ESCATOLOGIA (3862)'
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Artigo

Predição de São Nilo de Ancira (430 d.C)

Também conhecido como São Nilo do Sinai e São Nilo, o Sábio

Era um oficial bizantino e parece que foi um prefeito pretoriano. Casado e pai de dois filhos.

Quando os filhos cresceram, Nilo e esposa  concordaram em se separarem e levar uma vida dedicada a Deus. Ele foi monge no Monte Sinai com o seu filho Theodulus.

Após uns anos no monte, os árabes raptaram Theodolus. Nilus saiu em sua procura e o encontrou em Eleusa, na Palestina, onde o Bispo tinha resgatado Theodulus da escravidão e o colocou como porteiro da sua igreja.

O bispo ordenou a ambos e ele retornou ao Sinai.

Notável conhecedor de assuntos teológicos e autor de vários livros.

Seus escritos influenciaram a Igreja Oriental.

Bispo de Ancyra, (hoje Ankara -Turquia) amigo e conselheiro de São João Crisóstomo.

Nasceu no 4  século em Byzantium

Faleceu em 430 de causas naturais.

Sua festa é celebrada no dia 12 de novembro.


Sua predição foi inserida na importante obra de Hagiografia: “Bibliotheca Sanctorum”, vol. IX, p. 1008.

Antes de apresentarmos essa “profecia”, é bom fazer algumas considerações iniciais, para que a sua simples leitura não seja superficial, nem passem desapercebidas as coisas e acontecimentos que ela nos revela.

Essa  predição tem mais de 1570 anos, o que equivale a mais de XV séculos e meio, e é de estilo Apocalíptico.

Humanamente falando: é absolutamente impossível que um homem, sem a ajuda de Deus, possa conhecer o futuro, dizendo, com incrível precisão, as coisas que estão por acontecer.

A indicação da época em que esta viria realizar-se e a sua realização revela a sobrenaturalidade da profecia, ou seja, faz-nos ver que foi Deus que falou, afastando, assim, a argumentação de que sua realização seja apenas uma mera coincidência, ou fruto de uma interpretação comodata dos textos proféticos da Bíblia.

A predição da época, e a sua realização, é um testemunho que faz brilhar a onisciência de Deus, e sinal de que a Profecia não veio do homem, mas de Deus. Ora, nem o homem e, segundo a teologia, nem os Anjos e nem os Demônios podem conhecer, com certeza, o que irá acontecer, porque têm a inteligência limitada.

Deus, porém, pode conhecer, com certeza, o que irá acontecer, num futuro próximo ou longínquo, porque sua inteligência é ilimitada, ou seja, compreende tudo: o presente, o passado e o futuro.

A inteligência do homem mau compreende o presente; a do Anjo compreende o presente e o passado; e tanto um como o outro, não podem, de maneira absoluta, conhecer o futuro.

Portanto, a “Profecia de São Nilo”, que trás a compreensão exata de coisas futuras, que viriam acontecer XV séculos depois de sua predição, só pode ter a Deus por autor.

Deus quis, por meio dessa Profecia, assistir à sua Igreja, nestes tempos conturbados pelo qual ela está passando, porque essa Profecia é um Dom do Espírito Santo, o qual foi prometido aos Apóstolos para guiar toda a Igreja no caminho da verdade como tal, conforme disse nosso Senhor Jesus Cristo: “Quando vier, porém, o Espírito de verdade, ele vos guiará no caminho da verdade integral, porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-vos-á as coisas que estão para vir.” (Jo. 16, 13).

As “coisas que estão para vir” são todas aquelas “coisas” que foram profetizadas por nosso Senhor Jesus Cristo, pelos Profetas e pelos Santos Apóstolos, ou seja, as “coisas que estão para vir” são as Profecias que dizem respeito ao final dos tempos e sobre a aparição do Anticristo.

A Profecia de São Nilo anuncia, de maneira extraordinária, o tempo em que os sinais da Parusia, profetizados por nosso Senhor Jesus Cristo e pelos Santos Apóstolos, viriam acontecer.

Embora a Profecia de São Nilo indique a época de sua realização, isto não contradiz em nada o que está escrito: “Mas, quanto àquele dia e àquela hora, ninguém sabe, nem os Anjos do céu, nem o Filho, mas só o Pai”. (Mt. 24, 36).

Não contradiz, porque a Profecia indica o século que se inicia, e não o dia e a hora, em que os sinais ali descritos viriam acontecer, como anúncio da aparição do Anticristo e do fim dos tempos.

Texto da profecia:

“A Presença do Anticristo”

“Depois do ano 1900, por meados do século XX, as pessoas desse tempo tornar-se-ão irreconhecíveis …

Quando se aproximar o tempo da vinda do Anticristo, a inteligência dos homens será obscurecida pelas paixões carnais: a degradação e o desregramento acentuar-se-ão. O mundo, então, tornar-se-á irreconhecível. As pessoas mudarão de aparência, e será impossível distinguir os homens das mulheres, por causa do atrevimento na maneira de se vestir e na moda de seus cabelos.

Essas pessoas serão desumanas e como autênticos animais selvagens, por causa das tentações do anticristo.

Não se respeitará mais os pais e os mais idoso. O amor desaparecerá. E os pastores cristãos, bispos e sacerdotes, serão homens frívolos, completamente incapazes de distinguir o caminho à direita, ou à esquerda.

Nesse tempo as leis morais e as tradições dos cristãos e da Igreja mudarão.

As pessoas não praticarão mais a modéstia e reinará a dissipação! A mentira e a cobiça atingirão grandes proporções, e infelizes daqueles que acumularão riquezas!

A luxúria, o adultério, a homossexualidade, as ações secretas e a morte serão a regra da sociedade.

Nesse tempo futuro, devido o poder de tão grandes crimes e de uma tal devassidão, as pessoas serão privadas da graça do Espírito Santo, recebida no seu batismo, e nem sequer sentirão remorsos.

As Igrejas serão privadas de pastores piedosos e tementes a Deus, e infelizes dos cristãos que restarem sobre a terra, nesse momento! Eles perderão completamente a sua Fé, porque não haverá quem lhes mostre a luz da verdade. Eles se afastarão do mundo, refugiando-se em lugares santos, na intenção de aliviar os seus sofrimentos espirituais, mas, em toda a parte, só encontrarão obstáculos e contrariedades.

Tudo isto resultará do fato de que o Anticristo deseja ser o senhor de todas as coisas, e se tornar o mestre de todo o Universo. Ele realizará milagres e sinais inexplicáveis.

Dará também a um homem sem valor uma sabedoria depravada, a fim de descobrir um modo pelo qual um homem possa ter uma conversa com outro, de um canto ao outro da terra.

Nesse tempo, os homens também voarão pelos ares como os pássaros, e descerão ao seio do oceano como os peixes.

E quando isso acontecer, infelizmente, essas pessoas verão as suas vidas rodeadas de conforto, sem saber, pobres almas, que tudo isso é uma fraude de Satanás.

E ele, o ímpio, inflará a ciência da vaidade, a tal ponto que ela se afastará do caminho certo e conduzirá as pessoas à perda da Fé na existência de Deus, de um Deus em Três Pessoas…

Então, Deus, infinitamente Bom, verá a decadência da raça humana, e abreviará os dias, por amor do pequeno número daqueles que deverão ser salvos, porque o Inimigo desejaria arrastar mesmo os eleitos à tentação, se isso fosse possível.

Então a espada do castigo aparecerá de repente e derrubará o corruptor e seus servidores.” (Bibl. Sanctorum, v. IX, p. 1008.).

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Se compararmos a Profecia de São Nilo com todas as Profecias Bíblicas, de estilo apocalíptico, notaremos uma identidade de idéias muito profundas, de forma que elas se compreendem e se completam.

As profecias Bíblicas que tratam sobre o “Fim dos Tempos” e sobre a “Vinda do Anticristo”, descrevem de forma extraordinária todos os sinais que acontecerão naqueles dias, mas só que não revelam o tempo exato em que estas coisas viriam a se realizar, ao passo que São Nilo, ao tratar sobre o mesmo assunto, indica o tempo em que tudo isso viria a acontecer. Por isto a Profecia de São Nilo torna-se uma interpretação divina e profética das Escrituras.

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Comentários de dom Estêvão Bettencourt PeR No 484:

Quatro reflexões vêm ao caso:

1) Trata-se de uma revelação particular, que cada fiel católico está livre para aceitar ou não.

2) Passou-se o século XX sem o aparecimento do Anticristo e sem que o mundo acabasse. Houve, sem dúvida, acontecimentos deploráveis entre os filhos da Santa Mãe Igreja, mas houve igualmente feitos grandiosos e movimentos de renovação espiritual dignos de nota. Entre outros eventos, notem-se os que dizem respeito à figura do Papa João Paulo II, que foi tido como o homem do século XX  ou, ao menos, o homem do fim do século XX. Em consequência, não menos do que o presumido século do Anticristo, o século XX foi, e até mesmo com mais razão, o século do Papa.

3) Os manuais de Patrologia, ao referirem os escritos de São Nilo, não mencionam a Profecia atrás registrada. Pode-se perguntar: será de S. Nilo (+ 430) essa profecia como é de São Malaquias (+ 1148) a Profecia forjada no século XVI e a Malaquias atribuída?

4) Carece de sólido fundamento bíblico a crença de que no fim dos tempos deverá aparecer o Anticristo, como foi dito no artigo de PR 475/2001, pp. 545ss.

Fontes: Servos da Rainha e Editora Clefoas

 

Comentário de Claudio Maria:

Pelo texto, para ser uma fraude teria que ter sido escrita no máximo no início de 1900. Mais pra trás já fica difícil acertar com tanta precisão. O argumento de que teria sido uma fraude forjada no séc. 15 não explica a precisão da profecia, seja no séc. 5 ou no séc. 15, dá na mesma. E dizer que foi o século do papa, a situação não está tão ruim ... bem, a apostasia está mais que crescente e flagrante, a falta de fé, a confusão total de doutrinas, um relativismo materialista que declara a Verdade (e Deus) mortos e valores anticristãos sendo apregoados pela mídia já abertamente. Tudo isso está aí, na nossa cara.  E se isso não é a ação direta do anticristo, ou seja, “daquele” ou de tudo o que se opõe a Cristo, é o quê?

Alegar que o anticristo não veio nem o mundo acabou no séc. 20 é incorreto, pois a profecia NÃO diz isso, só diz que a derrocada cristã e o crescimento da apostasia geral começam no séc. 20, na segunda metade. Ao dizer séc. 20, a profecia não implica que TUDO o que prediz teria que ocorrer em 50 anos e terminar em 2000. Não é isso.

O quarto argumento, de que o anticristo aparecer no fim dos tempos carece de sólido fundamento bíblico, não é preciso, pois:

1) Na bíblia a figura do anticristo é tudo ou todos que se opõem a Cristo, revelação de Deus encarnado. Não é necessariamente uma presença física mas é real, como seria a mídia dos dias atuais por exemplo.

2) Aqui está um texto do próprio dom Estêvão a respeito do anticristo (Artigo 896): "Um exame atento dos textos do Novo Testamento evidencia que os escritos sagrados não conhecem a noção de um indivíduo ou de uma facção adversária de Cristo que mova a última e mais séria perseguição aos fiéis. A palavra "Anticristo" é exclusiva do vocabulário de São João, no qual significa todo aquele que nega a real encarnação do Verbo de Deus; o Apóstolo chega a falar de "muitos Anticristos". O conceito escatológico de Anticristo se deve à combinação pouco justificada de passagens bíblicas e não bíblicas."

Ou seja, é tudo ou todo o que nega Cristo, mas note-se que a predição não afirma que seria uma pessoa física mas que sua influência nefasta se faria sentir a partir de meados do séc. 20 com grande intensidade e pujança, início do período do fim dos tempos, sem precisar por quanto tempo isso tudo ocorrerá até o final. E afirma que daria a um homem uma sabedoria depravada. Ou seja, ao mencionar “o anticristo”, “ele”... refere-se genericamente ao pai da mentira (diabo) que se opõe à Verdade, ao caminho e à vida (Jesus Cristo) e sua influência aguda (sua “vinda” –  e para vir, tem que ser bem recebido, desejado, solicitado!...) no mundo no final dos tempos. Não é o que está acontecendo hoje de forma progressiva e cada vez mais evidente?

Devemos sempre lembrar:
1) Jesus disse: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai” (Mateus 24,36). Esse aspecto de “a qualquer momento” da volta de Jesus ajuda a manter os cristãos motivados no serviço da caridade e em seu crescimento espiritual constantemente – não apenas ao aproximar-se uma certa data (Mt 25,1-13; 1 João 3,2-3). Tenhamos a certeza de que Cristo voltará. E, enquanto nós aguardamos esse dia, nossas vidas devem ser marcadas por viver em “... santo procedimento e piedade” (2 Pedro 3,11).

2) Catecismo da Igreja:
[675] Antes da vinda de Cristo, a Igreja deverá passar por uma prova final, que abalará a fé de numerosos crentes (639). A perseguição, que acompanha a sua peregrinação na Terra (640), porá a descoberto o « mistério da iniquidade », sob a forma duma impostura religiosa, que trará aos homens uma solução aparente para os seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A suprema impostura religiosa é a do anticristo, isto é, dum pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo, substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado (641)


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