REFLEXõES (874)'
     ||  Início  ->  
Artigo

MÁSCARA E MORTE

 

Até no riso o coração sente dor e o fim da alegria é tristeza. (Pr 14,13).

 

Há muitos anos viveu um oficial do exército e muito famoso por seu bom humor e dom para a diversão. Ele era capaz de divertir todos os seus colegas com suas piadas e fazê-los ter ataques de riso. Sua criatividade era inesgotável e, com suas idéias espirituosas, o tempo parecia voar.

 

Certa noite ele estava em uma festa e, mais uma vez, era o mais exuberante e divertido de todos os convidados. Ele dava a impressão de nunca ter se sentido tão jovial e animado. Todos foram para casa comentando sobre seu entusiasmo contagiante.

 

Na manhã seguinte ele foi encontrado morto na cama. Havia se matado com um tiro. Sua personalidade efusiva, apreciada por muitos, nada mais era senão aparência e engano. As coisas em seu coração eram bem diferentes.

 

Ocasionalmente, comentavam que seus cabelos estavam ficando brancos, que estava envelhecendo, mas o oficial sempre saía com um gracejo e desconversava. Agora as rígidas expressões faciais de seu corpo morto contavam uma história diferente – a verdadeira história tanto suprimida em seu coração como bem escondida.

 

A alegria superficial pode logo se transformar em tristeza. E piadas engraçadas podem encobrir um profundo anseio por paz e satisfação. O coração humano só encontra repouso em Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Ele prometeu aos que creem nEle uma espécie de alegria que jamais o tempo, as circunstâncias, as dificuldades podem extinguir.

 

Ernest Hemingway, famoso escritor norte-americano, escreveu: “Tinha somente um horizonte, o do absurdo, o caminho que não leva a parte alguma... Minha vida é um caminho escuro que leva ao nada”. Hemingway, autor coroado de honra, convencido de que a vida não fazia sentido, se matou ao saber que tinha câncer.

 

Por outro lado, o autor de Provérbios, o rei e sábio Salomão que decidiu confiar em Deus, escreveu: “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pr 4,18).

 

Os fatos atualmente indicam que a última hora está cada vez mais perto. Sob as máscaras de alegria e contentamento estão corações vazios e feridos. As coisas se tornam piores e as tentativas de solucionar os problemas do mundo não funcionam. A moral, a fidelidade e a justiça se degeneram com uma velocidade impressionante e vemos trevas espirituais onde costumava estar a luz; o misticismo, o sectarismo e as religiões abundam, as pessoas se entregam avidamente a isso. O engano toma conta e a tragédia é inevitável!

 

Não encontrado o real sentido da vida e o fundamento da existência feliz e eterna, a pessoa vive no teatro das máscaras, que pode chegar ao cemitério sem aplausos.

 

A vida autêntica e a alegria verdadeira estão na posse da bênção da fé e da graça em Jesus Cristo.

 

Pe. Inácio José do Vale

Professor de História da Igreja - Instituto de Teologia Bento XVI -  Sociólogo em Ciência da Religião

E-mail: [email protected]


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
5 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL -  FACEBOOK 

:-)