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Artigo

PERGUNTE e RESPONDEREMOS 57 – setembro 1962

 

UNIÃO DOS CRISTÃOS

DOGMÁTICA

APÓSTOLO LEIGO (Vitória): «Em nossos dias fala-se muito da união dos cristãos entre si. Que poderiam os fiéis católicos fazer para favorecê-la ?»

 

Em primeiro lugar, exporemos uma ou outra característica do movimento pró-união dos Cristãos. A seguir, consideraremos o papel que possa caber aos fiéis católicos nesse alvissareiro movimento.

 

1. Uma grande aspiração

 

1. Quem considera o panorama do Cristianismo em nossos dias, verifica que está expandido pela face do globo, abrangendo quase a terça parte da população mundial, ou seja, 960 milhões de almas num total de aproximadamente 2.800.000 de habitantes da terra. Contudo essa terça parte não é coesa em si, mas está, por sua vez, dividida em três frações. Existem, sim,

 

a) o bloco católico, isto é, universal, assim dito porque destinado a todos os homens sem distinção de nacionalidade;

apostólico, assim chamado porque se deriva de Cristo e dos Apóstolos ininterruptamente até o dia de hoje;

romano, assim designado, porque dentre os Apóstolos Cristo escolheu Pedro para confirmar seus irmãos na fé (cf. Lc 22,32) e apascentar suas ovelhas (cf. Jo 21, 15-17). Ora Pedro viveu e morreu como bispo de Roma. Donde se segue que «Igreja de Cristo vem a ser «Igreja petrina» e, consequentemente, «Igreja Romana», sem que isto implique em nacionalismo ou relativismo patriótico. Compreende cerca de 500 milhões de fiéis;

 

b)   o bloco ortodoxo, que desde 1054 não está mais em comunhão com Roma. Chama-se ortodoxo, porque nos séculos V/VII, durante os quais se propagaram as grandes heresias cristológicas (nestorianismo e monofisismo), ficou fiel à reta doutrina ou à ortodoxia. Compreende aproximadamente 200 milhões de almas;

 

c)    o bloco protestante ou evangélico, que tem suas origens na «Reforma» do séc. XVI; conta 260 milhões de crentes. — A comunhão anglicana ou episcopal é geralmente incluída dentro deste bloco. Os próprios anglicanos, porém, se apresentam muitas vezes como «Igreja-ponte» ou traço de união entre protestantes e católicos, pois abraçam simultaneamente algumas das características de um e outro bloco.

 

Já que este artigo tem por objetivo tratar da união entre os cristãos, não é da nossa alçada expor as características doutrinárias da ortodoxia e do protestantismo. Já foram apresentadas respectivamente em «P.R.» 10/1958, qu. 11; 17/1959, qu. 4.

 

2. A separação entre cristãos é muitas vezes considerada como um fato que se aceita e contra o qual nada se pode empreender; «será preciso carregá-la até o fim dos tempos!». Parece não haver mais esperança de reatar os vínculos rompidos.

 

Desde o início do século presente, porém, o Espírito Santo vem suscitando nos cristãos a dor da divisão mútua e o desejo cada vez mais vivo de reconstituir a unidade. Os discípulos de Cristo vão tomando consciência sempre mais clara de que este estado de coisas não se deve prorrogar, porque contradiz às intenções do Senhor (cf. Jo 17,21). É verdade que a Igreja Católica,- apesar das dolorosas crises que do seu seio arrancaram numerosos povos, não foi afetada. Ela se assemelha a uma árvore frondosa, da qual vendavais e tempestades quebraram e levaram ramos viçosos; a árvore permaneceu viva e firme, sim; feia se renova a partir do seu íntimo ou da sua seiva própria; é inegável, porém, que foi mutilada e que o tronco e os ramos arrancados permanecem relacionados entre si, como que a apelar mutuamente uns para os outros. — Destarte os fiéis católicos veem que, embora a natureza íntima da Igreja de Cristo não tenha sido afetada pelas heresias e os cismas, o desmembramento da Cristandade é uma verdadeira desgraça, desgraça para a qual o remédio seria o reatamento dos vínculos quebrados.

 

Entendamo-nos bem: o católico não julga que esteja faltando à Igreja Católica algo de essencial para ser a Igreja desejada por Cristo; os três blocos cristãos discriminados não constituem fragmentos incompletos de uma pretensa Igreja de Cristo que ainda deva ser constituída pela união mútua desses blocos. Não; o Cristo, que prometeu assistir aos Apóstolos e aos seus sucessores até a consumação dos séculos (cf. Mt 28,20), não terá frustrado a sua promessa, permitindo que a Igreja por Ele fundada se esfacelasse no decorrer dos séculos; o tronco ou a estrutura da Igreja não foram atingidos pelas calamidades dos tempos. Apesar disso, deve-se profundamente desejar que todos aqueles que professam o Cristo, O professem num só rebanho visível sob um Pastor, como preconizou Jesus (cf. Jo 10,16). Ademais, dizia Pio XI, «todas as partículas de uma rocha aurífera são auríferas»: o que quer dizer: qualquer dos blocos cristãos separados de Roma traz em si algo das riquezas espirituais que o Senhor confiou à sua Igreja; qualquer desses blocos tem suas características de doutrina e piedade que, ao menos em parte, podem ser profundamente edificantes para os fiéis católicos. Assim os luteranos põem o acento sobre a absoluta gratuidade da graça de Deus, os calvinistas enaltecem o contato assíduo com a Bíblia Sagrada, os ortodoxos ensinam o apreço pelos aspectos místicos da Igreja e por uma liturgia mais participada ou vivida em comunidade.

 

Destas considerações é que se origina e deve nutrir, tanto nos fiéis católicos como nos irmãos evangélicos e ortodoxos, o ardente anelo de união mútua. É preciso que todos sintam a dor de estar separados entre si, embora os cristãos católicos saibam que, por efeito da insondável liberalidade divina, nada de essencial lhes falta na Santa Igreja a que pertencem.

 

E como proceder para facilitar tão almejada união?

 

2. Os recursos a empregar

 

A união entre cristãos não há de resultar propriamente de sábios estudos realizados entre teólogos nem de entendimentos diplomáticos, mas será genuíno dom de Deus, e como tal deverá ser, antes do mais, impetrada por meios sobrenaturais, dos quais o primeiro será

 

1) a oração.

 

As autoridades eclesiásticas têm continuamente excitado os fiéis a rezar pela união. Em termos solenes fazia-o recentemente o Santo Padre João XXIII na encíclica «Ad Petri Cathedram», em que anunciava o próximo Concilio Ecumênico (o qual terá por finalidade remota favorecer a união dos cristãos):

 

«Nós, tendo em vista a conservação da unidade da Igreja e o aumento do redil de Cristo e do seu reino, elevamos súplicas à Benignidade Divina, dispensadora da luz celeste e de todos os bens, e exortamos também a orar com perseverança todos os Nossos Irmãos e filhos em Cristo. O bom êxito do futuro Concilio Ecumênico, mais do que da humana atividade e diligência, depende das ardentes orações elevadas por todos à porfia. Para elevarem estas súplicas a Deus, convidamos com afeto também aqueles que, não sendo deste redil, contudo prestam a Deus a devida honra e sinceramente procuram obedecer aos seus preceitos.

 

Aumente e coroe esta esperança e estes Nossos votos a oração sacerdotal de Cristo: 'Pai Santo, guarda no teu nome aqueles que Me deste, para que sejam um só, como Nós..., para que sejam perfeitos na unidade' (Jo 17, 11-23).

Esta oração, renovamo-la com o mundo católico unido a Nós; e fazemo-lo não só animados de viva chama de amor para com todos os povos, mas também com espírito de sincera humildade evangélica. Conhecemos a pequenez da Nossa pessoa, que Deus, não pelos Nossos méritos, mas por oculto desígnio Seu, se dignou elevar à dignidade de Sumo Pontífice. Por isto, a todos os Nossos irmãos e filhos separados desta Cátedra de Pedro repetimos as palavras: 'Eu sou José, vosso irmão' (Gên 45,4). Vinde, 'compreendei-Nos' (2 Cor 7,2); não queremos outra coisa, não desejamos outra coisa, não pedimos a Deus outra coisa senão a vossa salvação, a vossa eterna felicidade» (enc. cit. ns. 50-52).

 

Deve-se observar outrossim que, durante os preparativos da Assembléia geral do Conselho Mundial das Igrejas (entidades protestante e ortodoxa), realizada na cidade de Nova Delhi (índia) em novembro/dezembro de 1961, os bispos católicos da Suíça, da Holanda e da Índia exortaram seus fiéis a rezar pelos bons frutos de tal encontro.

 

Doutro lado, em todas as partes do mundo numerosas comunidades de cristãos não-católicos têm orado pelo feliz êxito do segundo Concílio Ecumênico do Vaticano.

 

Há mesmo duas épocas do ano que todos os cristãos (católicos e não-católicos) costumam dedicar especialmente à oração pró-união: a oitava de 18 a 25 de janeiro (isto é, da festa da Cátedra de S. Pedro à da Conversão de S. Paulo) e a novena anterior a Pentecostes (festa da fundação da Igreja).

 

Importa notar que a oitava de orações de janeiro (que é, aliás, a mais divulgada) foi instituída em 1908 por dois ministros anglicanos, Spencer Jones e Paul Watson, dos quais este nove meses mais tarde se converteu ao Catolicismo. — Foi Leão XIII quem em 1895 instituiu a novena de Pentecostes, para apressar «a obra de reconciliação dos irmãos separados».

 

Existem não poucos formulários de orações para a oitava de janeiro, tanto de origem católica como de origem protestante e ortodoxa. Para cada dia da oitava, costuma-se assinalar uma intenção unionista especial.

 

Eis um espécime católico :

 

«18 de janeiro — em prol da unidade de todos os cristãos;

19          de janeiro — ... que os cristãos sintam a dor da separação;

20          de janeiro — em prol da santificação dos católicos;

21          de janeiro — em prol da santificação dos ortodoxos;

22           de janeiro — em prol da santificação dos anglicanos;

23          de janeiro — em prol da santificação dos protestantes;

24          de janeiro — em prol da santificação das Igrejas de Missão;

25           de janeiro — em prol da unidade de todos os homens na caridade e na verdade de Cristo».

 

(Transcrito de um folheto publicado pelo Pe. Michalon P.S.S., Séminaire Universitaire, place Abbé-Larue, Lyon [5ème.] França).

 

Da parte do Conselho Mundial das Igrejas (protestante-ortodoxo), encontra-se, por exemplo, a seguinte lista:

 

1º dia da oitava — pela unidade de todos os cristãos;

2º dia da oitava — pelos católicos romanos;

3º dia da oitava — pelas Igrejas ortodoxas e as outras Igrejas orientais (nestoriana, monofisita...);

4º dia da oitava — pelos anglicanos e os Velhos-Católicos;

5º dia da oitava — pelos luteranos, presbiterianos e reformados (calvinistas);

6º dia da oitava — pelos batistas, congregacionalistas e metodistas ;

7º dia da oitava — pelos cristãos em favor dos quais ainda não oramos especialmente nos dias anteriores, assim como pelas Igrejas que já se uniram entre si;

8° dia da oitava — pela unidade de todo o gênero humano no amor e na verdade de Cristo».

 

(Extraído de um folheto editado pela Comissão de Fé e Constituição do Conselho Mundial das Igrejas, para o ano de 1962).

 

Não deve causar estranheza o fato de que se recomende a um católico a oração em prol da santificação dos protestantes e ortodoxos. Os irmãos protestantes e ortodoxos que sejam fiéis ao que a sua consciência lhes manda sem hesitação, santificam-se (por causa da sua boa fé, não por causa da sua «verdadeira» fé); ora, santificando-se, aproximam-se mais de Cristo, e, aproximando-se mais de Cristo, não podem deixar de ser beneficiados por mais pura visão da verdade e mais ardente amor a Cristo; adquirem assim novas possibilidades de voltar a «um só corpo, um só espírito,... um só Senhor, uma só fé» (cf. Ef 4,4s).

 

É o que sugeria ao Cardeal Saliège (de Tolosa) as seguintes palavras:

«Por conseguinte, orar para que nossos irmãos separadas cresçam em fervor, na fé em Jesus Cristo, será orar pela unidade».

 

Outro elemento sobrenatural que favorecerá a união será

 

2) A pureza de vida dos cristãos.

 

O valor da pureza ou da santidade de vida se depreende, em parte, do que acaba de ser dito.

 

Aos católicos incumbe, de maneira especial, o dever de se santificar, pois são particularmente responsáveis pela sorte da Igreja de Cristo; toca-lhes, sim, a obrigação de apresentar a genuína face da genuína Igreja. Inegavelmente, quanto mais os católicos forem fiéis ao seu ideal cristão, tanto maior será o poder de atração da Igreja sobre os não-católicos: «Eles esperam ver resplandecer a luz do Cristo Jesus em nossa vida, para se chegar a Ele, que é o Caminho, a Verdade e a Vida» (Cardeal Léger). Aos olhos dos homens, a Igreja se exprime pelos seus filhos, embora estes nem sempre correspondam aos ideais de sua Santa Mãe a Igreja.

 

Justamente em vista de uma renovação da vida católica é que o Santo Padre João XXIII convocou o próximo Concílio Ecumênico; uma vez tornada mais pura e atraente a face humana da Igreja, S. Santidade julga que mais fácil será dialogar com os irmãos não-católicos

«Não pedimos somente orações aos Nossos caríssimos filhos, pedimos-lhes também aquela renovação da vida cristã que, mais do que as orações, é. capaz de nos tornar Deus propício, a nós e aos nossos irmãos. Com prazer repetimos a todos vós as palavras... do Apóstolo das gentes: 'Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo' (Rom 13,14)...

Se, portanto, alguém teve a desgraça de se afastar do Divino Redentor por causa de suas faltas e pecados, pedimos-lhe encarecidamente que volte Àquele que é 'o Caminho, a Verdade e a Vida' (Jo 14,6) ; e, se alguém está tíbio, frouxo, remisso e negligente, renove a sua fé, e com o auxílio da graça divina alimente e consolide a virtude; finalmente, se alguém, com a ajuda de Deus, 'é justo, justifique-se mais; e, se é santo, santifique-se mais' (Apc 22,11).

... Esta renovação da vida cristã, esta vida virtuosa e santa, desejamo-la a todos vós e pedimos constantemente a Deus que vo-la conceda, não só aos que perseveram firmes na unidade da Igreja, mas também àqueles que se esforçam por entrar nela, trazidos pelo amor da verdade e por uma vontade sincera.

... Sem dúvida, o Concilio Ecumênico constituirá maravilhoso espetáculo de verdade, unidade e caridade, espetáculo que, ao ser contemplado pelos que vivem separados desta Sé Apostólica, os convidará, como esperamos, a buscar e conseguir a unidade pela qual Cristo dirigiu ao Pai do Céu a sua fervorosa oração» (ene. «Ad Petri Cathedram» ns. 81s. 85. 36).

 

Muito importa lembrar aqui que os dois principais fatores de união — a oração e a pureza de vida — são justamente os que mais estão ao alcance de toda e qualquer pessoa; não dependem nem de estudo nem de posses materiais nem de saúde, mas qualquer cristão, mesmo prostrado pela enfermidade e a dor, os pode pôr em prática. É preciso até dizer que os doentes, precisamente pelo fato de se configurarem mais à Paixão de Cristo-pelo sofrimento, mais habilitados estão a colaborar na Redenção do mundo, na expiação dos pecados e, por conseguinte, na reunião dos discípulos de Cristo em um só rebanho. Não deixem, pois, de oferecer ao Pai seus padecimentos em união com os de Jesus; assim fazendo, tenham certeza de que muito valiosa será sua vida aparentemente inútil!

 

Convém ainda enumerar entre os elementos de união

 

3) A abertura de mente é a melhor compreensão dos irmãos.

 

É Sua Santidade o Papa João XXIII quem o diz:

 

«Se nos dizemos e somos realmente irmãos,... pense cada qual não no que divide as almas, mas no que as pode unir em mútua compreensão e recíproca estima» (ene. «Ad Petri Cathedram» ns. 22s).

 

Os Sumos Pontífices têm manifestado o desejo de que os fiéis católicos se esforcem por conhecer melhor o modo de pensar dos irmãos não-católicos. Em vista disto, têm-se criado Institutos e cursos de estudos, têm-se fundado revistas e editado livros que divulgam na Igreja Católica o pensamento e os costumes de protestantes e ortodoxos. Pio XI, um dos grandes incentivadores desse movimento, observava :

 

«A fim de conseguir o reatamento dos vínculos, é, antes do mais, necessário que nos conheçamos e amemos. O conhecimento mútuo é, sim, necessário, pois se pode dizer que, se a obra de união foi tantas vezes frustrada, essas frustrações se devem ao fato de que não nos conhecíamos reciprocamente; se de ambos os lados houve preconceitos, é preciso que se dissipem».

 

Para facilitar o mútuo entendimento, é de grande valor a «volta às fontes» que se vai tornando cada vez mais comum entre os fiéis católicos. Sem dúvida, a Sagrada Escritura, a Liturgia e a tradição dos Pais da Igreja constituem bases comuns a todos os cristãos; são mananciais donde se depreendem a mais pura doutrina de Cristo e o mais autêntico modo de rezar. É, pois, muito desejável que se intensifique mais e mais tal movimento nos três setores da Cristandade.

 

À guisa de conclusão da presente resposta, vai abaixo transcrita uma fórmula católica de oração pro união, fórmula que bem atesta a sinceridade com a qual a Igreja deseja que o assunto seja .considerado pelos seus filhos:

«Pelos maus exemplos da nossa conduta, que tenham retardado, diminuído ou destruído os efeitos da graça nas almas de nossos irmãos cristãos.. .Todos Vos pedimos perdão, Senhor (1).

Por havermos negligenciado a oração frequente, férvida e fraterna por eles... Mós Vos pedimos perdão, Senhor.

Por cima das fronteiras de língua, raça e nação... Uni-nos, Jesus.

Por cima das nossas ignorâncias, dos nossos preconceitos, das nossas hostilidades espontâneas... Uni-nos, Jesus.

Por cima das nossas barreiras intelectuais e espirituais... Uni-nos, Jesus (2).

Ó Deus, para vossa maior glória... Reuni os cristãos dispersos.

Ó Deus, para o triunfo do bem e da verdade... Reuni os cristãos dispersos.

Ó Deus, para que haja um só rebanho e um só Pastor... Reuni os cristãos dispersos.

Ó Deus, para confundir o orgulho de Satanás e de seus agentes... Reuni os cristãos dispersos.

Ó Deus, para que finalmente reine a paz no mundo... Reuni os cristãos dispersos.

Ó Deus, para a maior alegria do vosso Filho... Reuni os cristãos dispersos».

 

(extraído do folheto de Lião na França, já citado nesta resposta).

 

Da parte protestante também é com lealdade que se reza:

«Senhor, Vós que quereis que os Vossos filhos sejam Um em Vós, nós Vos suplicamos pela unidade de Vossa Igreja. Perdoai tudo o que nossas separações deve ao nosso orgulho, à nossa incredulidade, à nossa falta de compreensão e de caridade. Não deixeis que nós nos acostumemos com as nossas divisões. Guardai-nos de considerar como normal aquilo que é escândalo para o mundo e uma ofensa para o Vosso amor. Mantende viva em nós a consciência do pecado que divide o que Vós unistes (3).

Livrai-nos da nossa mesquinhez, dos nossos rancores, dos nossos preconceitos. Ensinai-nos a reconhecer os dons da Vossa graça naqueles que se consideram Vossos. Aprofundai a nossa fidelidade à Vossa palavra e mantende-nos lúcidos e disponíveis em Vossas mãos. Não nos deixeis iludir por visões que nós mesmos imaginamos, andar temerária- mente por caminhos que não seriam os Vossos.

Por Vosso poder, Senhor, reuni o Vosso rebanho disperso sob a única autoridade de Vosso Filho, para que se cumpra o desígnio de Vossa benevolência e que o mundo conheça em Vós o único verdadeiro Deus e Aquele que Vós mandastes, Jesus Cristo. Amém».

 

(extraído da Liturgia da Igreja Reformada ou Calvinista).

 

(1)   Os pecados apontados nesta oração não são pecados da Igreja, mas de filhos da Igreja, que nem sempre estiveram à altura da sua vocação e que constantemente necessitam de uma palavra de estimulo.

(2)   Isto é, por cima das nossas modalidades humanas de pensar e viver.

(3)   Do ponto de vista católico, assim se entenderá o texto acima: não é a Igreja (Esposa de Cristo sem mancha nem ruga) que peca, mas são os filhos da Igreja que, dela destoando, pecam.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

 


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