HOMILIAS (1635)'
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Artigo

Fazer frutificar os dons recebidos

 

Evangelho segundo São Mateus (Mt), capítulo 25

 

14

Será também como um homem que, tendo de viajar, reuniu seus servos e lhes confiou seus bens.

15

A um deu cinco talentos, a outro, dois, e a outro, um, segundo a capacidade de cada um. Depois partiu.

16

Logo em seguida, o que recebeu cinco talentos negociou com eles, fê-los produzir, e ganhou outros cinco.

17

Do mesmo modo, o que recebeu dois, ganhou outros dois.

18

Mas, o que recebeu apenas um, foi cavar a terra e escondeu o dinheiro de seu senhor.

19

Muito tempo depois, o senhor daqueles servos voltou e pediu-lhes contas.

20

O que recebeu cinco talentos, aproximou-se e apresentou outros cinco: - Senhor, disse-lhe, confiaste-me cinco talentos, eis aqui outros cinco que ganhei.'

21

Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.

22

O que recebeu dois talentos, adiantou-se também e disse: - Senhor, confiaste-me dois talentos, eis aqui os dois outros que lucrei.

23

Disse-lhe seu senhor: - Muito bem, servo bom e fiel, já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor.

24

Veio, por fim, o que recebeu só um talento: - Senhor, disse-lhe, sabia que és um homem duro, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste.

25

Por isso, tive medo e fui esconder teu talento na terra. Eis aqui, toma o que te pertence.

26

Respondeu-lhe seu senhor: - Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei e que recolho onde não espalhei.

27

Devias, pois, levar meu dinheiro ao banco e, à minha volta, eu receberia com os juros o que é meu.

28

Tirai-lhe este talento e dai-o ao que tem dez.

29

Dar-se-á ao que tem e terá em abundância. Mas ao que não tem, tirar-se-á mesmo aquilo que julga ter.

30

E a esse servo inútil, jogai-o nas trevas exteriores, ali haverá choro e ranger de dentes.

 

A parábola dos talentos diz respeito a todos os homens que, em lugar de ajudarem os seus irmãos com os seus bens, os seus conselhos e outros meios, só vivem para si próprios. [...] Nesta parábola, Jesus quer revelar-nos a enorme paciência de Nosso Senhor, mas, quanto a mim, penso que também faz alusão à ressurreição geral. [...] Antes de mais, os servos que prestam contas da sua gestão reconhecem, sem hesitações, o que era dom do seu senhor e o que era fruto da sua gestão. O primeiro diz: «Senhor, confiaste-me cinco talentos» e o segundo: «Senhor, confiaste-me dois talentos»; reconhecem assim que foi graças à bondade do seu senhor que obtiveram o capital que puseram a render em seu proveito. O seu reconhecimento vai ao ponto de atribuírem todo o mérito e toda a glória do seu sucesso à confiança do seu senhor. E que responde o senhor? «Muito bem, servo bom e fiel.» E não é realmente ser bom aplicar-se a fazer o bem aos seus irmãos? [...] «Entra no gozo do teu senhor»: trata-se da bem-aventurança da vida eterna.

 

Mas não foi assim com o mau servo. [...] Qual foi, pois, a resposta do senhor? «Servo mau e preguiçoso! [...] Devias ter levado o meu dinheiro aos banqueiros» quer dizer, devias ter falado, exortado, aconselhado os teus irmãos. Mas, replica talvez o servo, as pessoas poderiam não me escutar. Ao que o senhor responde: Isso não te diz respeito. [...] Podias, pelo menos ter depositado esse dinheiro para que eu o recebesse com juros quando regressasse. Esses juros designam as boas obras que procedem da escuta da Palavra que devemos anunciar. Devias ter feito a parte mais fácil do trabalho, deixando a mais difícil a meu cargo. [...] Que significa isto? Aquele que recebeu, a bem dos outros, a graça da palavra e do ensinamento e não fez uso deles verá essa graça ser-lhe tirada. Mas aquele que oferece a graça que recebeu com zelo e sabedoria receberá uma graça ainda mais abundante.

 

Comentário ao Evangelho de Mateus 25,14-30 feito por São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, Doutor da Igreja.

Homilias sobre o Evangelho de Mateus, nº 78, 2-3; PG 58, 713-714


São João Crisóstomo


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