertação de vícios. Toda libertação parte da primária libertação, a do pecado; onde houver pecado, mesmo que haja boas ações sociais no fim reinará a discórdia e a injustiça; o irônico é que o mesmo resultado causado pelo pecado, que é a perda da liberdade, é o mesmo resultado causado pelo comunismo.

 

116 O Papa bento XVI quando ainda era Cardeal Ratzinger nos disse qual era a forma de ação dos comunistas e consequentemente o perigo gritante de aceitarmos tal teologia: “A derrubada, por meio da violência revolucionária (do comunismo), de estruturas geradoras de injustiças, não é, pois, ipso facto o começo da instauração de um regime justo. Um fato marcante de nossa época deve ocupar a reflexão de todos aqueles que desejam sinceramente a verdadeira libertação dos seus irmãos. Milhões de nossos contemporâneos aspiram legitimamente a reencontrar as liberdades fundamentais de que estão privados por regimes totalitários e ateus, que tomaram o poder por caminhos revolucionários e violentos, exatamente em nome da libertação do povo. Não se pode desconhecer esta vergonha de nosso tempo, pretendendo proporciona-lhes liberdade da escravidão indigna do homem. Aqueles que, talvez por inconsciência, se tornam cúmplices de semelhantes escravidões, traem os pobres que eles queriam servir.” (RATZINGER, 1984, p. 49)

 

 

Conclusão:

 

Não me alongarei mais, pois quero que vocês mesmo tirem suas conclusões, façam seus estudos e constatações pessoais. Deixarei uma única pergunta a vocês: “Tenho eu buscado a aprovação dos homens ou a de Deus? Acaso procuro agradar aos homens?” (Gálatas 1, 10)

 

Autor: Pedro Henrique Alves

 

Bibliografia:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2014/06/29/papa-diz-que-os-comunistas-roubaram-bandeira-da-pobreza-da-igreja.htm

COURTOIS, Stéphane et al. O livro negro do comunismo, Bertrand Brasil, 1999.

Paulo VI, Octogesima adveniens, nº 34: AAS 63, 1971, pp. 424-425

RATZINGER, Joseph, Instrução sobre alguns aspectos da “Teologia da Libertação”, edições paulinas, 1984.

 


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