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Artigo

PERGUNTE e RESPONDEREMOS 043 – junho 1961

 

AS CHAVES DE SÃO PEDRO e o SANTO PREPÚCIO

HISTÓRIA DO. CRISTIANISMO

E. M. (Poloni, SP): "Tem chamado a atenção um livro do escritor francês Roger Peyrefitte intitulado 'As chaves de São Pedro'. Sob forma de romance, parece apresentar aspectos íntimos e desconhecidos do Vaticano. Que crédito se lhe pode dar? Que há de positivo sobre a relíquia dita 'do Santo Prepúcio'?"

 

Visto que a segunda questão acima representa um dos particulares da anterior, daremos resposta a ambas simultânea- mente, examinando em primeiro lugar a personalidade e a obra do escritor R. Peyrefitte; a seguir, deter-nos-emos sobre um ou outro dos principais pontos de doutrina ou de história que o autor envolve no seu «romance».

 

1. Personalidade e obra de Peyrefitte

 

1. Dados biográficos : Roger Peyrefitte nasceu em agosto de 1907 na cidade de Castre (Sul da França). Iniciou seus estudos em colégios dos padres lazaristas e jesuítas, indo terminar o curso secundário em Colégio do Governo; por motivo de indisciplina, mereceu ser expulso da escola. A seguir, formou-se em Letras pela Universidade de Tolosa. Em 1930 concluiu os cursos da Escola de Ciências Políticas (seção diplomática) de Paris, entrando, no ano seguinte no Ministério das Relações Exteriores («Quai d'Orsay») da França. De 1933 a 1938 esteve em Atenas como Secretário de Embaixada. Em 1940, por razões pessoais demitiu-se da carreira, à qual voltou três anos mais tarde, quando o Governo de Vichy lhe confiou importante missão; finalmente em 1945 motivos políticos acarretaram o seu definitivo afastamento da diplomacia, o que lhe proporcionou mais tempo e tranquilidade para se dedicar à sua

 

2. Obra literária : em 1944 Peyrefitte publicava o seu primeiro escrito com o titulo «Les Amitiés particulières» («As amizades particulares»); seu estilo fluente e seu gênio satírico aplicados a assuntos melindrosos conquistaram para o autor a atenção de numeroso público. Já então Peyrefitte manifestava as características das suas obras posteriores: gosto doentio do deboche, predileção, pelo aviltamento e o escândalo, tendência a caricaturar e deturpar personalidades,

 

Estas características tiveram consequências mais graves quando Peyrefitte em 1951 deu1 a lume o romance intitulado «Les Ambassades» e em 1953 a continuação (ainda mais satírica) dessa obra : «La Fin des Ambassades»: em linguagem dissimulada, dentro de enredo aparentemente imaginário e inofensivo, Peyrefitte visava personagens reais do mundo diplomático (do «Quai d'Orsay», de Vichy e do estrangeiro), difamando-os em público; embora se referisse à história de anos sérios e trágicos da Europa, Peyrefitte só mostrava interesse pelos aspectos corriqueiros e mesquinhos da vida quotidiana, ou seja, pelas histórias e intrigas que se costumam contar nas antecâmaras dos grandes homens. Em vista desses escritos, o Ministério das Relações Exteriores da França baixou um comunicado de protesto e retificação.

 

A sadia crítica literária não foi menos explicita na sua repulsa... Eis como se exprimia Jean Rimaud a respeito de «Les Ambassades»:

«A rápida estada de Peyrefitte na carreira diplomática... deu-lhe ensejo de colecionar anedotas e casos burlescos próprios para descrever o mundo dos diplomatas como se fôra um mundo de imbecis e perversos. Não precisamos de chave para decifrar esse pretenso romance, onde são nomeados todos aqueles que a escritor se gaba de atingir por um vingativo desprezo. A luxúria, já por si só, é algo de repugnante; doutro lado, o ódio obstinado em deturpar é a mais baixa das paixões; associados, porém, um ao outro, a luxúria e o ódio só podem merecer um qualificativo: são algo de mortífero» (Études 271, novembro de 1951, pág. 284s).

 

Após os seus primeiros ensaios literários, Peyrefitte conseguiu passar alguns meses, como hóspede, no Vaticano, usufruindo de franco e benévolo acolhimento, o qual lhe permitiu observar de perto a vida do Estado Pontifício. Findo esse estágio, o escritor francês resolveu em 1955 publicar suas «memórias» sob forma de romance intitulado «Les Clés de Saint Pierre». Nesta obra manifesta-se a mesma mentalidade amiga dos equívocos premeditados, da ironia, dos pormenores mesquinhos, mentalidade portadora de veneno cético e mortífero para o espírito dos leitores. O autor envolve no seu enredo as mais eminentes personalidades (Cardeais e outros Prelados) da Cúria Romana, atribuindo-lhes afirmações e atitudes «simploriamente ridículas»; a essas caricaturas ele consegue dar a aparência de verossimilhança, pois cita documentos e episódios (às vezes, reais; muitas vezes, porém, forjados ou ao menos falsamente interpretados). O fraseado leve (ou leviano), dotado de certa «graça», e o tom «quase» inofensivo das cenas descritas (a sátira é não raro hàbilmente camuflada por meias-palavras) fazem que o leitor da obra respire o deboche e a incredulidade sem o perceber nem querer; a mistificação é assim sorrateiramente difundida.

 

Vai abaixo transcrita a apreciação do livro devida ao critico literário André Blanchet, o qual parece ter apreendido com acerto os traços característicos da obra «As chaves de São Pedro»:

 

«Roger Peyrefitte ataca de preferência aquilo que cada um de nós respeita e só focaliza os aspectos mesquinhos.' Já nos eram conhecidas as suas 'memórias' referentes a colégios e embaixadas. É fácil imaginar a fascinação que a Roma dos Papas não podia deixar de exercer sobre ele. Está claro: nem tudo foi inventado nessa compilação de anedotas e sátiras, — anedotas comuns nos recantos de corredores e sátiras que parecem reconstituídas mediante o material das cestas de papel inutilizado. Após essa pobre' aventura literária é Roger Peyrefitte mesmo quem aparece diminuído, pois a sua paixão de colecionar taras humanas reveste desta vez todas as características da obsessão.

... Peyrefitte é um Petrônio podre de civilização, capaz de fazer apodrecer tudo que ele toca; é um decadente cuja linguagem elegante gera um prazer equivoco. Não exageremos, de resto, os méritos de um 'romance" que não é romance e que está carregado de afirmações maníacas... Para apresentar as suas historiazinhas sujas, Anatole France usava ao menos de pinças...

 

Quanto ao livro de Peyrefitte, é tal que nem com pinças pode ser apreendido» (Études 285, junho de 1955, 429).

Numa palavra: abusando de instrumentos de trabalho que a Santa Sé lhe concedeu em benévola hospedagem, Peyrefitte voltou-se contra a Igreja; em consequência, foi, por alguns críticos, cognominado «perfide», ou seja, violador da fidelidade (segundo a etimologia da palavra)...

 

A fim de se entender melhor ainda a mente do escritor, convém aqui mencionar...

 

3. O «caso Peyrefitte». Após haver escrito mais um «romance» satírico contra a Santa Sé dito «Les Chevaliers de Malte» («Os Cavaleiros de Malta»), Roger Peyrefitte resolveu publicar no jornal de Paris «Prétexte» um artigo sobre «A Roma dos Papas», artigo traduzido para o italiano e reeditado pelo diário esquerdista «Paese Serás da Itália nos inícios de 1958, quando comunistas e não comunistas na Itália se debatiam fortemente em campanha eleitoral (estando a Santa Sé muito interessada no embate, como se compreende).

 

Nesse escrito, Peyrefitte acusava o Papado de aspirar a um domínio universal mediante intervenção em setores que não seriam da sua alçada. E quais as razões de Peyrefitte para afirmar isto? — Além dos clássicos argumentos anticlericais, citava os seguintes : o Papa recebe congressistas das mais diversas ciências e técnicas que se reúnem em Roma; o Papa intervém em questões de trajes e modas, e condena certos cartazes (obscenos) afixados nas ruas de Roma; o arcebispo de Milão, hoje Cardeal Montini, ao realizar recentemente grande missão popular na sua diocese, utilizara os prédios escolares de Milão! Por fim, Pio XH era acusado de «nepotismo» ou de favoritismo para com os seus familiares.

 

De passagem, diga-se: a argumentação era evidentemente precária... Está claro que só comparecem em audiência papal os congressistas que o queiram; cada audiência, aliás, é meramente esporádica. — Assuntos de trajes e modas não são reservados apenas a técnicos e comerciantes, mas são de competência da Igreja, já que esta é tutora da moralidade; o mesmo se diga a propósito de qualquer outra expressão da vida social em que' a Moral possa ser direta ou indiretamente afetada. — Por fim, o uso de edifícios escolares por ocasião de grandes movimentos populares é praxe comum, autorizada pelos poderes públicos, praxe de que se beneficiam tanto a Igreja como sociedades culturais, científicas, esportivas, etc.

 

Diante de tais acusações, o jornal «Osservatore Romano» (24/25-11-1958) publicou decidido protesto. Por sua vez, o Procurador da República Italiana em Roma intimou o Sr. Peyrefitte a comparecer perante tribunal italiano aos 14 de1 abril de 1958, juntamente com o Diretor do jornal «Paese Sera», a fim de responder por «ofensas públicas feitas em território italiano à honra e ao prestigio do Sumo Pontífice Pio XII»...

 

A julgar pela imprensa e os órgãos de publicidade posteriores, parece que o caso não teve ulteriores consequências.

 

4. A tradução brasileira do livro «Les Clés de Saint Pierre» apareceu em 1961 no Rio de Janeiro e muito deixa a desejar, pois revela pouca compreensão do tradutor em relação tanto à língua original como ao assunto abordado. Há passagens que só se entendem caso se reconstitua o respectivo teor francês; assim entre outras:

pág. 7: «... o segredo do bem das coisas romanas» («... lese- cret de bien des choses romaines»). Isto é; o segredo de muitas das coisas ocorrentes em Roma.

pág. 49 : «um menino de coro» que responde à Missa, é o equivalente literal ao francês «un enfant de choeur»; em português, diz-se «um acólito».

pág. 100 : «... tinham o ar de dar vida a uma destas estampas»; a expressão «avoir l'air de» traduz-se por «ter o aspecto, a aparência» ou «parecer». O mesmo galicismo ocorre na pág. 274.

pág. 100: «rosários benditos». Benis, no caso, daria em português «bentos».

pág. 230: «relíquia da santa Creche». A «creche» do francês seria o «presépio» da língua portuguesa.

 

Por estes e outros exemplos que se poderiam citar, vê-se que pouco habilitada está para ridicularizar o Vaticano uma obra que por si mesma já tem seus traços de ridículo. A mediocridade da forma literária brasileira talvez revele algo do interesse dos respectivos editores: causar sensacionalismo, antes que difundir a verdade e educar o público.

Passemos agora à consideração dos pontos de doutrina e história que o escritor francês focaliza no seu «romance».

 

2. Os temas postos em causa

 

Peyrefitte se compraz em explorar os aspectos humanos e, não raro, deficientes dos filhos da Igreja. Tais aspectos são secundários dentro do Catolicismo, pois na verdade a Igreja não se identifica com as pessoas que lhe aderem, por mais graduadas que sejam. Na medida em que tais aspectos humanos são falhos, a Igreja é a primeira a lamentá-los. Não obstante, quem lê Peyrefitte tem a impressão de que tais deficiências constituem o âmago mesmo da vida da Igreja. Em última análise, será sempre necessário distinguir entre os mandamentos oficiais da Igreja, de um lado, e, de outro, os dizeres e gestos, particulares dos filhos da Igreja; nenhum destes, nem mesmo os mais altamente colocados, está isento da fraqueza humana. Se, não obstante, a Igreja subsiste, tem-se neste fato o mais eloquente testemunho de que Ela é de instituição divina e o Senhor Deus mesmo a sustenta. Cf. «P.R.» 39/1961, qu. 2.

 

Peyrefitte está munido de certa documentação, assim como de experiência direta da vida no Vaticano; mas tende a generalizar, exagerar ou desviar o que sabe ou viu. tornando-se assim capcioso para o leitoi1 desprevenido e atingindo as raias do enfadonho e do obsessivo. Em consequência, compreende-se esteja o romance «As chaves de São Pedro» no índice! dos livros proibidos.

Examinemos agora alguns dos tópicos que mais têm chamado a atenção do público.

 

2.1. O «Santo Prepúcio». Prepúcio vem a ser uma membrana do corpo humano que o rito da circuncisão (muito espalhado entre os povos antigos) atingia. Cf. «P. R.» 12/1958, qu. 5.

 

Ora Peyrefitte, nas págs. 223-237 da edição brasileira de seu livro, se demora em explorar certa história em torno do «prepúcio do Senhor». Hoje em dia a critica reconhece unanimemente tratar-se de uma falsa relíquia de Cristo; o romancista francês, porém, escrevendo como se ignorasse esta sentença, induz o leitor em equívoco.

Qual é então a verdade a respeito do «prepúcio de Jesus»?

 

Os escritores antigos não conheciam tal relíquia. Alguns, como Orígenes (+254/55), Severo de Antioquia (+538), Anastásio Sinaíta (+ após 700), chegaram a negar a possibilidade de haver tal coisa. Não obstante, a imaginação popular da Idade Média, movida por piedade exuberante e infantil, concebeu a «história» do «praeputium Domini» ou do prepúcio do Senhor: a partir do séc. XII (ou seja, à distância de três séculos de Carlos Magno), narrava-se que Carlos Magno (f 814) recebera de um anjo do Senhor essa pretensa relíquia na cidade de Jerusalém (cidade, aliás, onde Carlos Magno nunca esteve); tê-la-ia trazido para Aquisgrano, residência imperial; de lá o próprio Carlos Magno ou, conforme outra versão, Carlos o Calvo (+877) a haveria transferido para Charroux, na diocese de Poitiers; de Charroux dizia-se que passara para Roma; não obstante, continuava a ser venerada naquela cidade francesa!

 

No tocante a Roma, narrativas do séc. XII referem que esteve primeiramente na basílica do Latrão; haverá sido colocada num relicário em forma de cruz de ouro ornada de pedras preciosas. Na época dos Papas Urbano V (1362-70) ou Leão X (1513-21), tê-la-ão trasladado para um pequeno cofre de aço; em 1527, por ocasião da pilhagem de Roma haverá sido roubada, mas em 1557 de novo encontrada em Calcata perto de Nepi, onde os fiéis lhe terão prestado veneração até 1902.

 

Ainda em outras localidades européias a população acreditou possuir a pretensa relíquia; assim na catedral de Antuérpia (donde terá desaparecido no séc. XVI). na de Le Puy (incendiada em 1793), na Abadia de Conques...

 

Que dizer de tais proposições?

 

Não possuindo senso crítico muito apurado, carecendo outrossim de exatas fontes históricas, os medievais, inspirados principalmente por piedade viva e exuberante, não viam motivo para duvidar da autenticidade da relíquia que, como se dizia, haveria sido «conservada e transmitida por um anjo aos homens»!... As autoridades eclesiásticas, não tendo elementos positivos para impugnar tal crença, aceitavam-na geralmente e permitiam a respectiva devoção popular (sem, porém, proferir alguma definição oficial a respeito). Em todo o decorrer da história, ouviram-se, antes, vozes a duvidar, como, por exemplo, a do Papa Inocêncio III (t 1216), que, após haver exposto seus motivos de reserva em relação ao «santo prepúcio», concluía : «Melhor é entregar todo o caso a Deus do que temeràriamente definir algo a esse propósito» (Duranti, Rat. IV 42 n" 8; Legenda áurea 13). Na época moderna, a dita devoção foi-se esvaecendo por si mesma; seria hoje diretamente contraditada pelas autoridades eclesiásticas.

 

No caso, importa salientar bem que o magistério solene da Igreja nunca se definiu a respeito do «santo prepúcio»; só não o rejeitou par não possuir documentos positivos aptos para refutar quanto se havia escrito sobre o assunto. Em nossos dias, quando se conhece melhor a história antiga, prelados e teólogos não1 hesitam em repelir tal crendice, ao contrário do que insinua Peyrefitte (pág. 223).

 

2.2. As indulgências. O romancista muito se detém sobre histórias que envolvem a praxe das indulgências, insinuando ser a piedade católica algo de mercantil ou mecânico, destituído de genuíno espírito religioso.

Engana-se, pois generaliza casos em que a piedade popular .se desviou evidentemente da doutrina da Igreja.

 

Esta, no tocante às indulgências, já foi exposta em «P. R.» 2/1958, qu. 2. Recapitulando-a brevemente, lembraremos que a praxe das indulgências tem sua origem nos ritos penitenciais da antiga Igreja: os cristãos que houvessem pecado gravemente, se submetiam a severa satisfação (jejuns protraídos, cilício, peregrinações...); depois que a tivessem prestado, eram absolvidos sacramentalmente. Aos poucos, porém, a Sta. Igreja, a quem Cristo confiou o poder das chaves (cf. Mt 16,17s; 18,18), foi abrandando a praxe: passou a dar a absolvição sacramental logo depois da acusação contrita dos pecados; quanto à satisfação (jejuns, cilício, peregrinação...), ela poderia ser prestada mais tarde. No decurso dos tempos, também a satisfação foi mitigada: a Sta. Igreja começou a determinar certas obras de fácil execução (como orações e esmolas), obras que, realizadas contritamente pelos fiéis, mereceriam para estes a indulgência, ou seja, o perdão da dura penitência que na antiguidade deveriam prestar por toda uma quarentena de dias ou por cem dias ou por um ano, etc. ... Indulgenciando tais obras, a Sta. Igreja procedia (e procede) como depositária dos méritos de Cristo; estes podem perfeitamente ser aplicados a perdoar não somente a culpa do pecado, mas também a pena satisfatória exigida por todo pecado. — Compreende-se, porém, que, para lucrar a indulgência mediante uma obra boa (orações, jaculatórias ou esmolas), os fiéis devem nutrir em seu íntimo a profunda contrição que tinham os antigos quando realizavam uma quarentena ou mais de jejum e penitência pública. Ora, já que não é fácil excitar tal contrição quando se pratica uma breve oração ou esmola, asseveram os teólogos ser muito raro lucrar indulgências. Embora estas venham generosamente oferecidas pela Sta. Igreja, não se pode dizer que os fiéis as adquirem todas as vezes que pratiquem obras indulgenciadas (ninguém tem certeza de haver possuído as disposições de contrição e caridade necessárias para tanto). Quanto esta doutrina está longe de formalismo e mercantilismo!

 

Pois bem. Peyrefitte, à pág. 42, afirma que, conforme os comentadores do cânon 925 § 2, para ganhar alguma indulgência, não é necessário ter a intenção de a lucrar; bastaria simplesmente saber da existência de tal ou tal indulgência. — Ora os comentadores ensinam justamente o contrário: não basta saber..., mas é preciso querer ganhar as indulgências. Acontece, porém, que este ato de querer pode ser habitual ou geral, isto é, basta que alguém possua de maneira habitual a intenção de ganhar todas as indulgências anexas às boas obras


da vida cristã. Se alguém renova esta intenção periodicamente, todos os dias de manhã (se possível), não é necessário que a reitere antes de efetuar cada obra' indulgenciada; requer-se, porém, que efetue tal obra com toda a contrição de que é capaz.

 

As outras invectivas satíricas de Peyrefitte não merecem detida atenção por parte de um observador sério e sereno, pois se apresentam evidentemente tendenciosas. Por conseguinte, limitamo-nos aqui a indicar as passagens de «P.R.» onde o leitor poderá encontrar elucidação para outros temas maltratados pela pena do romancista francês:

 

- As muitas «Nossas Senhoras» (pág. 35-37). Cf. «P. R.» 6/1958, correspondência miúda. Trata-se apenas de diversos títulos ou aspectos mediante os quais é invocada a única Virgem Maria, Senhora Nossa: assim Maria, em seu aspecto de Imaculada desde a conceição, é dita «Nossa Senhora da Conceição» ou «a Imaculada Conceição»; em seu aspecto de exaltada aos céus em corpo e alma, é chamada «Nos- ca Senhora da Glória» ou «da Assunção»; em seus aspectos de aparecida em Fátima, Lourdes, etc., é invocada como «Nossa Senhora de Fátima, de Lourdes», etc.

- O escapulário e suas modalidades (pág. 297). Cf. «P. R.» 8/1958, qu. 6.

- O «Agnus Deb (pág. 185-188). Cf. «P. R.» 11/1958, qu. 3.

- As relíquias, sua autenticidade e seu culto (pág. 109-112). Cf. i-P. R.» 29/1960, qu. 3.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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