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Artigo

PERGUNTE e RESPONDEREMOS 55 – julho 1962

 

O LIVRO “SEXO E AMOR”

CARRERA e LEITORA ANÔNIMA (Rio de Janeiro): “O livro ‘Sexo e Amor’ de Cláudio de Araújo Lima deturpa o ideal de sacerdotes e Religiosas recorrendo a exageros ou inverdades.

 

Haja vista o episódio da Papisa Joana, que o autor cita como se fôra realidade histórica. Hoje em dia não há escritor sério que desconheça o caráter lendário dessa narrativa; nunca houve Papisa, muito menos... a tal Papisa Joana ; veja-se a explicação do caso em "P. R." 3/1958, qu. 12. Não obstante, Araújo Lima explora o episódio para difamar as pessoas consagradas a Deus; se o faz, está agindo por ignorância e incompetência ou (o que seria pior) talvez por preconceitos de má fé ; em qualquer caso, porém, o escritor, assim procedendo, se desprestigia e perde autoridade; desclassifica-se.

 

É à luz desta observação que se devem julgar os demais episódios citados por Araújo Lima ; o autor é unilateral.

 

Ninguém poderá negar a fraqueza humana de muitos membros da Igreja (mesmo dos mais hierarquizados). Não é honesto, porém, crer simplòriamente em todo e qualquer caso escandaloso que se narre a tal propósito ; a documentação apresentada é muitas vezes mal interpretada ou até espúria. Ademais, a miséria moral dos filhos da Igreja não contamina a santidade da Igreja, que é a Esposa de Cristo sem mancha nem ruga, como diz S. Paulo (cf. Ef 5, 27); a própria Igreja é a primeira a denunciar e condenar o pecado, onde quer que ele se encontre.

 

A prova de que a perfeição da Igreja não coincide com a de seus filhos, mas a ultrapassa, é o fato de que Ela sempre tirou do seu intimo, ou dos seus próprios recursos, os meios para renovar os cristãos e o mundo, mesmo nas épocas de maior depravação moral (assim na Re- . nascença, por exemplo, à qual deu remédio o Concilio de Trento, séc. XVI). A Igreja como tal nunca foi reformada (nem o poderá ser), mas Ela reformou periòdicamente (e continuará a reformar), com a sua vitalidade, os seus setores necessitados de remodelação ou rejuvenescimento.- Isto se explica pelo fato de que é Cristo quem vive na Igreja, fazendo dela o seu Corpo Místico e garantindo-lhe uma atuação segura e infalível, mesmo quando estes ou aqueles dos seus filhos falham.

 

Não queira o observador identificar simplesmente a Igreja com a face humana do clero ou dos cristãos ; Ela possui, além deste seu aspecto sensível, uma realidade invisível, que é a vida do próprio Cristo ou do próprio Deus nela latente. Contudo o Senhor não nos dispensa de procurar e aceitar a face humana da Igreja, porque é pelos homens que Ele se quer dar aos homens.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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