PRáTICA CRISTã (1322)'
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Artigo

VIVER NA PRESENÇA DE JESUS

 

“Servo feliz é aquele a quem seu Mestre encontra a trabalhar quando retornar” (Mt 24,26).

 

A chave para ser um vigilante mordomo é o relacionamento permanente com seu mestre. Quando o mestre está presente, é obviamente mais fácil para um administrador ser vigilante, com os olhos sempre voltados para ele, e pronto para agir, a cada desejo seu. (Sl 123,2).

 

Quando não é óbvio para nós que nosso Mestre esteja presente, somos tentados a ser mordomos pecadores, desobedientes e egoístas. Para vencermos a essa tentação, Jesus Cristo nos coloca como seus mordomos, com risco de sermos punidos severamente (Mt 24,51). Mas Jesus está sempre conosco (Mt 1,23;28,20), ainda que muitas vezes não tenhamos consciência de Sua presença. Assim, devemos sempre cultivar um sentimento de presença do Divino Mestre.

 

Algumas formas de praticarmos essa presença são as seguintes.

 

·                     Receber a Jesus Eucarístico, na Santa Missa, se possível diariamente. Sua presença real na Eucaristia é a Sua presença “por excelência” (Ecclesia Eucharistia, 11, papa João Paulo II).

·                     Ler as Escrituras diariamente. Jesus está vivo e presente em Sua santa palavra (Jo 1,4; Hb 4,12).

·                     Praticar a oração da comunidade: o Mestre promete estar conosco (Mt 18,20).

·                     O nome do Mestre é “Emanuel”, que significa “Deus conosco” (Mt 1,23; 28,20).

·                     Realizar obras de caridades, (Tg 1, 27; 2,17).

 

Proclamemos a presença de Deus, que está constantemente conosco. Oremos, falando o nome de Jesus. Mesmo servos fiéis de Jesus não conseguem às vezes reconhecê-Lo (Mt 25,40-46). Portanto, é necessário, para que O reconheçamos, praticarmos constantemente Sua presença.

 

Viver na presença de Jesus é viver a plenitude do Espírito Santo (Ef 5,18). Orar, jejuar e estudar a palavra de Deus é o tripé da fidelidade ao Divino Mestre. Ele está no meio de nós para sempre.

 

 

O CÉU EM NÓS

 

Durante a nossa vida terrena, podemos nos preparar para o inferno, vivendo um “inferno na terra”. Para isso, simplesmente basta viver em um estilo de vida que sabemos desagradar ao Senhor Jesus. Em pouco tempo, nós corremos o risco de deslizar para tão longe de Jesus que, mesmo que reconheçamos Sua presença, não seremos capazes de mudar nosso estilo de vida. Estaremos longe o suficiente, na estrada da perdição, com um futuro sem a presença eterna de Jesus (Catecismo, 1033,1035). E então, a Boa-Nova é inaceitável para nós (1 Cor 1,18).

 

Alternativamente, podemos nos preparar para o céu, vivendo um “céu na terra”, isto é, uma vida constantemente na presença de Jesus. A cada respiração que fazemos, a cada passo que damos, a cada ação praticada, poderemos ter a consciência constante de que o Mestre está presente. Agimos de forma diferente porque sabemos que Ele está presente. Ansiamos por Sua presença, mais do que a corça anseia por águas correntes (S1 42,2). Nosso coração estará inquieto enquanto não descansar em Sua presença (Catecismo, 30). Nós mudamos nosso estilo de vida e passamos a fazer o que for preciso para ter mais tempo em Sua presença. Adoração eucarística e trabalhos em favor da justiça são maneiras de permanecermos na presença do Mestre e, assim, manter nossas lâmpadas cheias de óleo do Espírito Santo.

 

Nossa vida na terra e nosso futuro eterno estarão centrados em torno da presença de Jesus. “Por que adiar, então” (At 22,16)? Viva “resolutamente na presença do Senhor Jesus”, e continue “a crescer forte” (2 Cr 27,6).

 

A nossa preciosa vida só tem sentido quando, caminhamos olhando para Cristo (Hb 12,2). Todo inferno desaparece quando o nosso interesse é de forma radical querer só viver a presença de Jesus Cristo.

 

O céu em nós é a graça de Jesus, o amor de Deus e a plenitude do Espírito Santo.

 

A celestialidade no coração é o reconhecimento e aceitação de Cristo como Senhor, Mestre e Salvador.

 

 

CONCLUSÃO

 

O Cardeal vietnamita Francisco Xavier N. Van Thuan teve como lema de vida a esperança que enche de amor o momento presente. Mantido prisioneiro pelo regime comunista durante 13 anos, 9 dos quais em total isolamento, não ficou de “braços cruzados” esperando a libertação; pelo contrário, com a criatividade própria do amor, fez-se amigo dos carcereiros, construiu para si um crucifixo, celebrou a Eucaristia clandestinamente e escreveu três livros.

 

Dizia o Cardeal Van Thuan: “A minha única força é a Eucaristia”. Jesus gloriosamente presente na Eucaristia é a nossa  força e razão de viver a santa esperança.

 

Como é maravilhoso viver a presença de Jesus! Pela santíssima fé, já estamos nas moradas eternas.

 

Pe. Inácio José do Vale

Professor de História de Igreja

Instituto Teológico Bento XVI

Pregador de Retiros Espirituais

E-mail: [email protected]


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