CIêNCIA E Fé (2282)'
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Artigo

A Origem das Espécies

 

Charles Darwin (1809-1882) nasceu numa abastada família inglesa. Estudou ciências naturais nas universidades de Edimburgo e Cambridge. Ainda jovem, empreendeu uma viagem de quase cinco anos em volta da Terra (1831-1836). Nela acumulou observações e amostras do reino animal. De retorno à Inglaterra, guardou as anotações embaixo de uma escada. As crianças da casa arrancavam as folhas para brincar.

 

 Mais de vinte anos depois, o naturalista Alfred Russel Wallace (1823-1913) mostrou a Darwin o livro que ia publicar, com idéias próximas às dele. Darwin recuperou então as velhas anotações, ordenou-as e publicou-as. Surgiu assim, há 150 anos, A Origem das Espécies.

 

Contrariamente à saga corrente, a viagem não mudou a atitude de Darwin em face de Deus. Por exemplo, após entrar numa floresta brasileira, escreveu: “Não era possível formar-se uma idéia dos sentimentos de maravilhas, de admiração e de devoção que enchem e encantam o espírito. Lembro-me bem de ter ficado convencido de que no homem há mais do que o simples influxo do corpo” (1).

 

 

Darwin torna-se anticristão

 

Mas o Charles Darwin de A Origem das Espécies mudara completamente em relação ao naturalista expedicionário. Ele fora criado no protestantismo, tendo depois perdido qualquer vestígio de fé entre 1836 e 1839. Tornou-se agnóstico e visceralmente contrário ao cristianismo. Em sua Autobiografia, narra como voltou-se contra o Deus da Bíblia. Tal confissão de apostasia é tão chocante, que seus descendentes impediram a divulgação. Ela só veio a lume numa edição de 1958, onde afirma num trecho censurado; “De fato, dificilmente posso admitir que alguém pretenda que o cristianismo seja verdadeiro; pois, se assim fosse, as Escrituras indicam claramente que os homens que não creem – isto é, meu pai, meu irmão e quase todos os meus melhores amigos – serão punidos eternamente. E isto é uma doutrina condenável”.

 

Ele optou por um sentimentalismo relativista e vago, que levou até as últimas consequências; implicou com a lógica ordenada da moral evangélica, que tem na Igreja Católica sua autêntica realização; repeliu os movimentos de alma ordenados que lhe inspiravam as cenas grandiosas da natureza; pois percebeu “que estavam intimamente ligados à crença em Deus”. Rompendo com sua admiração pela floresta brasileira, explicou: “Hoje, as cenas mais grandiosas não produziriam em mim nenhuma convicção nem sentimento daquele gênero”.

 

 

Anticristianismo e Evolucionismo

 

Darwin passou a confessar-se agnóstico e a menosprezar acintosamente a Religião. Lê-se em sua Autobiografia: “O Antigo Testamento é manifestante falso, a Torre de Babel, o arco-íris como sinal, etc. Dado que ele atribui a Deus os sentimentos de um tirano vingativo, não é mais digno de confiança que os livros sagrados dos hindus ou as crenças de outros bárbaros. [...] Deixei de acreditar no cristianismo enquanto revelação divina”.

 

Ele foi abandonando a idéia de um Deus pessoal, e mesmo da existência de uma causa final na natureza: “O velho argumento de uma finalidade na natureza, que outrora me parecia tão concludente, caiu depois da descoberta da seleção natural. [...] Não acredito que haja muito mais finalidade na variabilidade dos seres orgânicos e na ação da seleção natural do que na direção em que sopra o vento”.

 

Homem e natureza se lhe afiguravam então como meros subprodutos de uma cega fatalidade, que progride rumo ao ignoto. O motor desse processo seriam transformações devidas a acidentes fortuitos e à necessidade. As espécies resultantes, ou mais evoluídas, exterminariam fatalmente as menos evoluídas, mais fracas e inferiores.

 

Darwin percebeu que, sem um princípio e um fim, o homem ficaria escravo, como um bicho, ao capricho de sua fantasia e de seus instintos: “Um homem que não tem uma crença bem sólida na existência de um Deus pessoal, ou numa existência futura com retribuição e recompensa, não pode ter outra regra de vida, segundo me parece, senão seguir seus impulsos e seus instintos mais prementes, ou que ele acha os melhores”.  Esta conclusão, ele a enfeitou com sentimentos típicos do romantismo vitoriano do século XIX.

 

Sua crise religiosa, que descambou para a apostasia e para o anticristianismo, correu lado a lado com a explicação do evolucionismo. Então, não é de espantar que o anticristianismo se encontre entranhado no pensamento darwinista e de seus sucessores “neo-darwinistas”, embora pretendam que se trate de meras doutrinas cientificas.

 

 

Bombardeou o conceito que o homem tem de si próprio

 

Diz um dos corifeus darwinistas hodiernos, o Professor Dominique Lecourt, da Universidade da Sorbonne-Paris VII: “Darwin estava bem ciente de que tirava o homem do centro, aproximava-o do animal, e entrava em conflito com a imagem de si próprio. [...] Darwin [...] confessou à sua mulher, muito piedosa, que sua teoria não concordava com o dogma cristão. Ele sabia que tinha fabricado uma bomba” (2). De fato, suas teorias serviram para dinamitar a visão racional da ordem do universo e sua procedência da criação.

 

Darwin também é tido como um dos fundadores do ecologismo, que exalta a vida tribal animalesca “integrada” numa natureza em perpétua evolução.

 

 

Interpretou o conhecido pelo desconhecido

 

Alfred Russel Wallace e Darwin foram co-inventores da teoria da seleção natural das espécies, peça-chave do evolucionismo. Porém, Wallace manteve a crença numa inteligência diretora que presidiria a luta evolutiva. A partir de 1862, descambou para o espiritismo e o ocultismo. Porém, Darwin permaneceu no agnosticismo naturalista materialista. Entretanto, sua linguagem recende a uma análoga procura de explicação do conhecido pelo desconhecido, pelo oculto. No livro A filiação

 

do homem, ele imagina que o homem descende de algum tipo de símio há tempos desaparecido; este, “provavelmente de um marsupial arcaico”, e este ultimo, de uma ignota “criatura de tipo anfíbio”, por sua vez derivada de um ainda mais inidentificável “animal que se assemelha a um peixe”.

 

Quanto mais se aprofunda nas suposições de fenômenos inverificáveis, tanto mais Darwin adota uma linguagem próxima à de um adivinhador lendo numa bola de cristal. “Na obscuridade confusa do passado, podemos ver que o primeiro ancestral de todos os vertebrados deve ter sido um animal aquático dotado de brânquias, que possuía os dois sexos reunidos no mesmo individuo, tendo os mais importantes órgãos do corpo (como o cérebro e o coração) imperfeita ou nulamente desenvolvidos. Esse animal parece ter-se assemelhado às larvas dos ascidiáceos marinhos atuais” (3).

 

 

Cascata de conjeturas inverificáveis

 

Os discípulos de Darwin tentaram dar embasamento científico a essa acumulação de “obscuridades confusas do passado”, onde Darwin dizia ler com tanta facilidade. Eles até acrescentaram que, na origem, houve uma célula que teria aparecido há quatro bilhões de anos, batizada de LUCA (Last universal common ancestor, ou derradeiro ancestral comum universal) (4). Mas de onde saiu LUCA? De uma “competição darwiniana” entre células que se eliminaram umas às outras, diz Patrick Forterre, da Sorbonna-Paris XI. E acrescenta que LUCA ter-se-ia dotado de DNA ao ser fecundada por um vírus.

 

De onde saíram esse vírus, a pré-Luca e outras células engajadas na “competição darwiniana”? Aqui entram mais duas conjeturas dos discípulos. Segundo uma, um meteorito teria trazido as primeiras moléculas vivas a Terra. De acordo com outras, teriam aparecido há bilhões de anos em um “oásis de vida”, perto de fontes hidrotermais, em profundezas oceânicas de milhares de metros. Lá existem escapamentos de lava vulcânica que provocam altas temperaturas e concentrações salinas. As tentativas de reproduzir em laboratório esses hipotéticos caldos de cultura deram em nada.

 

Precavenha-se o leigo em achar que isso parece um “conto de carochinha”! A confraria darwiniana logo o condenará em coro, com execrável “criacionista”, “fundamentalista cristão”, “retardatário” e outros qualificativos tão depreciativos quanto gratuitos.

 

 

Recusa do sério debate científico

 

Muitos cientistas, porém, apontam incongruências e impossibilidades científicas na montagem evolucionista. Apoiam-se em numerosos estudos nos mais variados campos das ciências naturais, e sustentam que o estudo sério e metódico dos seres vivos e da estrutura do universo postula a existência de um “plano inteligente” (“intelligent design”, em inglês), que preside a aparição dos seres vivos e a ordenação dos seres.

 

Nas ciências, é frequente haver correntes que desafiam o consenso dominante. As oposições que assim nascem são tidas como estímulo para testar as teses geralmente aceitas e depurá-las. Porém, o establishment evolucionista move implacável campanha de desqualificação, banindo de congressos as publicações científicas que defendem o intelligent design. Exemplo paradigmático disso foi a Conferência Internacional Biological Evolution, Facts and Theories, promovida neste ano pela Universidade Gregoriana de Roma, um dos máximos centros de ensino católico na capital da Cristandade.  

 

Participaram na Conferência – que não engajava a autoridade da Santa Sé – eminências do evolucionismo, das mais militantemente atéias e anticristãs, como Richard Darkins. Mas nenhum defensor do “intelligent design” foi admitido, embora essa corrente aceite certo evolucionismo (5).

 

O evolucionismo não responde aos argumentos científicos do “intelligent design”, apenas os menospreza como “forma mais moderna de criacionismo”. Contudo, o “intelligent design”, que não se identifica com o criacionismo católico, parece prestar-se a um entendimento com o conjunto das ciências, e talvez com a boa teologia.

 

 

Evolucionismo se radicaliza

 

A cada dia o evolucionismo perde adeptos. O otimismo do século XIX pelo progresso indefinido feneceu, e a medula anticristã do darwinismo tornou-se cada vez mais aparente. “Muitos só queriam ver na teoria de Darwin o braço armado do ateísmo”, explica o filósofo das ciências Thomas Lepelthier, da Universidade de Oxford. “Esta dimensão antirreligiosa fez do darwinismo um assunto de polêmica perpétua” (6). Nesta polêmica, largos setores da opinião pública engrossaram as fileiras do criacionismo. Nos EUA houve históricos processos judiciais que acabaram na Suprema Corte de Justiça. Versavam sobre o ensino nas escolas do criacionismo, nas suas várias formas bíblicas e cientificas.

 

Em geral, o criacionismo foi defendido numa ótica protestante, sem a sabedoria da Igreja Católica para interpretar o relato bíblico da criação e delimitar os campos específicos das ciências naturais e da teologia. Isto facilitou a tarefa dos advogados do evolucionismo. Porém, ao longo dessa polêmica patenteou-se que o darwinismo não exibia argumentos persuasivos, e cresceu a idéia de que, não podendo convencer, recorria a instâncias judiciárias para impor o ensino de suas teorizações. As aulas em que se ensinava o evolucionismo viraram um pesadelo para os professores, satirizados pelos alunos e criticados pelos pais de famílias.

 

Perdendo a batalha da opinião pública, os acólitos do evolucionismo partiram para maior agressividade. O berreiro anticriacionista – com o apoio quase unânime do macro-capitalismo publicitário – atingiu um clímax no ano de 2009, em que comemoram simultaneamente o segundo centenário do nascimento de Darwin e o 150º aniversário da publicação de sua obra fundamental, A Origem das Espécies. 

 

 

Um exemplo de “cruzada sem cruz” no Brasil

 

O apologista mais rumoroso do darwinismo, o biólogo inglês Richard Dawkins, promoveu uma coleta de fundos para pagar anúncios colados em ônibus urbanos de cidades como Londres e Madri – os chamados ônibus-ateus –, com a mensagem: “Provavelmente Deus não existe. Deixe de se preocupar e goze sua vida”.

 

Em sua “cruzada sem cruz” contra o Deus Criador, Dawkins esteve no Brasil. Falou sobre o tema “Fé e ciência não vivem juntas”, na 7ª Festa Literária Internacional de Paraty (RJ). Segundo ele, “a religião não oferece coisas boas, obrigando as pessoas a viverem entre a escolha do bem ou do mal. Também não oferece uma explicação convincente para a evolução do homem. Acho que acreditar em algo de que não tenha provas é muito perigoso”. Seu último livro leva o significativo título: Deus, um delírio (7).

 

 

O evolucionismo religioso modernista ou progressista

 

O evolucionismo científico foi avidamente assimilado por uma corrente interna do catolicismo denominada modernismo, funestíssima doutrina que o Papa São Pio X condenou como herética. Na encíclica Pascendi, (8) ele verbera o modernismo porque, “em sua doutrina, a evolução é quase o capital. [...] O dogma, a Igreja, o culto sagrado, os livros que reverenciamos como santos, e até a própria fé, [...] devem se sujeitar às leis da evolução” (nº 25). Segundo a doutrina e as maquinações dos modernistas, nada há estável, nada há imutável na Igreja (nº 27).  Sobre esse erro, o santo pontífice aplicou qualificativo como “a síntese de todas as heresias” e “cúmulo infinito de sofismas, com os quais se racha e se destrói toda a religião”.

 

Após o falecimento de São Pio X, os modernistas voltaram à tona, recebendo o nome de progressistas. Entre seus teólogos destacou-se o Padre francês Teilhard de Chardin S.J., adepto ferrenho das teorias de Darwin, e que se envolveu numa grosseira fraude para fazer passar o esqueleto de um macaco pelo de um homem primitivo, o denominado homem de Piltdown.

 

O Pe. Teilhard de Chardin desenvolveu sofismas teológicos para encaixar o evolucionismo na doutrina católica. Recorreu a fórmulas não menos confusas que as darwinistas embebidas de panteísmo. Para ele, Deus seria a força que procura realizar-se através da evolução do universo. Esse “deus” incubado na natureza extraiu o homem do macaco e o impulsiona rumo a uma divinização futura (9).

 

Em virtude disso, para os progressistas a religião deve se colocar a serviço do homem, não tendo mais sentido cultuar um Deus transcendente e pessoal, invenção de uma etapa medieval ou inferior da evolução. 

 

Na prática, tais doutrinas desfechavam numa “luta de classes” dos leigos contra a Hierarquia Eclesiástica, na abolição das formas tradicionais de piedade e na adoção de cultos e templos que refletissem essa religiosidade cosmética. A moral, a ascese, a ortodoxia doutrinária perderiam sentido. A “nova moral” era a do sorriso, filho da consciência dessa presença do Cristo evoluindo, incubado no mundo. No profético livro Em Defesa da Ação Católica, Plínio Corrêa de Oliveira denunciou em forma magistral e exaustiva para onde levavam tais erros morais.  

 

 

O evolucionismo social: Marx e a “luta de classes”

 

O evolucionismo dito científico de Darwin favoreceu o evolucionismo social. Uma das figuras de proa desse evolucionismo foi o filósofo alemão Karl Marx.

 

O marxismo desenvolveu teorias muito análogas às darwinistas para justificar as teses mais inumanas. A “seleção natural” das espécies ofereceu uma aparência de cientificismo à “luta de classes” do marxismo-leninismo.

 

Na obra A Origem das Espécies, discorrendo sobre a “seleção natural”, Darwin afirma: “Como resultado direto desta guerra da natureza, que se traduz por fome e morte, o fato mais admirável que possamos conceber é a produção de animais superiores”.

 

Marx raciocinou de modo semelhante em matéria de “luta de classes” e evolução histórica, como escreveu no diário “New York Daily Tribune”: “As classes e as raças fracas demais para enfrentar as novas condições de vida devem sair do caminho” (10). E acrescentou depois que as raças mais fortes (as revolucionárias) deveriam realizar sua tarefa, enquanto “a principal tarefa de todas as outras raças e povos, grandes e pequenos, é perecer no holocausto revolucionário” (11). Nessa luta, gerar-se-ia o “homem novo” comunista, estágio mais avançado da evolução da matéria. O resultado disso foi o mais espantoso genocídio da História, levando a cabo por razões ideológicas e pretensamente científicas. A cifra de 100 milhões de vítimas, denunciada no Livro Negro do Comunismo, é tida hoje como aquém da realidade.

 

Na URSS de Stalin, o formulador oficial do evolucionismo marxista-leninista foi Trofim Danissovich Lyssenko, que se dizia seguidor de Darwin e aplicava à doutrina comunista o princípio darwiniano da “luta de todos contra todos na natureza” (12). Não só expurgos e chacinas, mas extermínios de classe e minoria étnicas “mais fracas” foram assim coonestados. Lyssenko empreendeu experiências para modificar vegetais e animais, mudando seu meio ambiente. Assim deveria acontecer em virtude dos postulados evolucionistas. Mas a teoria não podia dar certo e “os camponeses soviéticos jamais puderam se recuperar do desastre provocado por essas inovações”, observou o já citado Professor Lecourt.

 

Os cientistas russos que contestaram as fraudes de Lyssenko foram deportados para a Sibéria... Uma prefigura, aliás, do exílio moral e propagandístico a que os evolucionistas condenam hoje aqueles que não aceitam o “dogma” darwinista.

 

 

Darwin e o eugenismo adotado pelo evolucionismo

 

O termo eugenismo – de origem grega, significando melhoramento genético – foi cunhado por um primo-irmão de Charles Darwin e adepto da teoria da evolução, o matemático Francis Galton (1822-1911). Ele tentou criar uma “ciência para o melhoramento das linhagens” humanas, inspirada na criação dos animais. As doenças, os problemas sanitários, socioeconômicos ou sociais, como os ligados às classes pobres, eram interpretadas como fruto de “taras congênitas” próprias a espécimes “inferiores”.

 

A utopia eugenista foi adotada pelo evolucionismo social. Diversos métodos foram concebidos para detectar os indivíduos, categorias ou raças “decadentes” ou “inferiores”, que deveriam ser segregados, eliminados ou impedidos de se reproduzir para não servir de obstáculo ao progresso da evolução social.

 

À testa dessa tarefa anti-humana figuravam as nações protestantes. Em 1907, nos Estados Unidos, o estado de Indiana prescreveu a esterilização dos doentes mentais. Dois anos depois, foi à vez dos estados da Califórnia. Connecticut e Washington. Em 1917, 15 estados tinham adotado essa lei, e em 1950 já eram 33. A Suíça seguiu essa tendência eugenista em 1928; a Dinamarca (incluindo a esterilização para criminosos), em 1933; a Finlândia e a Suécia em 1935, e a Estônia em 1937.

 

 

Influência evolucionista no nazismo

 

O movimento nazista adotou freneticamente o evolucionismo e o eugenismo, e foi mais fidedigno à cartilha darwinista do que o marxismo. Em 1933, ordenou a esterilização de nove tipos de “doentes”, entre os quais os cegos, os alcoólatras e os esquizofrênicos! Calcula-se que 400.000 esterilizações foram praticadas pelo III Reich, na Alemanha e territórios ocupados. Um decreto secreto de 1940 obrigava as mulheres “inferiores” a abortar. O extermínio das “raças inferiores” e os esforços para produzir o “ariano puro” – a “raça superior” – são bem conhecidos.

 

Por certo, os atuais sequazes de Darwin deblateram contra as monstruosas consequências que o nazismo tirou do evolucionismo. Contudo, não é certo que manteriam essa linguagem caso o nazismo tivesse ganhado a II Guerra Mundial... De fato, após a conflagração, o eugenismo escorado no evolucionismo prosseguiu, e está no cerne das campanhas contra a vida. Os pretextos continuam os mesmos: impedir que nasçam crianças com defeitos graves, economicamente insustentáveis ou simplesmente “indesejadas”.

 

 

O “assassinato” da moral, confessado por Darwin

 

Aos 35 anos, Darwin escreveu a um amigo, afirmando estar “quase inteiramente convencido de que as espécies (e isto é como se confessasse um assassinato) não são imutáveis”. O professor Jean-Claude Ameisen, da Universidade Sorbonne-Paris VII, comenta essa “confissão”: “Um assassinato. [...] O assassinato da benevolência divina que vela sobre a natureza? O assassinato da idéia de um fundamento divino que alicerça a moral humana? Talvez Darwin pressentisse não só o abalo que produziria sua teoria em nossa visão da vida, mas também os desastres morais aos quais conduziria a tentação de aplicar aos seres humanos essa ‘lei da natureza’ cuja existência ele descobriu no coração da evolução cega” (13). Esse “assassinato intelectual” ficou como um “crime fundador” da “cultura da morte”, que surgiu alimentada por suas teorias relativistas e anticristãs.

 

 

Do “bebê perfeito” à criança fabricada em laboratório

 

Na trilha da utopia eugenista, a engenharia genética promete produzir um “bebê perfeito”, sem defeitos nem doenças. Mais ainda, ela tenta fabricar uma criança com coeficiente de inteligência, olhos e qualidades ideais. Segundo o Dr. Jacques Testart, pioneiro dos métodos de fecundação in vitro e defensor do evolucionismo, essa tendência prepara a gestação em laboratório de uma “nova humanidade”, e esse novo homem poderia ser chamado “homo geneticus”, que acabaria substituindo o “homo sapiens”, fase atual e provisória do homem na cosmovisão evolucionista. O sonho da “criança perfeita” a todo custo, segundo observa o jornalista científico Michel Alberganti, leva a tentar produzir uma “vida inventada de cabo a rabo”. Então a procriação será uma tarefa de laboratórios, e não mais de pais e mães. Nesse dia a família sofrerá um golpe mortal, pois lhe terá sido tirada sua finalidade primordial. A maternidade não existirá mais, e a Encarnação do Verbo parecerá um procedimento de uma espécie superada. O que será do homem rompido tão radicalmente com a Lei de Deus? A quem ele apelará na hora da angústia ou da necessidade? As perspectivas são “aterrorizantes para alguns” e “fascinantes para outros”, diz Alberganti.

 

O filósofo das ciências Jean-Pierre Dupuy, apoiando-se no pesquisador australiano Damien Broderick, da Universidade de Melbourne, aponta para o dia em que “o acaso que preside a evolução será substituído por uma pilotagem exercida pelo homem” (14). Contradição suma: com base na “evolução”, recusa-se Deus, mas na ponta do evolucionismo o homem se ergue sobre a tão alardeada evolução e se instala no lugar de Deus.

 

 

O pesadelo da confusão das espécies

 

Para os evolucionistas mais desinibidos, a “vida inventada de cabo a rabo” mergulhar-nos-ia no “paraíso da biodiversidade”. Este consistiria numa utopia igualitária onde as fronteiras entre o homem e os demais seres vivos seriam violadas, para aparecer toda sorte de híbridos: macacos-homens ou animais-vegetais.

 

Richard Dawkins, o mais renomado porta-voz hodierno do evolucionismo, deplora que “nossa moral e nossa política pressupõem [...] que a separação entre o homem e o animal é absoluta”. Ele deblatera contra os “pró-vida”, que se opõem ao aborto e à eutanásia com base em critérios éticos, como sendo seguidores especialmente condenáveis desse “erro”.

 

Dawkins também vitupera os católicos porque acreditam que o homem tem uma essência imutável: “Um tal ‘essencialismo’ é profundamente contrário à evolução”. Dawkins imagina um perverso “paraíso” em que todos os animais tivessem relações sexuais entre si, e em que um homem pudesse “se reproduzir com um chimpanzé”. Reconhece que tal “paraíso” – nós o chamaríamos de pandemônio – não existe, mas no futuro as ciências biológicas poderão forjar “cadeias de inter-fecundidade, a continuidade lógica da evolução” (15).

 

Ele prevê um primeiro passo: a criação em laboratório de “uma quimera composta de um número aproximadamente igual de células de homem e chimpanzé”. A revelação dessa “quimera” visaria provocar um escândalo e uma polemica na qual os homens seriam habituados à idéia de conviver com entes estranhos à ordem natural. “Eu admito sentir um calafrio de prazer, pensando no momento em que vamos questionar aquilo que até então parecia indiscutível” – completa este moderno Dom Quixote do darwinismo.

 

 

Justificação evolucionista para a extinção do ser humano

 

Aceitas essas perspectivas, os arraiais do evolucionismo se interrogam se está próxima a “extinção da humanidade” como nós a conhecemos.

 

O ecólogo americano Jared Diamond justifica tal suprema maluquice, apelando para os “dogmas” básicos do evolucionismo. Estes estabelecem – sempre arbitrariamente – que ao longo das fases históricas diversas espécies de humanóides foram extintas pelas espécies mais “evoluídas”. Agora teria chegado a vez do “homo sapiens”, ou sexta extinção. “Todos os indicadores da biodiversidade mostram que o trem rumo à sexta extinção já se lançou a toda velocidade”. Diz o professor Philippe Bouchet, do Museu Nacional de História Natural de Paris (16).

 

O darwinismo avançou na base de hipóteses inverossímeis, mas prenhes de otimismo quanto ao progresso evolutivo. No fim do seu desenvolvimento, desemboca num horizonte exterminador, mórbido e blasfemo. Não contêm essas perspectivas uma loucura ímpia, um supremo crime que visa suprimir da Terra o homem que Deus Nosso Senhor criou à sua imagem e semelhança?

 

 

Delírio final: o “pós-humano” e o fim do homem

 

Imaginam esses neodarwinianos que o homem extinguir-se-ia pelas suas próprias mãos. Não seria um suicídio coletivo impensável, como dizem os retardatários na evolução, mas sim um salto qualitativo.

 

O que isso quer dizer?

 

Para os evolucionistas mais atualizados, os avanços das biotecnologias teriam colocado sobre a Terra o “pós-humano”, antes da extinção coletiva.

 

O filósofo Jean-Michel Besnier, professor da Sorbonne-Paris IV, explica que o “pós-humano” “começou com a idéia de acabar com o determinismo dos nascimentos, pela aparição da pílula e do bebê de proveta”, ele acrescenta nessa linha a procriação assistida, a gestação em laboratório e a clonagem humana: “A utopia pós-humana imagina o fim da história natural da humanidade, tal como foi elaborada pela evolução. No fundo, essa utopia pretende [...] assumir a função da natureza”. Besnier acrescenta ainda que “o protótipo [do “pós-humano”] é o cyborg aparecido nos anos 60, [...] organismos biomecânicos dotados de próteses, vivendo em condições não-terrestres, adotados de faculdades novas que superam os limites humanos. Cyborgs, novos seres, que não evoluirão mais segundo as leis dos seres vivos”.  Escritores saídos de laboratórios de nanotecnologias, inteligência artificial e cibernética “se perguntam quais criaturas inumanas vão nos suceder, e imaginam formas de vida radicalmente inéditas” (17).

 

Essa multidão de robôs semi-biológicos cessará, sem dúvida, quando não haja mais humanos para consertá-los. A menos que se suponha que alguma espécie de espírito virá a se incubar neles, alegando ser uma inteligência artificial...

 

Ao contrário de uma hipótese realizável, essas elucubrações parecem um sonho concebido nos abismos infernais, visando frustrar o plano do Criador de todas as coisas para os homens.

 

“Abyssus abyssum invocat” (“Um abismo atrai outro abismo”, salmo 41, 8), diz a Sagrada Escritura. A falácia desse “pós-humano”, supremo produto do evolucionismo, disfarça o horror resultante do aniquilamento do gênero humano como auge da recusa de Deus, que é o desfecho lógico da “cultura da morte”.


 

Notas:

 

(1)                 In “Darwin. L’évolution, quelle histoire!”, hors-série de “Le Monde”, Paris, abril-maio 2009, p. 68. Todas as citações de Charles Darwin reproduzidas neste artigo provêm da mesma fonte.

(2)                 Id. ibid., p. 11.

(3)                 Id. ibid., p. 59.

(4)                 Id. ibid., p. 14.

(5)                 Cfr. http://www.msnbc.msn.com/id/29535870/, 05/3/09

(6)                 Id. Ibid., p. 60.

(7)                 “O Estado de S. Paulo”, 03-07-09.

(8)                 São Pio X, Encíclica Pascendi Dominic Gregis”, 8 de setembro de 1907.

(9)                 A 30 de junho de 1962, o ex-Santo Ofício – hoje, Congregação para a Doutrina da Fé – publicou uma advertência nos seguintes termos: “Certas obras do Pe. Pierre Teilhard de Chardin, incluindo algumas póstumas, têm sido publicadas e encontrado uma aceitação nada pequena. Independentemente do juízo que é devido no que se refere às ciências positivas, verifica-se claramente que, em matéria de Filosofia e de Teologia, as mencionadas obras contêm tais ambigüidades e também erros tão graves, que ofendem a doutrina católica. Por conseguinte, os Excelentíssimos e Reverendíssimos Padres da Suprema Congregação do Santo Ofício exortam todos os Bispos e os Superiores dos Institutos Religiosos, bem como os Reitores dos Seminários e das Universidades, a protegem os espíritos, em particular os dos jovens, dos perigos das obras do Pe. Teilhard de Chardin e das dos seus discípulos” (cfr. “L’ Osservatore Romano”, 30-06-62; cf. AAS 54 (1962), p. 526.). Por ocasião do centenário do nascimento de Teilhard de Chardin, a validade dessa advertência foi retirada em nota do Oficio de Imprensa da Santa Sé, publicada no “Osservatore Romano” de 21 de julho de 1981, após consulta ao Cardeal Secretário de Estado e ao Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

(10)             “New York Daily Tribune”, 22 de março de 1853, http://www.marxists.org/archive/marx/works/1853/03/04.htm

(11)             Karl Marx, “Die Neue Rheinische Zeitung”, janeiro de 1849, in “Journal of the history of ideas”, vol. 42, nº 1, 1981; www.churchinhistory.org/pages/booklets/roots%28n%29-2.htm

(12)             “Le Monde”, id. Ibid., p. 9.

(13)             Id. Ibid., p. 56.

(14)             Id. Ibid., p. 85.

(15)             Id. Ibid., p. 91.

(16)             Id. Ibid., p. 92.

(17)             Id. Ibid., p. 94.


Evolução: Mitos e Fatos

 

“Assim como o calor do Sol é um fato, a evolução também é um fato”, afirmou  Richard Dawkins, cientista evolucionista (1). Naturalmente, experiências e observações diretas provam que o Sol é quente. Mas será que experiências e observações diretas dão ao ensino da evolução o mesmo apoio inquestionável?

 

Antes de respondermos a essa pergunta, há algo que precisa ser esclarecido. Muitos cientistas notaram que, com o tempo, os descendentes de seres vivos podem sofrer leves mudanças. Por exemplo, os seres humanos podem cruzar cães de modo seletivo para que mais tarde os descendentes tenham pernas mais curtas ou pelo mais longo que seus antepassados. Alguns cientistas chamam essas leves mudanças de “microevolução”.

 

No entanto, os evolucionistas ensinam que essas pequenas mudanças lentamente se acumularam no decorrer de bilhões de anos e produziram as grandes mudanças necessárias para transformar peixes em anfíbios, e criaturas simiescas em seres humanos. Essas supostas grandes mudanças são definidas como “macroevolução”.

 

Charles Darwin, por exemplo, ensinou que as pequenas mudanças que podemos observar significam que mudanças bem maiores – nunca observadas – também são possíveis (2). Ele achava que com o passar de longos períodos, algumas formas de vida originais, chamadas de vida simples, evoluíram – por meio de “modificações extremamente leves” – para os milhões de diferentes formas de vida na Terra (3).

 

Muitos acham razoável essa afirmação. Eles se perguntam: ‘Se pequenas mudanças podem ocorrer dentro de uma espécie, por que a evolução não produziria grandes modificações com o passar de longos períodos?’ Na realidade, porém, o ensino da evolução se baseia em três mitos. Considere o seguinte.

 

Mito 1. As mutações suprem a matéria-prima necessária para se criar novas espécies. O ensino da macroevolução baseia-se na suposição de que as mutações – mudanças aleatórias no código genético de plantas e animais – podem produzir não apenas novas espécies, mas também famílias inteiramente novas de plantas e animais (4).

 

Os fatos. Muitas características de uma planta ou de um animal são determinadas pelas instruções contidas em seu código genético, o projeto, ou planta, presente no núcleo de cada célula. Os pesquisadores descobriram que as mutações podem produzir alterações nos descendentes das plantas e dos animais. Mas será que as mutações podem realmente produzir espécies inteiramente novas? O que um século de estudo no campo da pesquisa genética revelou?

 

Em fins dos anos 30, os cientistas adotaram entusiasticamente um novo conceito. Eles já achavam que a seleção natural – o processo pelo qual o organismo mais bem adaptado ao ambiente teria mais chance de sobreviver e procriar – poderia produzir novas espécies de plantas por meio de mutações aleatórias. Assim, eles agora presumiam que a escolha artificial de mutações, ou seja, a escolha manipulada pelo homem deveria ser capaz de fazer o mesmo com mais eficiência. “Espalhou-se a euforia entre os biólogos em geral e em especial entre os geneticistas e criadores de plantas e animais”, disse Wolf-Ekkehard Lönnig, cientista do Instituto Max Planck de Melhoramento Genético em Plantas, na Alemanha. Por que a euforia? Lönnig, que já passou cerca de 30 anos estudando a genética das mutações em plantas, disse: “Esses pesquisadores pensavam que o tempo de revolucionar o método tradicional de criação de plantas e de animais havia chegado. Achavam que, por induzir e selecionar as mutações favoráveis, poderiam produzir plantas e animais novos e melhores” (5). De fato, alguns esperavam produzir espécies inteiramente novas.

 

Cientistas nos Estados Unidos, Ásia, e Europa lançaram programas de pesquisa solidamente financiados que usavam métodos que prometiam acelerar a evolução. Depois de mais de 40 anos de intensas pesquisas, quais foram os resultados? “Apesar do enorme gasto financeiro”, diz o pesquisador Peter von Sengbusch, “a tentativa de desenvolver variedades cada vez mais produtivas por meio de irradiação [para causar mutações] mostrou ser um fiasco total” (6). E Lönnig disse: “Nos anos 80, a esperança e a euforia entre os cientistas acabou num fracasso global. O melhoramento genético como campo específico de pesquisa foi descontinuado nos países ocidentais. Quase todos os mutantes... morriam ou eram mais fracos que os espécimes naturais”.

 

Os experimentos com mutações revelaram vez após vez que o número de novos mutantes diminuía constantemente, ao passo que os mesmos tipos de mutantes continuavam a surgir. Além disso, menos de 1% das mutações em plantas foi selecionado para pesquisa adicional, e menos de 1% desse grupo foi considerado próprio para uso comercial. Mas nenhuma espécie inteiramente nova foi criada. Os resultados das tentativas de melhoramento genético em animais foram ainda piores que os realizados em plantas, e o procedimento foi descontinuado por completo.

 

Mesmo assim, os dados agora disponíveis depois de uns cem anos de pesquisa de mutações em geral, e de 70 anos de melhoramento genético em especial, possibilitam que os cientistas tirem conclusões sobre a capacidade das mutações de produzir novas espécies. Após examinar as provas, Lönnig concluiu: “As mutações não podem transformar uma espécie original [de planta ou animal] em outra totalmente nova. Essa conclusão está de acordo com o conjunto de todas as experiências e resultados sobre mutação realizados no século 20 e também com as leis da probabilidade”.

 

Portanto, podem as mutações fazer com que uma espécie evolua para uma espécie de criatura inteiramente nova? Não, segundo as evidências. As espécies de Lönnig levaram-no a concluir “que espécies geneticamente bem definidas têm limites reais que não podem ser anulados ou ultrapassados por mutações acidentais” (7).

 

Pense nas implicações dos fatos mencionados acima. Se cientistas altamente qualificados não conseguem produzir novas espécies por induzir e escolher de modo artificial as mutações favoráveis, seria provável que um processo sem inteligência fizesse um trabalho melhor? Se a pesquisa mostra que as mutações não podem transformar uma espécie original em outra totalmente nova, então exatamente como é que a macroevolução teria ocorrido?

 

Mito 2. A seleção natural levou à criação de novas espécies. Darwin acreditava que aquilo que ele chamou de seleção natural favoreceria as formas de vida mais bem adaptadas ao ambiente, enquanto as formas de vida menos adaptadas acabariam se extinguindo. Os evolucionistas modernos ensinam que, ao passo que as espécies se espalharam e se isolaram a seleção natural escolheu as espécies cujas mutações genéticas as tornaram mais adaptadas ao novo ambiente. Eles especulam que, em resultado disso, esses grupos isolados por fim evoluíram para espécies totalmente novas.

 

Os fatos. Como já mencionado, as evidencias obtidas pelas pesquisas cientificas indicam fortemente que mutações não podem produzir espécies de animais ou plantas inteiramente novas. Mesmo assim, que provas os evolucionistas apresentam para apoiar sua afirmação de que a seleção natural escolhe as mutações mais favoráveis para produzir novas espécies? Uma brochura publicada em 1999 pela Academia Nacional de Ciências (NAS), nos Estados Unidos, refere-se às “13 espécies de tentilhões estudadas por Darwin nas ilhas Galápagos, agora conhecidos como os tentilhões de Darwin” (8).

 

Nos anos 70, um grupo de pesquisa liberado por Peter e Rosemary Grant, da Universidade de Princeton, começou a estudar esses tentilhões e descobriu que, depois de um ano de seca nas ilhas, os tentilhões que tinham o bico ligeiramente maior sobreviviam com mais facilidade que os de bico menor. Visto que observar o tamanho e o formato do bico é uma das maneiras principais de classificar as 13 espécies de tentilhões, essas descobertas foram encaradas como significativas. A brochura NAS continua: “O casal Grant calculou que, se houvesse uma seca a cada dez anos nas ilhas, uma nova espécie de tentilhão poderia surgir em apenas uns 200 anos” (9).

 

No entanto, a brochura das NAS deixou de mencionar que nos anos que se seguiram à seca, os tentilhões com bicos menores voltaram a dominar a população. Os pesquisadores descobriram que, conforme mudava o clima na ilha, os tentilhões de bicos mais longos dominavam num ano, mas depois quem dominava eram os de bicos menores. Perceberam também que algumas das supostas espécies de tentilhões se cruzavam e produziam descendência que sobrevivia melhor que seus pais. Eles concluíram que, se esse cruzamento continuasse, poderia resultar na fusão de duas “espécies” numa só (10).

 

Portanto, será que a seleção natural realmente criou espécies inteiramente novas? Décadas atrás, o biólogo evolucionista George Christopher Williams começou a questionar se a seleção natural tinha tal capacidade (11). Em 1999, o teórico evolucionista Jeffrey H. Schwartz escreveu que a seleção natural pode ajudar as espécies a se adaptarem às exigências variáveis da existência, mas não cria nada novo (12).

 

  De fato, os tentilhões de Darwin não estão se transformando em algo “novo”. Ainda são tentilhões. E o cruzamento entre eles lança dúvidas sobre os métodos usados por alguns evolucionistas para definir uma espécie. Além disso, as informações sobre essas aves revelam que até mesmo academias científicas de prestígio não estão imunes a apresentar provas de maneira tendenciosa.  

 

Mito 3. O registro fóssil prova mudanças macroevolucionárias. A já mencionada brochura da NAS passa para o leitor a impressão de que os fósseis encontrados pelos cientistas são provas mais do que suficientes da macroevolução. Ela diz: “Foram descobertas tantas formas intermediárias entre peixes e anfíbios e répteis e mamíferos e nas linhagens dos primatas, que muitas vezes se torna difícil identificar categoricamente quando ocorre a transição entre uma espécie e outra” (13).

 

Os fatos. Essa declaração confiante feita na brochura da NAS é muito surpreendente. Por quê? Niles Eldredge, um evolucionista ferrenho, diz que o registro fóssil não mostra que houve um gradativo acúmulo de mudanças, mas sim que, por longos períodos, “pouca ou nenhuma mudança evolucionária se acumulou na maioria das espécies” (14).

 

Até hoje, cientistas do mundo inteiro já desenterraram e catalogaram uns 200 milhões de fósseis grandes e bilhões de micro fósseis. Muitos pesquisadores concordam que esse vasto e detalhado registro mostra que todos os principais grupos de animais surgiram de repente e permaneceram praticamente inalterados, com muitas espécies desaparecendo de modo tão repentino quanto surgiram.

 

 

Crer na evolução é um “ato de fé”

 

Por que muitos evolucionistas de destaque insistem que a macroevolução é um fato? Richard Lewontin, um influente evolucionista, escreveu candidamente que muitos cientistas estão dispostos a aceitar afirmações científicas não comprovadas “porque já [assumiram] outro compromisso, um compromisso com o materialismo”. Muitos cientistas se recusam até mesmo a considerar a possibilidade de que exista um Projetista inteligente porque, como escreve Lewontin, “não podemos permitir que a ciência abra a porta à idéia de um Deus” (15).

 

Nesse respeito, o renomado sociólogo americano Rodney Stark é citado na revista Scientific American como tendo dito: “Há 200 anos se propaga a idéia de que, se você quer ser um cientista, tem de manter a mente livre dos grilhões da religião”. Ele disse ainda que nas universidades em que se faz pesquisa “os religiosos ficam de boca fechada” (16). A pressão, a discriminação, e a perseguição de grupos organizados no meio acadêmico contra aqueles que acreditam em Deus tem se tornado uma prática terrorista. Existem grupos financiados por inimigos da religião que são tremendamente fanáticos e fundamentalistas.

 

Para aceitar o ensino da macroevolução como verdade, você tem de acreditar que os cientistas agnósticos ou ateus não se deixam influenciar por suas crenças pessoais ao interpretar as descobertas científicas. Tem de acreditar que as mutações e a seleção natural produziram todas as complexas formas de vida, mesmo que um século de pesquisas tenha mostrado que as mutações não transformaram nem uma única espécie bem definida em algo inteiramente novo. Tem de acreditar que todas as criaturas evoluíram de forma gradual de um ancestral comum, apesar de o registro fóssil indicar de modo eloquente que as principais espécies de plantas e de animais surgiram de repente e não evoluíram para outras, mesmo ao longo de incontáveis eras. Esse tipo de crença parece basear-se em fatos ou em mitos? Realmente, crer na evolução é um “ato de fé”. “Diz o insensato no seu coração: Deus não existe! Suas ações são corrompidas e abomináveis” (Sl 14,1).

 

 

CRIAÇÃO E EVOLUÇÃO

 

Os criacionistas são contrários à evolução, alegando não ter encontrado os fósseis que indiquem a transição de uma espécie para outra. Por outro lado, os adeptos da evolução, se defendem, por exemplo, como explica o Professor Sérgio Matioli da USP, especializado em evolução e biologia molecular: “As evidências em favor da evolução são tão avassaladoras que ela não é mais vista como teoria e sim como fato”.

 

Ele explica que o problema dos poucos fósseis de transição se deve a vários fatores... A imensa maioria dos seres vivos não tem características de transição porque está bem adaptada ao ambiente.

 

Para a Igreja não há oposição entre criação e evolução para explicar a origem do mundo e do homem. Os capítulos de Gênesis 1-3 apenas indicam que as criaturas foram criadas por Deus, a partir do nada e são boas. Deus as confiou ao casal humano, para que leve a termo a obra divina, fazendo que todas as criaturas contribuam para a glória do Criador mediante o sacerdócio do homem.

 

Não é um relato científico ou geográfico, mas religioso. No início houve um ato criador de Deus, que pode ter partido da matéria caótica e sem forma (o pó das estrelas, o Big Bang), e que através da evolução querida e guiada por Deus, pode ter produzido os seres minerais, vegetais, animais irracionais, até chegar ao ponto em que Deus cria a alma espiritual e imortal e a infunde no primata desenvolvido dando origem ao homem e à mulher.

 

Esta doutrina está contida nos ensinamentos da Igreja. O Papa Pio XII em sua encíclica Humani Generis, de 12/08/1950, disse: “O Magistério da Igreja não proíbe que, em confraternidade com o atual estado das ciências e da teologia, seja objeto de pesquisas e de discussões, por parte dos competentes em ambos os campos, a doutrina do evolucionismo, enquanto ela investiga a origem do corpo humano, que proviria de matéria orgânica preexistente (a fé católica nos obriga a professar que as almas são criadas imediatamente por Deus). Isto, põem, deve ser feito de tal maneira que as razões das duas opiniões, isto é, da que é favorável e da que é contrária ao evolucionismo, sejam ponderadas e julgadas com a necessária seriedade, moderação, justa medida e contanto que todos estejam dispostos a se sujeitarem ao juízo da Igreja, à qual Cristo confiou o oficio de interpretar autenticamente a Sagrada Escritura e de defender os dogmas da fé. Alguns, porém ultrapassam temerariamente esta liberdade de discussão, procedendo como se estivesse já demonstrado com certeza plena que o corpo humano se tenha originado de matéria orgânica preexistente, argumentando com certos indícios encontrados até agora e com raciocínios baseados sobre tais indícios; e isto como se nas fontes da Revelação não existisse nada que exija neste assunto a maior moderação e cautela”.

 

O Papa João Paulo II em mensagem dirigida à Pontifícia Academia das Ciências, em 22/10/1996, escrevia: “Pio XII sublinhou este ponto essencial: se o corpo humano tem a sua origem da matéria viva que lhe preexiste, a alma espiritual é imediatamente criada por Deus [“anima enim a Deo immediate creari catholica fides nos retinere iubet” Enc. Humani generis, AAS 42 (1950) p. 575].

 

“Como consequência, as teorias da evolução que, em função das filosofias que as inspiram, consideram o espírito como emergente das forças da matéria viva ou como um simples epifenômeno desta matéria, são incompatíveis com a verdade sobre o homem”.

 

O Papa João Paulo II retornou e abonou a posição de Pio XII, levando-a um pouco mais adiante, e afirmou ainda que  “a teoria da evolução é mais do que uma hipótese”; visto o grande número de dados empíricos (fósseis, testemunhos da Genética e da Biologia) (17).

 

Cremos na obra de Deus Criador e na Sua Divina Revelação. Sendo a fé um dom de Deus e a resposta do ato da inteligência humana, fé e ciência interagem para a vida espiritual e física, ou seja, a religião e o conhecimento são fundamentais para o progresso do bem da humanidade. O homem imagem e semelhança do Senhor Deus, segue de forma colossal criativo e abissal.

 

 

Pe. Inácio José do Vale, Professor de Historia da Igreja - Instituto de Teologia Bento XVI

Sociólogo em Ciência da Religião - Pesquisador do CAEEC (Área de Pós-Graduação)

 


NOTAS:

 

(1)                  Natural History, “Darwin & Evolution – The Illusion of Design”, de Richard Dawkins, novemvro de 2005, p. 37.

(2)                  Origin of Species,de Charles darwin, primeira ediçao, 1859, sexta ediçao, 1872, pp. 285-286.

(3)                  Charles Darwin – The Origino f Species, introdução de Sir Julian Huxley, 1958 para Introdução, First Signet Classic Printing, setembro de 2003, p. 458.

(4)                  Nobel Lectures, Physiology or Medicine 1942-1962, 1999, “The Production of Mutations”, de H. J. Muller, 1946, p. 162.

(5)                  Mutation Breeding, Evolution, and the Law of Recurrent Variation, de Wolf-Ekkehard Lönnig, “Expectations in Mutation Breeding”, 2005, p. 48, e entrevista com Work-Ekkehard Lönnig.

(6)                  Mutation Breeding, Evolution, and the Law of Recurrent Variation, pp. 48-51.

(7)                  Mutation Breeding, Evolution, and the Law of Recurrent Variation, pp. 49, 50, 52, 54, 59, 64 e entrevista com Wolf-Ekkehard Lönnig.

(8)                  Science and Creationism – A View From the National Academy of Sciences, “Evidence Supporting Biological Evolution”, p. 1999, p. 10.

(9)                  Science and Creationism – A View From the National Academy of Sciences, “Evidence Suporting Biological Evolution”, p. (10)                 Scientific American, “Natural Selection and Darwin’s Finches”, de Peter R. Grant, outubro de 1991, p. 87;

Nature, “Oscillating Selection on Darwin’s Finches”, de H. Lisle Gibbs e Peter R. Grant, 11 de junho de 1987, p. 511;

Science, “Hybridization of Bird Species”, de Peter R. Grant e B. Rosemary Grant, 10 de abril de 1992, pp. 193-197.

(11) Adaption and Natural Selection, de George C. Williams, 1966, p. 54.

(12) Sudden Origins – Fossils, Genes, and the Emergence od Species, de Jeffrey H. Schwartz, 1999, pp. 317-320.

(13) Science and Creationism – A View From the National Academy of Sciences, segunda edição, “Evidence Supporting Biological Evolution”, p. 14.

(14) The Triumph of Evolution and the Failure of Creationism, de Niles Eldredge, 2000, pp. 49, 85.

(15) The New York Review of Books, “Billions and Billions of Demons”, de Richard C. Lewontin, 9 de janeiro de 1997, pp. 28-32.

(16) Scientific American, “Scientists and Religion in America”, de Edward J. Larson e Larry Witham, setembro de 1999, p. 91.

(17) Aquino, Felipe Rinoldo Queiroz de. Ciência e Fé em harmonia, 4ª ed. Lorena; SP: Cléofas, 2007, pp. 191 e 192.


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