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Artigo

PERGUNTE e RESPONDEREMOS 031 – julho 1960

 

Entre dois Mundos

MORAL

C. S. R. (Rio de Janeiro): “Qual o valor do livro 'Entre dois mundos', de Kathryn Hulme?

Não significa que a vida de convento, impondo obediência estrita, impede a plena expansão da personalidade, devendo por isto ser remodelada em nossos dias?

 

A questão versa sobre o livro «The Nun's Story» (História de uma Freira) da escritora norte-americana Kathryn Hulme, publicado em setembro de 1956. A obra logrou sucesso extraordinário, atingindo a tiragem de três milhões de exemplares nos Estados Unidos. Recomendada nesse país pelo «Clube do Livro do Mês», pelo «Clube do Livro das Seleções» e pelo «Clube do Livro Católico», traduzida para treze idiomas (para o português, sob o título «Entre dois mundos», ed. AGIR. Rio de Janeiro), essa peça literária foi também difundida em filme da «Warner Brothers» (cf. a revista «Life en español», 13 de julho de 1959).

 

Em última análise, o livro de Kathryn Hulme lança graves questões sobre o valor da vida consagrada a Deus por votos religiosos. Há quem tenha, através da respectiva leitura, concebido mais clara noção da vida claustral; mas também há quem haja deduzido suas conclusões negativas... É, portanto, em meio às diversas opiniões que nos importa traçar alguns fios condutores. Para melhor o conseguir, reconstituiremos, antes do mais. o conteúdo da célebre obra; a seguir, tentaremos avaliá-la serenamente.

 

1. A narrativa do famoso livro

 

Kathryn Hulme pretende relatar com fidelidade os dados biográficos e o drama íntimo de uma Religiosa que, após 16 anos de vida regular, se julgou impossibilitada de continuar no convento, a menos de se tornar hipócrita; obteve então da autoridade religiosa a dispensa de seus votos e voltou para o século.

 

A protagonista do enredo chamava-se Gabrielle Van Der Mal. Filha de um dos mais competentes cardiologistas da Bélgica, resolveu aos 21 anos de idade entrar numa Congregação Religiosa destinada ao serviço dos enfermos. Irmã Lucas (tal veio a ser o seu nome em Religião), tendo emitido os votos, serviu em um hospital de alienados e foi mandada para o Congo Belga, onde passou sete anos muito devotados aos doentes; havendo ela mesma sucumbido à moléstia, viu-se de novo chamada à Bélgica, justamente quando na Europa se iniciava a segunda conflagração mundial; durante a ocupação nazista, trabalhou no hospital da Trindade, junto à fronteira belgo-holandesa. Foi nesses anos de guerra que eclodiu a sua crise de vocação, crise que, havia muito, se ia esboçando: a Irmã Lucas, possuidora de temperamento assaz amigo da autonomia, dotada outrossim de notável inteligência e cultura, dificilmente se submetia à disciplina da Regra; a título de melhor praticar a caridade, postergava um tanto a fidelidade aos seus sagrados votos. Principalmente na Bélgica, sob o regime nazista, a Religiosa tomou atitudes que a punham em sucessivos conflitos com a Regra e as Superioras: tentava auxiliar a resistência aos nazistas, guardando em seu coração ressentimentos e animosidade; recebia, fora dos trâmites habituais da vida religiosa, jornais clandestinos, mediante os quais veio a saber da morte de seu pai assassinado pelos nazistas. Consciente de que estava desempenhando no convento um papel ambíguo, a Irmã Lucas, não obstante, não se sentia disposta a se reintegrar dentro da disciplina claustral; o conflito assim chegou ao auge, impelindo finalmente a Religiosa a pedir a dispensa de seus compromissos, embora as Superioras muito lhe aconselhassem tentasse readaptar-se à observância conventual... Gabrielle Van Der Mal acabou voltando ao século, devidamente desligada da sua profissão regular; em 1945, num campo de deslocados da U.N.R.R.A. encontrou Kathryn Hulme, a quem narrou aos poucos a sua história anterior. Ora foi justamente essa narrativa que a escritora norte-americana pretendeu apresentar ao público dez anos mais tarde sob forma de biografia, muito agradável e atraente por seu estilo, intitulada «The Nun's Story».

 

2. E agora, como apreciar o livro?

 

2.1. A primeira impressão que se tem quando se acaba de ler a obra de Kathryn Hulme é de que a vida claustral (exemplificada por aquilo que tal autora descreveu) está hoje em dia estereotipada, reduzindo-se a uma série de observâncias destituídas de espírito; as Regras, em vez de fomentar a expansão do amor e o desenvolvimento autêntico das personalidades, seriam motivo de depauperamento; o ideal da Religiosa que por sua exatidão se tornou «Regra viva», estaria em contraste com a realidade da vida. Os Superiores Religiosos, através do mencionado livro, aparecem como pessoas que por suas ordens mortificam os súditos de maneira arbitrária, sem procurar averiguar se seus preceitos estão ou não estão acomodados às circunstâncias próprias de cada caso.

 

2.2. Pois bem; diante de tal impressão, certamente a primeira questão que um espírito crítico e honesto deve propor, é a seguinte: será que o enredo narrado por Kathryn Hulme corresponde fielmente à história que Gabriela viveu no convento?

 

— Em resposta, dir-se-á que, embora Kathryn não tenha tido a intenção de fazer da vida de Irmã Lucas um romance, ela parece não haver reproduzido com exatidão a realidade que a Irmã Lucas experimentou. Com efeito, cada um dos quadros particulares que K. Hulme descreve, tem sua verossimilhança, podendo ser considerado fidedigno; ninguém negará falhas de orientação cometidas por Superioras Religiosas pouco abertas à vida moderna; ninguém desconhecerá a necessidade de atualização («aggiornamento») preconizada pelo Santo Padre o Papa XII para as Ordens e Congregações Religiosas. Falta de inteligência e falta de generosidade podem existir em toda parte onde haja criaturas humanas. Contudo, o conjunto que resulta dos quadros e episódios particulares referidos por Kathryn Hulme é demasiado seco e formalista para que se possa crer corresponda a realidade de alguma das comunidades religiosas hoje existentes na Santa Igreja. Em particular, está averiguado que a Congregação Religiosa (mantida no livro sob anonimato) à qual Gabriela Van Der Mal pertenceu, longe de ser espiritualmente estéril, é, ao contrário, movida por autêntico fervor. À vista disto, a crítica pergunta se Kathryn Hulme, desejosa de melhor realçar o drama íntimo e as lições de psicologia do enredo, não «estilizou», exagerando alguns traços do «formalismo», e omitindo outros, que os contrabalançariam, sacrificando, em suma, algo da plena realidade histórica, a fim de mais vivamente impressionar os leitores e incutir-lhes profunda reflexão sobre o assunto. Há mesmo quem julgue ter Kathryn Hulme apresentado uma «caricatura» da vida religiosa (quem assim pensa, não duvida de que a escritora norte-americana haja sido animada por sincera intenção de fazer crítica construtiva).

 

«O livro é perturbador pelo quadro que ele oferece da vida religiosa. Exato na aparência, mas falso no fundo; materialmente verossímil, a obra, na verdade, faz caricatura. Pois a vida religiosa que ela apresenta é demasiado carecente de alma: observância perfeitamente correta, mas destituída de interioridade...

 

Se tal é a vida religiosa, se o culto da Regra põe de lado a caridade evangélica, compreende-se bem que a Irmã Lucas não a tenha podido sustentar. Mas compreende-se menos bem que ela tenha sustentado dezesseis anos... Ora justamente recuso-me a aceitar esse quadro da vida religiosa. Rejeito-o, porque não é cristão. Não me venham dizer que as coisas em tal ou tal Congregação não se apresentam tão estéreis e formalistas. Tenho certeza de que em parte alguma as coisas se dão como o livro as descreve» (H. Holstein, em «Études» décembre 1957, 427).

 

Não podemos deixar de levar em conta a opinião de tais críticos que julgam haver Kathryn Hulme visado finalidades doutrinárias mais do que historiográficas ao compor os quadros da vida de Irmã Lucas. Tal sentença nos parece acertada.

 

2.3. Outra observação se impõe ao leitor sereno: se a Irmã Lucas suportou durante dezesseis anos a sua vida conventual e depois a abandonou, é de crer que este passo final não tenha sido motivado exclusivamente pelas deficiências da mentalidade do ambiente. A própria narrativa sugere, sim, que Gabriela, da sua parte mesma, foi declinando do fervor inicial; foi perdendo seu espírito de Religiosa consagrada a Deus, para mais e mais dar lugar à mentalidade de uma enfermeira ou de uma pessoa simplesmente zelosa em seu «métier» de tratar os doentes...

 

Entre parênteses fazemos questão de realçar que as observações aqui propostas visam a «Irmã Lucas» do livro de Kathryn, a qual talvez não se identifique com a Irmã Lucas da realidade; somente Deus é capaz de julgar a consciência desta irmã; apreciamos aqui apenas o que a narrativa escrita nos apresenta.

 

Não há dúvida, tal narrativa refere na conduta da Irmã Lucas algumas infidelidades à Regra, que não podiam deixar de ser ao mesmo tempo infidelidades a uma consciência de Religiosa. Assim em sua estada no Congo a enfermeira permitiu que seu coração se apegasse em termos sentimentais e exagerados a certas pessoas; conservou esse apego levando consigo «lembrancinhas» que, de volta à Bélgica, ela acariciava mentalmente, fugindo morbidamente à nova realidade em que se achava; durante a guerra, parece ter-se deixado penetrar demais por sentimentos de aversão aos invasores da pátria (o que não condiz com o espírito de uma pessoa totalmente consagrada a Deus); em suma, “a obediência... como Cristo a praticou” tornou-se o ponto em que a Irmã Lucas mais e mais deliberadamente foi falhando (cf. «Entre dois mundos» 413). Ora inegavelmente a vida religiosa, com seu três votos, só pode ser justificada e abraçada (em toda e qualquer época ou região) em vista da mais perfeita imitação de Cristo.

 

Estas observações sugerem a conclusão de que os conflitos íntimos da Irmã Lucas não foram todos devidos à visão estreita e ao formalismo de suas Superioras ou de suas Irmãs de hábito. Em certo grau, a luta interior e o mal-estar se introduziram na Irmã Lucas porque esta nutriu afetos que em caso algum (nem no mais atualizado dos conventos) se justificariam: afetos, sim, fúteis e incoerentes, que significavam contradição ao ideal mesmo da vida religiosa, que é vida de totalidade e plenitude para Deus.

 

A prova de que o ambiente da Congregação da Religiosa egressa não era realmente estéril do ponto de vista espiritual, mas oferecia a uma donzela, filha do século XX, os genuínos atrativos da vida religiosa, é que uma jovem secular, Lisa, discípula da Irmã Lucas, mesmo depois de conhecer a crise e a resolução final de Gabriela, resolveu ingressar nessa mesma Congregação «com o único intuito de consagrar sua vida a Deus» (cf. «Entre dois mundos» 424): «Neste momento, parece-me que somente no claustro ainda existe um pouco de fé deixada na terra», dizia Lisa ao reafirmar sua vocação religiosa.

 

De resto, a própria Gabriela, de volta ao século, após haver assistido três vezes ao filme enredo da sua vida passada, declarou:

 

«Não tornarei a vê-lo, porque, se o fizesse, regressaria ao convento. Ao avistar a capela e as Religiosas... não posso deixar de ficar contemplando e de chorar amargamente, não por arrependimento nem por motivo semelhante, mas porque me sinto avassalada por tanta beleza. É uma vida bela, a vida religiosa, para quem realmente a vive, para quem a pode aceitar sem murmurar. Dizem que não foi fracasso o fato de ter eu deixado o convento. Não me compreendem. Tantas outras Religiosas perseveram e realizam devidamente essa vida; sabem levá-la. Eu não o soube e fracassei» (transcrito de «Life em español», 13 de julho de 1959. pág. 38).

 

Como resultado final de quanto acabamos de ponderar, parece que se pode dizer o seguinte: há suficientes indícios de que Gabriela tenha recebido da parte do Senhor uma autêntica vocação para a vida conventual (é o que explica ter ela podido professar e viver tantos anos sob a Regra); aos poucos, porém, por seu relaxamento terá desmerecido os auxílios do Senhor necessários para se sustentar a vida religiosa, que é essencialmente uma vida de fé, vida sobrenatural; ora, a visão da fé havendo-se-lhe embotado, mais terão saltado aos olhos da Irmã Lucas as falhas humanas, que muito possivelmente se registravam em sua comunidade (falhas, porém, que não davam o cunho definitivo ao ambiente, nem impediam que as almas fiéis à vocação se fossem santificando). A situação de conflito interior tendo-se finalmente tornado intolerável, Gabriela, que conservava uma natural nobreza de caráter, não quis deixar de qualquer modo ou «apaixonadamente» o convento; ao contrário, ainda teve o espírito de fé necessário para pedir a dispensa de seus votos. Hoje, legitimamente desligada de compromissos com o claustro, vive no século qual boa filha de Deus e da Santa Igreja, dedicando-se ao serviço do próximo. Deus julga e julgará essa alma, que, de um lado, não pode ser tida como apóstata, mas, de outro lado, não constitui padrão para se avaliar devidamente a vida religiosa em nossos dias.

 

3. Reflexão final

 

3.1. O enredo apresentado por Kathryn Hulme tem ao menos a grande vantagem de lembrar aos Religiosos e às Religiosas duas importantes verdades:

 

1) pode acontecer no claustro que o amor à observância externa deva ser sacrificado ao espírito da Regra; admitam os Superiores, em casos particulares, a necessidade de adaptar a letra das Constituições a circunstâncias novas, a fim de que a caridade não venha a sofrer detrimento, mas, ao contrário, seja sempre favorecida pela vida regular. As leis, em Religião, não foram concebidas para sufocar a vida sobrenatural, mas, antes, para assegurar-lhe o ambiente normal de expansão.

2) Grande é o perigo que ameaça o Religioso ou a Religiosa que conscientemente se entreguem a pequenas infidelidades à sua profissão regular; cada um desses atos, por muito insignificante que pareça, concorre para turvar a clara visão da vida religiosa; vai outrossim entibiando a generosidade e o amor. Ora, já que a observância claustral só pode ser sustentada na generosidade e no amor, acontece que cada golpe desferido contra estas qualidades contribui para destituir de sentido e tornar absurda a vida conventual, provocando quiçá a ruptura definitiva com o claustro.

 

O fato de que o livro de Kathryn Hulme é porta-voz das mensagens acima justifica haja recebido das autoridades eclesiásticas o «Imprimatur» ou a licença para ser impresso; a sua leitura pode tornar-se útil a muitas almas no convento ou mesmo no século. Contudo não parece recomendável a quem não conheça por outra fonte o que é a vida religiosa; em virtude das lacunas que apontamos, pode desfigurar, aos olhos de quem não esteja prevenido, o ideal da consagração a Deus mediante os votos de pobreza, castidade e obediência. Será, portanto, prejudicial para não poucos leitores e leitoras.

 

3.2. De resto, a extraordinária difusão de que gozou essa obra literária bem atesta quão vivo é o interesse do público, mesmo não cristão, pelo ideal da vida completamente entregue a Deus. Este ideal ainda parece fascinar ; os homens se empolgam pelo que diz respeito à sua autenticidade ou ao seu desvirtuamento.

 

Será preciso, porém, chamar a atenção para o fato de que a vida religiosa, por mais bela que pareça, jamais poderá ser entendida por quem lhe aplique unicamente os critérios da razão natural ou do bom senso humano; a genuína vida religiosa terá sempre um cunho paradoxal e misterioso, que só os critérios da fé saberão justificar e avaliar adequadamente. Em outros termos: a vida religiosa será sempre uma faceta daquele «tornar-se tolo por amor a Cristo» de que fala São Paulo (cf. 1 Cor 3,18). Sim, a profissão claustral poderá exigir dos Religiosos renunciem a bens que a razão humana muito recomendaria; poderá exigir mesmo, deixem de utilizar meios de apostolado que pareçam eficacíssimos; e isto, a fim da que em toda a conduta do Religioso e da Religiosa haja a oferta de um holocausto a Deus, isto é, a oferta até mesmo da vontade própria. Este é o dom mais precioso que o homem possa apresentar a Deus, mais precioso do que as próprias tarefas de tratar os doentes, ensinar aos que erram, visitar os encarcerados, etc.; estes afazeres são obras externas que no convento devem ser praticadas em espírito de renúncia total e jamais podem servir de ocasião ou de fomento ao culto da vontade própria. As atividades, mesmo apostólicas, que os membros de Ordens e Congregações exercem, para serem genuínas, hão de ser praticadas segundo a Regra e a obediência que cada um professou.

 

Com outras palavras: o Religioso e a Religiosa por vocação tendem a desempenhar tarefas grandiosas em benefício da humanidade... Contudo o valor da vida dessas pessoas consagradas não se mede pela sua eficácia visível, humana, nem pelo esmero dos meios de que se servem, mas, sim, pelo espírito de renúncia à vontade própria e de total entrega a Deus que os deve animar. Quem esquece isto (como parece ter sido o caso da Irmã Lucas,... da Irmã Lucas do livro; não queremos com isto julgar a Irmã Lucas da história), decai do seu ideal e arrisca-se a extinguir as graças de Deus necessárias para a sua perseverança no claustro.

 

Em resumo, a posição do Religioso e da Religiosa no mundo moderno está bem formulada nos seguintes termos:

 

«O êxito do apostolado de uma Religiosa não deve ser julgado segundo os mesmos critérios que o êxito do apostolado de um leigo: o leigo guarda a sua liberdade na escolha dos respectivos meios de ação, ao passo que a Religiosa... deve nortear-se sempre pelo ideal próprio ao qual ela se consagrou e que constitui a sua vocação. Fora desta via, ela não poderia pretender chegar à perfeição da caridade...

 

O papel da Religiosa... fica sendo, hoje em dia mais do que nunca, aquele que lhe compete há séculos: dar testemunho da pobreza, da castidade, da obediência da Igreja, na qual se continua o mistério mesmo de Cristo, e, por esse sacrifício renovado interiormente todos os dias, dar os frutos de um autêntico apostolado» (M. Giuliani, La Religieuse dans l'Église, em «Études». junho de 1957, 397 e 399).

 

Mistério de uma renúncia que ao mesmo tempo é exaltação; eis o que constitui o âmago da vida religiosa! O Espírito Santo o vai manifestando a quem lhe é fiel.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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