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Artigo

PERGUNTE e RESPONDEREMOS 017 – maio 1959

 

Profecias do Fim do Mundo

M. XAVIER (Rio de Janeiro): Um de nossos periódicos, publicando longa série de artigos sobre profecias relativas ao fim do mundo, sugere a pergunta: "Será verdade mesmo? Arre! Vivemos uma época infernal! Já existe a crise de Berlim para estourar em junho vindouro, existe a parte misteriosamente final da profecia de Fátima e agora mais essa!

 

O autor dessas reportagens parece ser especialista em profecias, falando delas agora no Brasil e para nós... Que diz a Igreja disso tudo ? Pode-se acreditar para segurança ou deve-se menosprezar quiçá o aviso?"


Em primeiro lugar, lembraremos que as reportagens citadas não obedecem a critério algum na citação dos vaticínios. Recorrem tanto ao S. Evangelho e a S. Paulo (palavras da S. Escritura, infelizmente, porém, interpretadas arbitrariamente ou sem conhecimento das regras de hermenêutica) como a revelações particulares, de cuja autenticidade se pode duvidar, e a obras de escritores modernos destituídos de autoridade. Tal ecleticismo já por si se desacredita aos olhos do cristão. Não haja dúvida: a S. Escritura não dá margem alguma para se calcular o dia da segunda vinda do Senhor; só indica sinais precursores assaz vagos, como guerras, fome, peste, apostasia da fé, conversão dos judeus, sinais que se adaptam a mais de uma época da história. Era, aliás, a intenção mesma de Jesus não revelar "nem o dia nem a hora" (cf. Mc 13,32 ; At 1,7), a fim de que os seus discípulos estivessem sempre prontos para O receberem. Vivamos, pois, simplesmente da fé, e não queiramos com a fantasia "furar" o horizonte!


Quanto a revelações particulares, a doutrina cristã ensina o seguinte:


Deus se dignou comunicar aos homens verdades religiosas até a morte do último dos Apóstolos (S. João, por volta do ano 100). Tais proposições conservadas autenticamente pelo magistério oficial da Igreja constituem o que se chama a "Revelação pública", à qual todos os cristãos devem prestar sua adesão de fé. — Após a morte dos Apóstolos, a Igreja admite:

1) que possa haver revelações particulares (aparições, visões, oráculos dos santos...); admite mesmo

2) que as tenha havido (aprovou algumas delas direta ou .indiretamente, como as de. Lourdes, Fátima, Paray-le-Monial...,). Contudo a Igreja as examina com certa severidade, pois julga:

  a) que se deve tratar de intervenções de Deus raras, as quais hão do ser comprovadas e jamais podem ser pressupostas. Além disso, a Igreja ensina

 b) que as autênticas revelações particulares devem estar de acordo com a Revelação pública e

 c) que nunca se impõem obrigatòriamente à fé dos cristãos, a não ser que alguém tenha evidência de que Deus realmente se revelou em tal ou tal caso (está claro que quem tem essa evidência e não crê, está contrariando a Deus; mas é certo que Deus não dá a todos os homens os mesmos sinais de evidência).

 

Por conseguinte, haja muita cautela no tocante a profecias e revelações particulares. Mesmo quando impressas com o "Imprimatur" ou a licença de um bispo, nem sempre representam o pensamento comum da Igreja; o "Imprimatur" significa apenas que na respectiva obra nada se encontra contra a fé e a moral cristãs, o que está longe de ser uma recomendação positiva das idéias aí expressas.


Em conclusão: as apregoadas profecias concernentes ao próximo fim do mundo não merecem deter mais longamente a nossa atenção. O que importa ao cristão é dar ao mundo o testemunho de que Deus é vivo e está presente entre nós todos os dias, manifestando-se pela santidade de seus fiéis.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)


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