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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 385/junho 1994

Mundo Atual

Carta Pastoral dos Bispos de Cuba:

"O AMOR TUDO ESPERA"

(1Cor 13,7)

Em síntese: Os onze Bispos de Cuba escreveram uma Mensagem ao Governo e ao povo cubano, traçando em linhas realistas a problemática que o país atravessa, e propondo pistas de solução, que começam pela reconciliação dos homens entre si; em vez do ódio, o amor reine, estreitando todos os cidadãos de Cuba na colaboração em prol da pátria. O documento é muito claro ao repelir a ideologia reinante e os males físicos e morais que ela tem causado, mas não agride pessoas; antes, usa de tom sereno, mais apto a convencer do que as acusações. Observa que, em vez de procurar os porquês da situação presente, mais vale procurar os para quês; os porquês levam a denúncias e atritos, ao passo que os para quês suscitam a esperança. Possam todos os cubanos, mesmo os prisioneiros e os voluntariamente exilados, ser chamados a trabalhar juntos pela reconstrução da pátria. O documento é belo e digno; contudo, parece ter provocado novas represálias do Estado contra a Igreja.

 

* * *

 

É notório o quanto a nação cubana está sofrendo sob um regime totalitário, que suprime a liberdade dos cidadãos. Os onze Bispos de Cuba, após longo silêncio, resolveram, aos 8/9/93, publicar uma Mensagem aos Governantes e a todos os cidadãos cubanos, em que abordam, de maneira equilibrada e, ao mesmo tempo, corajosa, a situação do país e sugerem providências indispensáveis para que se resolvam os respectivos problemas.

Visto que o texto é longo, publicaremos, a seguir, apenas as seções do mesmo mais significativas e interessantes para todo e qualquer leitor. O título soa: "El Amor todo lo espera" (1Cor 13,7), pois o documento apela para o amor como principal fator de reconstituição da vida nacional.


O TEXTO

O Amor vence o ódio

15.    Quando vozes abalizadas da Nação disseram que a Revolução é magnânima, alegramo-nos por estar tal idéia no horizonte daqueles que dirigem o país, pois assim é possível infundir a esperança de que se torne mais quente o pensamento e o vocabulario que orientam a vida do nosso povo. Pois o ódio não é uma força construtiva. Quando o amor e o ódio lutam, quem perde é o ódio. 'Quando tendo ao desespero, diz Gandhi, lembro-me de que na história a verdade e o amor sempre acabaram triunfando'. Através do tempo, o único amor que sempre perdeu, a breve ou a longo prazo, foi o amor próprio.

16.    Todos desejamos — e nesta intenção rezamos sempre — que em Cuba reine o amor entre os seus filhos, um amor que cicatrize tantas feridas abertas pelo ódio, um amor que estreite todos os cubanos num mesmo abraço fraterno, um amor que faça chegar a todos a hora do perdão, da anistia, da misericórdia. Um amor, enfim, que faça da felicidade dos outros a sua própria felicidade.

17.    Do fundo bíblico latente no pensamento de Martí nascem estas suas palavras: 'A única lei da autoridade é o amor', 'triste pátria seria aquela que tivesse o ódio por sustentáculo', '0 amor é a melhor lei' . , .

 

 

A Missão da Igreja

 

19. Nós., pastores da Igreja, não somos políticos, e bem sabemos que isto nos limita, mas também nos dá a possibilidade de falar a partir do tesouro que o Senhor nos confiou: a Palavra de Deus explicitada pelo Magistério e a experiência milenar da Igreja. Permite-nos também falar sobre o único objeto que nos corresponde: a contribuição da Igreja para o bem de todos no plano espiritual e humano. E falar na linguagem que nos é própria: a do amor cristão. A Igreja não pode ter um programa político, porque a sua esfera é outra, mas a Igreja pode e deve proferir seu juízo moral sobre tudo aquilo que seja humano e desumano, guardando sempre o respeito â autonomia de cada setor. . . Não nos identificamos com nenhum partido, aglomeração política ou ideologia, porque a fé não é uma ideologia, embora estas não sejam indiferentes â Igreja na medida em que têm um conteúdo ético. Nossos pontos de vista não estão relacionados com algum modelo político, mas interessa-nos saber o grau de humanidade que os modelos políticos contêm. Falamos, pois, sem compromissos e sem pressão de quem quer que seja...

 

A quem dirigimos esta Mensagem

21. Falamos a todos, também aos políticos, ou seja, a todos os que estão constituídos no difícil serviço da autoridade e aos que aí não estão, mas aspiram, dentro ou fora do país, a uma participação efetiva na vida política nacional. Falamos como cubanos a todos os cubanos, porque entendemos que todos os cubanos devemos resolver juntos as dificuldades de Cuba.

 

Nossas relações com outros países

22.     Na história deste século e em fins do século passado, tivemos as tristes experiências de intervenções estrangeiras em nossos assuntos nacionais. Em nossa história ma is recente aconteceu-nos o mesmo. Frente a algumas realidades negativas que nos legaram Governos anteriores, procuramos a solução de nossos problemas lá onde eles não tinham origem e junto a quem desconhecia nossa realidade por encontrar-se distante de nossa área geográfica e alheia á nossa tradição cultural. Foram travadas alianças políticas e militares e se pactuaram convênios comerciais.

23.     Não é de estranhar agora que alguns dos nossos atuais obstáculos provenham dessa estreita dependência que nos levou a copiar estruturas e modelos de comportamento. É o que explica a repercussão que teve entre nós a queda, na Europa Oriental, do socialismo real.

24.     Ao mesmo tempo, nós, afetados pela política de bloqueio que prevaleceu nos últimos decênios, sofremos o embargo norte-americano, restrições comerciais, isolamento, ameaças, etc.. . .

 

27. Por conseguinte, em nossa história recente há dois elementos significativos: a ajuda de alguns estrangeiros e a interferência de outros estrangeiros. No meio está o povo cubano, que luta, trabalha, sofre por um amanhã que se afasta cada vez ma is. Nesta situação, muitos parecem querer aliviar seus sofrimentos partindo para o estrangeiro, se o podem, e, se não o podem, idealizam fanaticamente tudo o que é estrangeiro ou fogem simplesmente da realidade numa espécie de exílio interno. Hoje se reconhece que aqueles cubanos que podem ajudar no plano da economia, são precisamente aqueles que nós tornamos estrangeiros. Não seria melhor reconhecer que eles também têm o legítimo direito e dever de trazer soluções, por serem eles cubanos? Como poderemos dirigir-nos a eles para pedir sua ajuda se não criamos primeiramente um clima de reconciliação entre todos os filhos do mesmo povo?

Tudo pode resolver-se entre cubanos

28. Nós, cubamos, é que temos de resolver os problemas entre nós, dentro de Cuba. Somos nós que temos de perguntar-nos seriamente: por que há tantos cubanos que querem ir embora, e se vão, da sua pátria? Por que, dentro da sua própria pátria, alguns renunciam â sua cidadania para pleitear uma cidadania estrangeira? Por que profissionais, trabalhadores, artistas, sacerdotes, esportistas, militares, militantes ou gente anônima e simples aproveitam qualquer saída temporária, pessoal ou oficial, para permanecer no estrangeiro? Por que é que o cubano sai da sua terra, sendo tradicionalmente tão caseiro que, na época colonial, não havia para ele castigo mais penoso do que a deportação, 'o indefinível desgosto', como o chama Marti, que também diz que 'um homem fora da sua pátria é como uma árvore no mar'...?

Por que, enfim, não tentar resolver nossos problemas juntamente com todos os cubanos, a partir da nossa perspectiva nacional, sem que alguém pretenda erguer-se como único defensor de nossos interesses ou em árbitro para nossos problemas, com soluções nas quais, às vezes, parece que os únicos que perdem são os cubanos?

 

A situação de nosso País

30.      As coisas não vão bem. Este tema está nas ruas, no âmago do nosso povo. Há descontentamento, incerteza, desespero na população. Os discursos oficiais, as manifestações pelos meios de comunicação social, os artigos da imprensa o comentam um pouco, mas a deterioração é rápida e progressiva, e a única solução que parece apresentar-se é a de resistir, sem que se possa prever a duração dessa resistência.

31.     Trinta e quatro anos são um período suficiente para se ter uma visão não apenas da conjuntura momentânea, mas também da história de um processo que nasceu cheio de promessas e ideais, dos quais alguns foram alcançados, mas nos quais, como tantas vezes acontece, a realidade não coincide com a idéia que dela tínhamos, porque não é possível adaptá-la sempre aos nossos sonhos.

 

No plano econômico, as necessidades materiais elementares chegaram a extrema gravidade. O solo belo e fértil da nossa ilha, a Pérola das Antilhas, deixou de ser a mãe-terra, cansada que está e incapaz de alimentar seus filhos com as duas colheitas anuais dos frutos... e das frutas que tornaram célebre o nosso solo fértil. O povo pergunta como é possível que estas coisas escasseiem e custem tão caro. O que se diz do setor agrícola, pode-se dizer também de outros setores e serviços...

 

A Dissolução da Moral

37.    Outro aspecto ao qual devemos dar atenção é a deterioração do clima moral em nossa pátria. Os pais, as mães, os sacerdotes, os educadores, os agentes da ordem pública e as autoridades se sentem muitas vezes desconcertados pelo incremento da delinqüência: roubos, assaltos, alastramento da prostituição e a violência por motivos geralmente desproporcionais. Tais comportamentos, não raro, são a manifestação de uma agressividade reprimida, que gera insegurança pessoal nas ruas e até nos lares.

38.    As carências matéria is mais elementares (alimentos, remédios, transportes, energia elétrica. . .) favorecem um clima de tensão que, em certos momentos, nos faz estranhar o cubano, que é, por sua índole, pacífico e cordial. Explosões de violência irracional começam a produzir-se em aldeias e cidades. Dirigimos um caloroso apelo ao nosso povo para que não sucumba à perigosa tentação da violência, que poderia gerar males maiores.

39.    Os elevados índices de alcoolismo e de suicídio revelam, entre outras coisas, a presença de fatores de depressão e de fuga da realidade. Os meios de comunicação social reconhecem, por vezes, esses fatos, mas não sempre tocam o âmago das causas e dos remédios. Sem dúvida, é muito difícil conseguir um clima moral se se tomam por base valores relativos e não o Absoluto. Mas é necessário que também nos perguntemos serenamente em que medida a intolerância, a permanente vigilância, a repressão, vão acumulando uma reserva de agressividade nos ânimos de muita gente, disposta a pular diante do mínimo estímulo. Com mais medidas punitivas não se conseguirá senão aumentar o número dos transgressores, como bem sabem os pais de família. É muito discutível o valor do castigo para humanizar, principalmente quando este rigor se exerce contra as convicções políticas dos cidadãos.

40.    Queremos, portanto, dirigir também um insistente apelo a todas as instâncias de ordem pública para que não cedam aos falsos recursos da violência. Repetimos: cremos que é possível enfrentar os problemas com serenidade e no clima de cordialidade que, de modo geral, nos tem caracterizado como povo.

 

Os Valores da nossa Cultura

41.    Têm sido grandes os esforços realizados, nestes últimos anos, para promovera cultura nacional. Mas, por outro lado, estão-se perdendo valores fundamentais da cultura cubana. Uma das perdas mais sensíveis é a dos valores familiares. A ruptura da família é a ruptura do que há de mais sagrado. A família deixou de ter uma unidade sólida para fragmentar-se dolorosamente: escolas no campo, jovens separados do lar, homens e mulheres trabalhando longe de casa, tanto fora como dentro do país, etc.

 

42. Os casamentos prematuros são um sinal de pouco equilíbrio social; os divórcios aumentam em termos alarmantes, colocando o ponto final a uniões que deveriam durar por toda a vida. Mais da metade dos que se casam, separam-se pouco tempo depois; há muitos filhos sem pais. A redução da mortalidade infantil é um êxito da Saúde Pública Cubana, mas a mortalidade por abortamento de crianças, que, antes de nascer, morrem no lugar mesmo onde se consideravam mais seguras ou no seio materno, é assombrosa, principalmente entre jovens de idade escolar. Apesar destes fatos negativos, na família está o eixo do presente e do futuro de Cuba. Portanto, se queremos uma pátria feliz, estamos todos comprometidos para proteger e promover os valores da família.

 

'A Verdade vos fará livres' (Jo 8,32)

43.    Devemos também refletir sobre a veracidade. A Convocação para o IV Congresso do Partido Comunista de Cuba fez um apelo muito nítido para erradicar o que chamam moral dupla, unanimidade falsa, simulação e sufocação de opiniões. Certamente um país onde vigoram tais atitudes, não é um país sadio nem completamente livre; torna-se aos poucos um país cético, desconfiado; por isto, querendo que surja um homem novo, podemos encontrar-nos com um homem falso.

44.    Todo homem tem direito, no que diz respeito à vida pública, a que a verdade completa lhe seja apresentada; quando isto não acontece, inicia-se um processo, em cadeia, de boatos, zombarias, piadas, âs vezes desrespeitosas, que podem ser a válvula de escape do que está reprimido no íntimo das pessoas. O pleno cultivo da verdade é condição de liberdade.

 

Os Aspectos Políticos

45.    A gravidade da situação econômica de Cuba também tem implicações políticas, pois o político e o econômico estão em estreita relação mútua.

46.    Parece-nos que na vida do país, juntamente com certas mudanças econômicas, que começam a ser postas em prática, se deveriam erradicar algumas normas políticas irritantes. Daí resultariam um alívio indiscutível e uma fonte de esperança na alma nacional:

47.1) O caráter excludente e onipresente da ideologia oficial, que implica a sinonímia de termos que não podem ser unívocos, ta is como: Pátria e socialismo, Estado e Governo, autoridade e poder, legalidade e moralidade, cubano e revolucionário. Este papel centralizador e absorvente da ideologia produz o cansaço diante das repetidas orientações e programações.

48.2) Os limites impostos ao exercício não somente de certas liberdades (o que poderia ser admissível em caráter transitório), mas à própria liberdade. Uma mudança substancial dessa atitude garantiria, entre outras coisas, a administração da justiça independente. Isto nos encaminharia, sobre bases estáveis, para a consolidação de um Estado de pleno direito.

49.3) O excessivo controle dos órgãos de segurança do Estado, que chega, às vezes, até a vida estritamente privada das pessoas. Assim se explica esse medo que não se sabe de quê, mas que se sente. . .

50.4) O elevado número de prisioneiros por ações que poderiam ser despenalizadas ou reconsideradas, de modo que se pusessem em liberdade muitos que cumprem penas por motivos econômicos, políticos ou semelhantes.

51.5) A discriminação, por razões filosóficas, políticas ou religiosas. Eliminada esta, favorecer-se-ia a participação de todos os cubanos, sem distinção, na vida do país. . .

 

O melhor caminho: o diálogo

60. Nenhuma realidade humana é absolutamente inquestionável. Temos de reconhecer que em Cuba há critérios diversos para julgar a situação do país e suas possíveis soluções; sabemos que o diálogo se está realizando a meia-voz nas ruas, nos centros de trabalho, nos lares. É evidente que os caminhos que levam á reconciliação e à paz, como o diálogo, têm inegável respaldo popular e, além disso, gozam de muita simpatia e prestígio.

 

Um diálogo entre cubanos

61.      O cubano é um povo sábio, não apenas pela sabedoria que procede dos livros, mas por essa outra sabedoria que vem da experiência da vida. Por isso, deseja um diálogo franco, amistoso e livre, no qual cada um expresse seu modo de sentir. . . Um diálogo não para acertar contas, apurar responsabilidades, reduzir ao silêncio o adversário,... mas para deixar-nos interpelar. Com a força podemos vencer um adversário, mas perdemos um amigo; é melhor um amigo ao lado do que um adversário no chão. Um diálogo que passe pela misericórdia, a anistia, a reconciliação, como quer o Senhor, que 'reconciliou os dois povos com Deus, unindo-os num só Corpo por meio da Cruz e destruindo a inimizade' (Ef 2,16).

62.      Um diálogo não tanto para averiguar os porquês, mas, sim, os para quês, pois todo porquê descobre sempre uma culpa, e todo para quê traz sempre consigo uma esperança. Um diálogo não somente de companheiros, mas de amigos a amigos, de irmãos a irmãos, de cubanos a cubanos que somos todos, de cubanos que, falando, se entendem; pensando juntos, seremos capazes de chegar a compromissos aceitáveis.

63.      Um diálogo com interlocutores responsáveis e livres e não com quem, antes de falar, já sabemos o que vai dizer, e, antes que o outro termine, já tem a resposta pronta.. .

 

65. Em Cuba há um só Partido, uma só imprensa, uma só televisão. Mas o diálogo a que nos referimos deve levar em conta a diversidade de meios e de pessoas. . .

68. Não esquecemos quantos problemas de Ei Salvador, Nicarágua, Argentina, Chile e da guerrilha da Colômbia terminaram em concórdia para o bem do povo mediante um diálogo em que ninguém perdeu e todos ganharam. Há países irmãos, dos quais temos certamente muito que evitar, mas também muito a aprender. . .

 

Uma reflexão necessária

 

70. Dirigimo-nos ao nosso povo em geral, com o qual nos sentimos solidários nos sucessos e nos fracassos, no bem e no mal. Nosso pensamento se volta agora para aqueles que foram levados às águas batismais e permaneceram fiéis à fé em circunstâncias difíceis. Nosso pensamento se volta também para os que abandonaram a fé ou a prátjca da fé, mas que a Igreja, Mãe pelo Batismo, traz em seu seio com amor materno. Volta-se igualmente para aqueles que não receberam o Batismo, mas são chamados pelo Senhor a formar, em Cristo, uma só alma e um só coração. Destes últimos somos irmãos pela linhagem humana e em virtude da cidadania cubana que nos faz a todos filhos desta terra...

73. Bem conhecemos os sofrimentos, às vezes desnecessários, acumulados no coração de tanta gente que parece já não agüentar, seja por causa dos desgostos que padecem para realizar seus trabalhos cotidianos, seja por causa da extrema carência de bens elementares. Conhecemos a dor causada a tantos cubanos pelos grandes lutos da Nação, como o dos irmãos internacionalistas que morreram em outras terras, ou o dos irmãos que até hoje morrem nos mares que cercam a nossa própria terra! Conhecemos a dor dos prisioneiros e das suas famílias e o sofrimento daqueles que estão longe.

74. Ao escrever esta mensagem, compartilhamos o penar daqueles anciãos afetados, em muitos casos, por carências materiais ou pela ausência definitiva de seus familiares, que torna mais dura a sua solidão. Temos presentes também os jovens, naturalmente cheios de ilusões, que se sentem freqüentemente céticos e destituídos de esperança.

A todos queremos dizer uma palavra de alento: a sensatez pode triunfar, a fraternidade pode ser maior do que as barreiras levantadas; a primeira mudança de que Cuba necessita,é a dos corações: nós pusemos nossa esperança em Deus, que pode converter os corações. . .

 

 

Conclusão

79.    Caros irmãos e amigos, ao terminar esta mensagem queremos voltar ao pensamento primeiro que a inspira e motiva: o da experiência universal do amor de Deus. Esse amor que se nos revela em Cristo, pois Ele nos manifestou a face de Deus, que é a de Jesus Crucificado, cujo coração aberto na Cruz não se fechou para ninguém, nem para nós, que o temos ofendido. Se Jesus não nos tivesse revelado outra coisa senão esta: 'Deus é amor' (1Jo 4,8), isso seria suficiente para sermos melhores e enchermo-nos de paz e esperança. Não estamos plenamente certos de que amamos a Deus como Ele o merece, mas estamos certos de que Deus nos ama como nós não merecemos.

80.    Pedimos ao Senhor a graça de redigir esta mensagem em sua linguagem de amor, sem fazer censura a quem quer que seja, embora questionemos o modo de pensar de alguns, porque, se não o fizéssemos, Deus não abençoaria o humilde serviço que queremos prestar a quantos livremente o queiram receber. Fazemo-lo com ilimitada confiança no amor de Deus, que se calou após a criação, mas continua 'trabalhando em todas as horas' (Jo 5,17). Ele vela sobre a sua cidade (SI 127), e também sobre Cuba, porque o Senhor está conosco e quer para nós o melhor. Ele tem em suas mãos, como Senhor da história, o coração de todos os homens. . .

82. Revitalizar a esperança dos cubanos é um dever daqueles em cujas mãos está o governo e o destino de Cuba; é também um dever da Igreja, que está separada do Estado, como deve ser, mas não da sociedade. Poderemos consegui-lo juntos, se formos animados por uma grande vontade de ser, mas não sem uma disposição para o sacrifício, 'amando mais intensamente e ensinando a amar, com confiança nos homens, com a certeza da ajuda paterna de Deus e com a força inata do bem', como dizia Paulo VI...

 

Com o nosso cordial e fraternal afeto no Senhor

 

La Habana, 8 de setembro de 1993 Os Bispos de Cuba"

 

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O texto é claro ao expor a grave situação de Cuba e propor pistas de solução. O principal problema é humano, ou seja, o dos corações, que são chamados a converter-se do ódio ao amor e ao senso de fraternidade. Note-se o tom sereno, que sabe repelir idéias e atitudes sem agredir pessoas; tal é a melhor maneira de atrair os homens mais distantes. — Há, porém, notícias de que a Mensagem dos Bispos de Cuba, em vez de encontrar acolhida por parte das autoridades governamentais, suscitou novas represálias contra a Igreja naquele país; os fiéis cristãos de outras nações não podem ficar alheios a tal drama; hão de participar dele mediante a oração e o envio, se possível, de gêneros alimentícios, vestes, objetos de uso pessoal às famílias de Cuba.


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