REVISTA PeR (1418)'
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Artigo

PERGUNTE e RESPONDEREMOS 030 – junho 1960

 

A Missa e a Eucaristia

AMIGO DA VERDADE (Jundiaí): O amigo propõe uma série de questões referentes à S. Missa, às quais já foi dada resposta em "PeR.". Queira, pois, conferir: "P.R." 9/1958, qu. 3 e 5 (presença real de Cristo na Eucaristia e transubstanciação); 6/1958, qu. 2 e 3 (a Missa e o sacrifício da Cruz; Hebr 10,10) ; 2/1958, qu. 10 (o significado das espórtulas de Missa e do culto em geral); 24/1959, qu. 5 (o sacerdócio instituído por Cristo); 8/1957, qu. 3 (o purgatório).

 

Em resumo, eis como esclarecer as dificuldades: Jesus, na última ceia, afirmou que o pão consagrado era Seu corpo, e o vinho Seu sangue. Colocou-se assim em estado de vítima imolada para a remissão dos pecados (cf. Mt 26,28). A seguir, mandou aos discípulos repetissem o que Ele acabara de fazer; conferiu-lhes destarte o poder de consagrar o pão e o vinho em corpo e sangue do Senhor, a fim de prolongarem através dos séculos o oferecimento do sacrifício de Cristo ao Pai.

 

Ora a Santa Missa não é senão a repetição desse gesto do Mestre; ela assim perpetua (mas não multiplica) o sacrifício de Cristo oferecido cruentamente na Cruz ; ela é o próprio sacrifício do Calvário tornado presente sobre os nossos altares de maneira incruenta, por efeito da Onipotência Divina.

 

Quanto às espórtulas, são o último vestígio da oferta de pão, vinho, óleo, frutas, etc., que os fiéis faziam, quando participavam da S. Missa: em sinal de sua fé e do seu desejo de se oferecerem com Cristo ao Pai, levavam ao altar a matéria a ser consagrada (pão e vinho) ou os bens necessários ao sustento do culto e dos irmãos na fé. Naturalmente, quem, mediante essas ofertas sensíveis, excitava seu amor a Deus e ao próximo, participava mais ricamente dos frutos da S. Missa (ou do sacrifício da Cruz). — Com o tempo, a oblação de dádivas naturais foi simplificada para não prolongar demais a celebração: em vez de gêneros, passou-se a oferecer uma esmola em dinheiro, chegando-se assim à praxe hoje vigente. Vê-se, pois, que a esmola ou espórtula atualmente em uso não é senão a expressão da fé e do amor de quem a oferece; não constitui pagamento da Missa (esta não tem preço; a espórtula é, antes, o meio de prover ao sustento do culto,). Compreende-se, porém, que quem oferece a espórtula da Missa, (se o faz conscientemente) excita em si maior desejo de se unir a Deus e, consequentemente, é mais agraciado pela celebração da Missa; sendo mais agraciado, pode pedir ao sacerdote celebrante que aplique os frutos do sacrifício aos quais o fiel oferente tem direito, a tal ou tal alma do purgatório, a tal ou tal pessoa necessitada na terra, etc. — É assim que a celebração da S. Missa pode beneficiar as intenções que determinado cristão queira formular.

 

Está claro que os pobres, por sua pobreza material, não são privados de tais graças espirituais; estas não podem ser vendidas nem compradas. Se alguém não tem dinheiro para mandar celebrar a S. Missa, assista a esta com a fé e a devoção de que é capaz, oferecendo-se com Cristo ao Pai em benefício de tal alma do purgatório ou de tal e tal outra intenção... E não será frustrado em sua esperança; as boas disposições do orante que pede em nome de Cristo, nunca são inúteis (cf. Jo 15,16). Deve-se acentuar bem que não é o dinheiro, materialmente tomado, que nos recomenda a Deus, mas é o ânimo interior ou a caridade, caridade que a esmola monetária simboliza adequadamente, mas não necessariamente. Quem tem o amor a Deus e O procura sinceramente, embora nada ou quase nada possa oferecer para o culto divino, é aceito e agraciado pelo Pai do Céu (haja vista o óbolo da viúva, em Lc 21,1-4).

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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