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Artigo

Mais Creches e Menos Canódromos

 

Quando na minha juventude amigos que tiveram a oportunidade de estudar na Alemanha, contaram um fato que me deixou chocado na época. As regras dos alojamentos eram draconianas imposta pelos moradores estudantis, onde dizia claramente que não era permitida a presença de crianças naquele recinto.

 

Entretanto, animais domésticos (cachorros, gatos) eram permitidos. Se um casal tivesse a benção de um filho eram obrigados a se mudarem para outro recinto fora do campus universitário. Hoje a Europa inteira está pagando caro por esta atitude cultural, com a redução do seu contingente humano. A dramática  falta de filhos para suportar aquela geração egoísta está estourando agora os orçamentos previdenciários das aposentadorias daquela geração que não quiseram ter filhos. Este cenário se observa em toda a Europa.

 

Esta atitude infelizmente está contaminando todos os países do ocidente, por uma falsa visão de prosperidade, menos filhos, maior é o progresso. Ao contrário, a crise européia não corresponde com essa hipótese.  Para nós da América embora este problema de contingente ainda não exista, as “evas” daqui resolveram não mais quererem filhos também. Tudo por conta da maldosa idéia de que filhos tiram sua liberdade e privacidade pessoal, num absurdo individualista. Como o instinto materno prevalece no seu DNA, encontraram uma saída “honrosa”: criar animais de estimação.

 

Diante deste comportamento é comum ver mesmo em apartamentos, uma variedade de animais, cachorros, gatos, periquitos e outros mais como lagartixas, cobras etc. estes últimos para se mostrarem mais exóticos. Dão a eles verdadeiros mimos e  cuidados como se fossem filhos.

 

A convivência com animais domésticos é tão remota quanto os escritos sumerianos, egípcios e maias nos mais obscuros e longínquos achados arqueológicos. Entretanto, substituir a geração sagrada dos filhos por animais será o fim da civilização.

 

O racionalismo capitalista começa se adequar a esta nova cultura. Os projetos de novas construções, particularmente de prédios de apartamentos, estão substituindo as áreas de lazer para a alegria das crianças, em áreas para guardar os animais domésticos de seus moradores. Em 2011, (até onde se tem conhecimento) houve em São Paulo um empreendimento de oferta de 20 prédios onde 11 eram projetos com áreas exclusivas para cachorros. Ou seja, os projetos estão excluindo áreas de crianças para “creche” de cachorros. Que absurdo.

 

A fantasia desta atual geração hedonista é ter uma vida independente sem qualquer compromisso com a geração da vida. Com isto a grande maioria dos novos casais busca na “vida boêmia” o preenchimento do vazio existencial. A vida de diversões e prazeres combina mais com a criação de animais do que de crianças. No absurdo existencial é feito o raciocínio deplorável pelo desejo de gozar a vida: cuidar de cachorros e gatos é mais fácil do que criar uma criança. Os animais domésticos são dóceis por natureza, não é necessário educá-los, ensiná-los, ter princípios morais ou religiosos e, sobretudo, não é necessário dar-lhes bons exemplos.

 

Para os animais domésticos é suficiente dar ração, abrigo, mais algumas comodidades físicas, e depois sair por ai curtindo a vida. Alem do mais, é mais fácil e simples se livrar de um animal do que uma criança. Esta só é possível se for doada. Ao bicho, basta sacrificá-lo, ou, para não ser tão radical, oferecê-lo para outro dono apaixonado por animais, sem qualquer culpa de consciência. Mas criança... abortar enquanto está no ventre da mãe, porque depois lá se foi a boemia. Se não houver uma conscientização moral para a vida, num cenário sombrio futuro haverá mais “canódromos”, mais abortos e menos crianças. Assim começa a decadência da civilização.

 

Sergio Sebold – Economista e Professor Independente


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