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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 395/abril 1995

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“A Religião e a Ciência”

A Religião e a Ciência, pelo Pe. Antonio Feitosa. Ed. Santuário, Caixa postal 04, 12570-970 Aparecida (SP), 1993, 140 x 210 mm, 157pp.

O Pe. Feitosa é autor de vários livros de espiritualidade e debates. Acaba de publicar uma obra de grande valor, que procura mostrar a harmonia existente entre a Religião e a Ciência; o autor é bom conhecedor de teorias e experiências de ordem física, astronômica, biológica..., que ele utiliza para evidenciar a concórdia do saber humano com as verdades da fé. O livro consta de seis capítulos bem estruturados:

O primeiro focaliza a atitude das "duas medidas": há quem se disponha a julgar e acusar a religião por erros meramente aparentes, ao passo que não querem reconhecer as falhas da ciência, que às apalpadelas está à procura da verdade. "Outrora quem dissesse que a soma dos ângulos de um triângulo nem sempre é igual a 180 graus seria condenado à forca pelo tribunal dos geómetras. E hoje, dos arraiais da Ciência, nos vêm vozes dizendo que a soma dos ângulos de um triângulo com vértice num pólo da terra e base na linha do equador seria maior que 180 graus. E também já se diz que num gigantesco círculo na superfície da terra a relação entre a circunferência e o diâmetro seria menor que o famoso pi. E ninguém fica escandalizado" (p. 33).

O segundo capítulo aborda o tema: "A Religião oferece mistérios, enquanto a ciência fornece certezas". O autor põe em foco numerosos mistérios da Ciência: "No chamado instante do big-bang o universo era mesmo infinitesimalmente pequeno e infinitamente denso? Aconteceu mesmo o big-bang?... Por que diminui o volume e cresce a massa de um objeto mais rapidamente, quando ele se aproxima da velocidade da luz?... Quais são as verdadeiras partículas elementares, os blocos básicos de construção de que tudo é feito? Dizia-se que era o átomo, e se sabe que não o é. Pensou-se que era o próton. E não é. Admitiu-se que era o nêutron. E não é. Seria o quark? A Ciência não sabe. Pode a Ciência estabelecer com precisão a energia dos quarks dentro do próton?" (p.63).

O capítulo terceiro refuta as explicações pelo acaso e pelo mecanicismo cego dos fenômenos da natureza. Apresenta múltiplos exemplos de adaptação de meios a fins precisos, previstos e bem determinados, sinal evidente de uma Inteligência e de um Poder que suscitam certos acontecimentos para que possam ocorrer outros. A evolução da natureza é finalista ou teleológica, não casual nem mecanicista:

"O médico Dr. Alexis Cairel atesta: 'Os fenômenos de adaptação tendem para um fim' ... A forma do cristalino modifica-se automaticamente para a visão a pequena ou a grande distância... A pupila também se modifica ou se adapta conforme a intensidade da luz... Durante a digestão o sangue perde notável quantidade de água, que é utilizada pelo estômago, pelo intestino, pelo fígado, pelo pâncreas, para que possam ser produzidas as respectivas secreções... Os tecidos contêm reservas de água, de sais, de gorduras, de proteínas, de açúcar, para que nada disto nos falte; mas não contêm reservas de oxigênio, e, para que este não nos falte (ai de nós, se faltasse), os pulmões o fornecem constantemente ao sangue" (p.85).

O capítulo quarto faz uma listagem de pesquisadores que, longe de ver oposição entre Ciência e Religião, foram, ao mesmo tempo, grandes homens de ciência e notáveis personagens de fé: Wernher von Braun, notável pelo aperfeiçoamento das bombas V2; Jerôme Lejeune, o mais abalizado geneticista dos nossos dias; Faraday, físico e químico inglês...

"No século XIX uma pesquisa entre os homens a quem a Ciência deve o melhor dos seus progressos, 432 sábios, obteve os resultados seguintes:

de 34 nada se conseguiu saber;

16 se declararam ateus;

15 se mostraram indiferentes;

367 manifestaram suas crenças religiosas.

Outra pesquisa, entre 398 cientistas, verificou: 4% ateus, 4% indiferentes, e 92% fiéis de crença religiosa" (p. 128).

O capítulo quinto, continuando o anterior, ilustra o axioma: "A pouca ciência pode afastar de Deus, mas a muita ciência leva a Deus". Disse Benjamin Franklin que "a meia-verdade é, às vezes, a maior mentira". Parodiando Franklin, pode-se dizer que “a meia-ciência é, às vezes, o que há de mais anticientífico”. (p.10).

Finalmente o capítulo sexto focaliza a questão da eternidade de Deus e da temporalidade do mundo. A matéria nem sempre existiu, não é eterna, mas foi criada. "Como nos diz a ciência que o mundo teve começo? Em linguagem bem variada, mas principalmente nos seus grandes enunciados sobre radiatividade e transformação de um elemento em outro..., sobre recessão das galáxias e expansão do universo... sobre degradação da energia e entropia" (pp. 135s).

"Os astrônomos associam big-bang (grande explosão inicial) com big-crunch (o colapso final do universo). Admite-se, pois, nos arraiais da Ciência que o universo teve começo e terá fim... Dados recentíssimos colhidos pelo telescópio espacial do satélite Cobe confirmam os cálculos dos astronomos: o big-bang 15 bilhões de anos. É um começo muito longínquo, mas, de fato, um começo... Os filósofos e ás vezes também os cientistas relacionam a temporalidade do mundo com a eternidade de Deus. Diz Haw-king (o mais notável e respeitado físico da atualidade): 'Pode-se imaginar que Deus tenha criado o universo em, literalmente, qualquertempo do passado. Por outro lado, se o universo está em expansão, deve haver razões físicas para que tivesse havido um começo. Pode-se ainda imaginar que Deus criou o universo no momento da grande explosão... Um universo em expansão não exclui um Criador, mas oferece limite quanto ao tempo em que Ele teria realizado sua tarefa' " (p. 145).

Em suma, o livro é notável por suas informações e o linear encaminhamento de suas conclusões. É para desejar que caia em mãos de muitos e muitos leitores, que o poderão apreciar se tiverem a base cultural que o segundo grau de nossos estudos proporciona.


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