REVISTA PeR (1595)'
     ||  Início  ->  
Artigo

PERGUNTE e RESPONDEREMOS – 54 junho 1962

 

FIDEL CASTRO E PERON EXCOMUNGADOS?

DEMOCRATA (São Paulo): «Afinal de contas, Fidel Castro está ou não está excomungado? E qual a situação religiosa do ex-presidente Perón, da Argentina?»

 

Após o que acaba de ser exposto na questão sobre a Excomunhão deste fascículo, verifica-se que Fidel Castro, chefe do governo de Cuba, que outrora professou o Catolicismo, hoje em dia é direto responsável por mais de um delito religioso ao qual está anexa a pena de excomunhão «latae sententiae» (ou estipulada pelo texto mesmo das leis canônicas). Com efeito, Fidel tem confiscado bens da Igreja (templos sagrados, colégios, casas religiosas), tem cometido violências contra sacerdotes (principalmente expulsando o Bispo auxiliar de Havana, Mons. Eduardo Boza Masdival); em suma, tem limitado de vários modos a liberdade e os direitos da Igreja — delitos estes que implicam, como se vê na lista publicada às págs. 244-6 deste volume, excomunhão reservada, de modo especial ou de modo simples, à Santa Sé.

 

Além disto, declarando-se marxista, Fidel incorreu na excomunhão que recai sobre os membros das sociedades antirreligiosas, sociedades entre as quais a Santa Sé em 1949 incluiu nomeadamente os partidos comunistas do mundo inteiro.

 

Não é necessária, portanto, declaração oficial das autoridades da Igreja para que Fidel esteja excomungado (de mais a mais que o governante cubano devia ter suficiente conhecimento de causa ao agir contra a Igreja). A Santa Sé até hoje evitou denunciar oficialmente a situação de censura em que se encontra Castro, a fim de não provocar inoportuna exasperação de ânimos e enrijamento de posições que ainda poderiam ser retratadas por parte do governo de Cuba. Apenas se pronunciaram a respeito, sem caráter oficial, alguns prelados, entre os quais Monsenhor Dino Staffa, conselheiro jurídico da Secretaria de Estado do Vaticano, num artigo publicado na revista (Studi Cattolici).

 

Quanto ao fato de ter recentemente o Papa João XXIII recebido um embaixador de Cuba, não significa aprovação da situação cubana ou retratação da excomunhão de Castro, mas, sim, deferência paterna para com o povo do Cuba que tem sofrido por amor à sua fé católica. O embaixador representa a nação como tal e não propriamente a pessoa do seu Chefe de governo.

 

A caridade dos católicos para com Fidel nesta hora há de se traduzir em orações instantes para que o infeliz estadista tome consciência da sua tremenda responsabilidade perante Deus.

 

A respeito do Presidente Perón, pode-se lembrar que em 1955 praticou feitos semelhantes ao de Fidel Castro, o que lhe acarretou naturalmente a mesma censura de excomunhão. Atendendo então a circunstâncias diferentes das que atualmente se verificam em Cuba, a Santa Sé houve por bem tornar conhecida ao público a situação irregular do governante argentino. Até hoje a pena não pôde ser suspensa. . . Eis, para os cristãos, mais uma intenção premente que está a motivar suas orações.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
4 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL -  FACEBOOK 
-

:-)