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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 007 – julho 1958

 

Tradição e Evangelhos

S. A. (Rio de Janeiro) pergunta: “Jesus não terá condenado a Tradição em Mt 15, 1-9; Mc 7, 1-13?”

 

Eis aqui o texto de São Marcos (7,1-9), que é o mais explícito (tradução de Ferreira de Almeida):

“E ajuntaram-se a Jesus os fariseus e alguns dos escribas que tinham vindo de Jerusalém. E, vendo que alguns dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, por lavar, os repreendiam. Porque os fariseus e todos os judeus, conservando a tradição dos antigos, não comem sem lavar as mãos muitas vezes; e, quando voltam do mercado, se não sé lavarem, não comem. E muitas outras coisas há que receberam para observar, como lavar os copos e os jarros e os vasos de metal e as camas.

Depois perguntaram-lhe os fariseus e os escribas: 'Porque não andam os teus discípulos conforme a tradição dos antigos, mas comem o pão com as mãos por lavar?’ E ele, respondendo, disse-lhes: 'Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens, porque, deixando o mandamento de Deus, vos apegais à tradição dos homens, (como o lavar dos jarros e dos copos), e fazeis muitas outras coisas semelhantes a estas'. E dizia-lhes: 'Bem invalidais o mandamento de Deus para guardardes a vossa tradição' ”.

 

Não será preciso refletir muito sobre o texto para se perceber seu significado. A resposta que Jesus dá aos fariseus mostra que o Senhor de modo nenhum intencionou entrar no tema do valor da Tradição como tal, mas voltou sua atenção exclusivamente para a Tradição como era cultivada pelos fariseus. Cristo estava em presença de adversários que, cheios de si, presumindo de sua sabedoria e justiça, não desejavam ser iluminados e instruídos acerca das bases e do espírito da religião. Por isto Jesus se limitou a mostrar que, no caso preciso dos fariseus, o apego à tradição era reprovável, porque se tornava motivo de derrogar aos preceitos de Deus, servindo de capa ‘à hipocrisia e à vontade própria’. Ficou fora de discussão a questão da autoridade da tradição não farisaica.

 

Ora, justamente a Igreja reconhece haver tradições aberrantes, entre as quais as que derrogam à Palavra explícita de Deus ou concorrem para dissimular o pecado e o vício.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)

 


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