IGREJA (1164)'
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Artigo

CRISE NA IGREJA

 

Discursa o Papa Bento XVI: “Este sermão nos faz refletir sobre a importância do testemunho da fé e da vida cristã de cada um de nós e das nossas comunidades para manifestar a face da Igreja e como essa é às vezes deturpada. Penso em particular nos golpes contra a unidade da Igreja, as divisões no corpo eclesial. Viver a Quaresma em uma intensa e evidente comunhão eclesial, superando individualismo e rivalidades, é um sinal humilde e precioso para aqueles que estão distantes da fé ou indiferentes” (Quarta-Feira de Cinzas – 13/02/2013 – Basílica de São Pedro no Vaticano).

 

A Santa Igreja Católica é mestra com a iluminação paracletológica em lidar com terríveis crises; se não fosse divina, já teria acabada há muito tempo.

 

A crise é provocada e espalhada pelas forças malignas, enquanto a solução pelas forças cristalinas. A crise eclesiástica é bastante propagada e vende muito, no que se refere à caridade eclesial e na solução da problemática crise, quase nada é divulgada e tão pouco é elogiada a Igreja. Exemplo real é a crítica e calúnia contra o Papa Pio XII, muitos se calam pela salvação de milhares de Judeus, abrigando-os em igrejas e conventos no seu pontificado.

 

No dia 21 de março de 1937, Domingo de Ramos, a Igreja Católica conseguiu driblar a Gestapo distribuindo em toda a Alemanha a encíclica de Pio XI que definia um posicionamento claro contra o ditador Adolf Hitler e a sua política racista.

 

Segundo o historiador René Schlott, da Universidade de Giessen: “O projeto da encíclica de Pio XI foi a ação mais espetacular do Vaticano durante toda a ditadura nazista”. Nada menos que 300 mil cópias de um texto que criticava abertamente Hitler foram distribuídas em uma época em que criticar o ditador já era um motivo de condenação à morte. Para o historiador Thomas Brechenmacher, da Universidade de Potsdam e autor do livro “O Vaticano e os Judeus”, ele escreve: “Como Cardeal e como Papa, Eugênio Pacelli era contra qualquer tipo de regime totalitário ou religião racista”. Novos estudos mostram que Pio XII tinha a mesma posição do seu predecessor (1).

 

DIVISÃO E SOLUÇÃO

 

Marcelo Thimoteo da Costa é um dos maiores intelectuais católicos brasileiros, doutor em pensamento católico pela PUC-RIO, ele prevê um novo papa “mais pastor do que teólogo” para liderar uma Igreja em crise, cuja Cúria está “divindade como nunca” (2).

 

Na verdade, quem escolhe é a Divina Providência, no entanto, o nosso tempo requer um Papa, na conexão de João XXIII, João Paulo II e Bento XVI.

 

As incompatibilidades eclesiais causadas por poderes maléficos, que vão desde a infidelidade dogmática à camorra, não vencem jamais a Igreja com seus poderes cristocêntricos. A mística, os santos, os monges em oração e vida contemplativa, os crentes carismáticos, os mártires por justiça social, os teólogos apologistas e os fiéis apaixonados por Jesus Cristo são testemunhas de uma Igreja viva, poderosa e vencedora das mais cruentas crises.

 

Logo no princípio da sua existência a Igreja enfrentou a questão da Lei mosaica e a graça de Cristo (Atos 15; Gl 2), passou pela intolerância religiosa com os primeiros mártires: Estevão (Atos 7); Tiago, irmão de João (Atos 12). Suportou as mais cruéis perseguições do poderoso Império Romano, depois a avalanche da invasão dos bárbaros em Roma, com sua ortodoxia venceu as heresias, cismas e idolatria. No século X, o século da pornocracia vaticana. As devassas: Teodora e Marózia com papas cometem adultério e crimes no Vaticano. No século XVI, aparece o pornográfico Alexandre VI e o cismático pai da Reforma Protestante Martinho Lutero. A Igreja passa vitoriosa pelo iluminismo, Revolução Francesa, comunismo, fascismo, nazismo, sociedades secretas, teologia liberal e secularismo. No século XXI, no dizer do teólogo americano, catedrático do Colégio de Artes e Ciências do Boston College, nos Estados Unidos: “O Vaticano está em crise”. “Os Cardeais do Conclave estão desconfiados uns dos outros: nunca, desde 1914, eles estiveram tão divididos e abertamente contra a administração do Vaticano. A renúncia do Papa Bento XVI é a razão mais óbvia, mas o principal é o fato de que cardeais não confiam mais na liderança do Vaticano. A administração da Cúria Romana passou por uma série de más gestões e escândalos” (3).

 

No mundo externo a Igreja enfrenta a ditadura do relativismo e o vulcão das seitas.

A crise está presente em todos os seguimentos da sociedade e com a Igreja não é diferente; no entanto, o principal inimigo da Igreja, o Diabo e seus seguidores aproveitam da crise para macular a Igreja e atrapalhar o projeto do Reino de Deus. É bom ressaltar que a crise faz parte dos sinais da Volta de Jesus Cristo.

 

CONCLUSÃO

 

Vivemos a era da inovação, renovação, criatividade e da megainvenção. A vitória pertence aos inteligentes empreendedores. Mudanças e transformações devem ser realizadas com intelectualidade em prol da dignidade da pessoa humana no contexto da saúde física, emocional e espiritual.

Com certeza, o Espírito Santo leva a Igreja a ser especialista em tudo isso, para o bem de todos e salvação das almas.

Disse Jesus: “As portas do Inferno nunca prevalecerão contra a minha Igreja” (Mt 16, 18). “A Igreja é coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3, 15).

Por amor a Igreja de Cristo, o católico é fiel até a morte por sua fé ao Corpo Místico de Cristo.

 

Como afirmou São Thomas More: “Ninguém no seu leito de morte se arrependeu jamais por ter sido católico”.

 

Pe. Inácio José do Vale

Professor de História da Igreja

Instituto de Teologia Bento XVI

Sociólogo em Ciência da Religião

E-mail: [email protected]

 

Notas:

(1)                 O Globo-História, 17/03/2013, p. 34.

(2)                 O Globo-Mundo, 02/03/2013, p. 37.

(3)                 O Globo-Mundo, 03/03/2013, p. 46.

 


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