REFLEXõES (1014)'
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Artigo

A Misericórdia de Deus

 

Superexaltat autem misericórdia judicium.

A misericórdia triunfa sobre o juízo. (Tg 2,13).

 

Por santo Afonso Maria de Ligório

Bispo e Doutor da Igreja

 

A bondade é comunicativa por natureza, isto é, tende a transmitir aos outros os seus bens.

Deus, que por sua natureza é a bondade infinitiva, sente vivo desejo de comunicar-nos sua felicidade e, por isso, propende mais á misericórdia do que ao castigo.

Castigar – diz Isaías – é a obra alheia ás inclinações da vontade divina.

Recusar-se á para fazer a sua obra (ou vingança), obra que se lhe é alheia, obra que lhe estranha?

Quando o senhor castiga nesta vida, é para fazer misericórdia na outra.

Mostra-se irritado afim de que nos emendemos e detestemos o pecado.

Se nos manda algum castigo, é porque nos ama e nos quer livrar das penas eternas.

Quem poderá admirar e louvar suficientemente a misericórdia com que Deus trata aos pecadores, esperando-os, chamando-os, acolhendo-os quando voltam para ele?

E antes de tudo, que graça valiosíssima nos concede Deus em esperar pela nossa penitência!...

Quando o ofendeste, meu irmão, o Senhor te podia ter feito morrer; mas, ao contrário, te esperou; e em vez de castigar-te, te cumulou de bens e te conservou a vida em sua paternal providência.

Fingia não ver teus pecados, afim de que te convertesse.

E como é isto, Senhor?

Vós que não podeis ver um só pecador, vedes tantos e calais?

Vedes aquele impudico, aquele vingativo, esse blasfemo, cujos pecados crescem de dia e não os castigais?

Por que tanta paciência?...

Deus espera o pecador, afim de que se arrependa e desse modo possa perdoar-lhe e salvá-lo.

 

A Misericórdia nas Palavras do Papa Francisco

A Igreja

 

“Eu creio que este seja o tempo da misericórdia. Esta mudança de época é também muitos problemas da Igreja – como o testemunho não bom de alguns padres, problemas inclusive de corrupção na Igreja, também o problema do clericalismo, só para exemplificar – deixaram muitos feridos. A Igreja é mãe: deve ir curar os feridos, com misericórdia (...) deve seguir por esse caminho de misericórdia e ir ao encontro de cada um com misericórdia. Penso que quando o filho pródigo voltou para casa, o pai não questionou. Não! O pai fez festa! Talvez depois, quando o filho quis falar, falou. A Igreja deve fazer assim: Quando há pessoas... não se limitar a esperar por elas, mas sair ao seu encontro! Esta é a misericórdia. Eu vejo este tempo como um Kairós (Tempo de Deus). Um Kairós de misericórdia. O primeiro que teve esta intuição foi João Paulo II quando começou com o processo de beatificação de Faustina Kowalska, com a instituição da festa da divina misericórdia... ele tinha algo em mente, ele intuíra que era uma necessidade deste tempo.”

Encontro do Santo Padre com os jornalistas

Durante o voo de regressão a Roma.

 

Aos Bispos

 

“Faz falta uma Igreja capaz de redescobrir as entranhas maternas da misericórdia. Sem a misericórdia, poucas possibilidades temos hoje de inserir-nos em um mundo de “feridos”, que tem necessidade de compreensão, perdão e amor.”

Encontro com o Episcopado Brasileiro.

 

“Os bispos devem ser pastores, próximos das pessoas, pais e irmãos, com grande mansidão: pacientes e misericordiosos. Homens que amem a pobreza quer a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida. Homens que não tenham “psicologia de príncipes”. Homens que não sejam ambiciosos e que sejam esposos de uma Igreja sem viver na expectativa de outra. Homens capazes de vigiar sobre o rebanho que lhes foi confiado e cuidando de tudo aquilo que o mantém unido: vigiar sobre o seu povo, atento a eventuais perigos que o ameacem, mas, sobretudo para fazer crescer a esperança: que haja sol e luz nos corações. Homens capazes de sustentar com amor e paciência os passos de Deus em seu povo”.

Encontro com a comissão de Coordenação do CELAM

No Centro de Estudos do Sumaré.

 

A Missão dos Fiéis

 

“Ele (Cristo) deu a sua vida para nos salvar e mostrar o amor e a misericórdia de Deus. Jesus não nos trata como escravos, mas como pessoas livres, como amigos, como irmãos, e não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor. (...) Não tenham medo de ir e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais, incluindo quem parece mais distantes, mais indiferentes. O Senhor procura a todos, quer que todos sintam o calor da sua misericórdia e do seu amor.”

Santa Missa pela Jornada Mundial da Juventude em Copacabana.

 

Para uma meditação abissal: “É graças ao Senhor que não somos aniquilados, porque não esgotou a sua misericórdia” (Lm 3,22).

Se o Majestoso Deus é tão rico em misericórdia para com os pecadores, porque não devemos ser para com os nossos próprios irmãos?

 

Pe. Inácio José do Vale

Professor de História da Igreja - Instituto de Teologia Bento XVI -  Sociólogo de Ciência da Religião

E-mail: [email protected]


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