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Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS – março 2008

A realidade que poucos conhecem:

 

"O MÉTODO BILLINGS"

por Evelyn Billings e Ann Westmore

 

Em síntese: Muitos casais estão interessados em controlar a própria fecundidade, mas não veem claramente o método a seguir. O casal de médicos australianos John e Evelyn Billings propõe o método do muco cervical, que indica com precisão os dias férteis e os dias estéreis da mulher. O método descrito num livro minucioso vai abaixo explanado, e comparado com outros métodos.

 

Está na sua 12ª edição (novembro de 2007) o livro "O Método Billings" da autoria da Dra. Evelyn Billings e de sua colaboradora Ann Westmore ([1]). É principalmente dirigido às mulheres, que são abordadas pelo tratamento de "você", porque expõe com muitas minúcias o funcionamento do aparelho genital feminino a fim de lhes mostrar como descobrir se estão em fase de fertilidade ou não, sem ter que recorrer a artifícios físicos ou químicos, que fazem mal à saúde.

 

O livro apresenta 16 capítulos e muitos gráficos que tornam a matéria compreensível e elucidativa. A seguir, proporemos algumas das observações que as autoras oferecem acerca do Método Billings e de outros postos em uso na sociedade contemporânea.

 

1. O Método Billings

 

À p. 5 lê-se o seguinte:

No século XX grandes quantias de dinheiro foram investidas no desenvolvimento de métodos químicos e mecânicos de anticoncepção. Porém produtos tais como a pílula, condons e diafragmas têm suas desvantagens. No caso da pílula a extensão e a severidade de seus efeitos colaterais se fazem cada vez mais patentes. Muitas mulheres estão deixando a pílula por causa dos seus efeitos abrangentes do corpo inteiro.

 

A esterilização está sendo praticada em muitos lugares. Mas muitos casais não a consideram um modo aceitável para controlar a fertilidade.

 

Conscientes desta lacuna, um grupo de pesquisadores médicos de Melbourne (Austrália) descobriu que as mulheres mesmas podem reconhecer quando estão férteis ou inférteis pelas características do muco que elas podem sentir e ver. O muco é uma secreção de células que reveste a cervi ou o colo uterino, parte inferior do útero. Quando a mulher está fértil, o muco é produzido pela cervi perto do tempo da ovulação; dá uma sensação escorregadia e lubrificante ([2]) e tende a formar filamentos; aparece então como clara de ovo cru. Os pormenores deste fenômeno biológico são amplamente expostos no corpo do livro.

 

É de notar que, à diferença dos métodos artificiais, o método aqui exposto exige a colaboração de ambos os cônjuges, que devem estar de acordo entre si no intuito de não ter relações nos dias férteis. Para muitos casais acontece que mais ou menos a metade dos dias de um ciclo típico estão disponíveis para o coito. Em geral, os dias disponíveis para relações sexuais estão espalhados pelo ciclo, de tal forma que a abstinência sexual não seja exigida por longo tempo em nenhum ciclo.

 

Ao contrário, os métodos artificiais fazem que um dos cônjuges carregue a sós os incômodos da pílula, do DIU ou da vasectomia - o que redunda em desequilíbrio do casal e certa injustiça para com a parte vítima das contraindicações de qualquer procedimento artificial.

 

Se o casal deseja uma criança, o método Billings pode ajudá-lo, pois indica os dias férteis, que no caso são os dias desejados.

 

A eficácia do método foi demonstrada recentemente por um estudo em cinco países patrocinado pela Organização Mundial da Saúde. O informe preliminar indica uma eficácia de cerca de 97%. Isto quer dizer que entre cem casais que seguem o método durante um ano três gestações podem suceder. Isto compara-se favoravelmente com a eficiência de métodos anticoncepcionais, incluindo a pílula e o DIU.

 

O Prefácio do livro conclui-se com uma observação da Dra. Evelyn Billings:

 

"A insatisfação das mulheres com os métodos anticoncepcionais pode ser ouvida pelo mundo inteiro. Só recentemente conseguimos perceber que a própria natureza nos dá a resposta. Reconhecer estes sinais de fertilidade é como recordar algo de nós mesmos esquecido por muito tempo"'(p. 5).

 

Merece atenção ainda o que se lê às pp. 20s do livro, com referência à origem de novo ser:

 

"Quando o espermatozóide penetra na membrana externa do óvulo, seus 23 cromossomos se juntam com os 23 cromossomos do óvulo, é uma nova vida ocorrente nessa época, chamada "zigoto", que começa um potencial de duração de uns setenta anos.

Quando o espermatozóide e o óvulo se fundem, as características hereditárias do novo ser, tais como cor do cabelo, e constituição física e bioquímica estão estabelecidas".

 

Voltando a tratar do Método Billings, as duas autoras do livro consideram uma objeção:

 

A taxa atual de gravidez em algumas pesquisas do Método de Ovulação (ou Billings) é de cerca de 20%. Por que isto?

Resposta: "A grande maioria das gestações ocorre quando reconhecidamente os casais não observam as normas do Método. Isto se dá porque eles não estão bem definidos a respeito do desejo de ter ou não filhos. Outras razões existem que são muito complexas e pessoais. Os casais estão livres para usar o método como quiserem.

 

Uma minoria das gestações indesejadas resulta de ensino inadequado; outras ocorrem quando os casais interpretam mal o muco. A gravidez é extremamente rara entre os casais que cooperam entre si e que estão bem informados sobre o Método e motivados para que ele funcione" (pp. 75s).

 

2. Métodos artificiais

 

Às pp. 160s leem-se as seguintes considerações:

"Conquanto a pílula tenha facilitado para muitas mulheres um controle efetivo da fertilidade, não o fez sem dano. Nos anos recentes tem-se notado uma tendência a evitar a pílula. O entusiasmo da década de 60 cedeu a crescente precaução em virtude dos efeitos colaterais do uso da pílula.

 

O ideal no controle da fertilidade é um método que seja confiável, inócuo, imediatamente reversível e barato. Não deve diminuir o prazer do coito e deve estimular um bom relacionamento emocional e sexual dos esposos. Como anticoncepcionais artificiais atualmente disponíveis se conformam com estes critérios?

 

Apesar da grande inversão do dinheiro e investigação de novos métodos nos anos recentes, quase todos os métodos falham em um aspecto ou outro. Portanto casais que buscam uma maneira para limitar ou espaçar suas famílias enfrentam um dilema real".

 

Na prática todo método de controle artificial da fertilidade tem sua taxa de falhas.

São precisamente os efeitos nocivos de cada método artificial que as duas autoras do livro consideram em páginas ricas de conteúdo tecnológico e biológico. Examinemos alguns traços desse quadro:

 

2.1. A pílula anticoncepcional

 

É uma combinação de dois hormônios sintéticos: estrógeno e progestogeno. Progestogeno é uma substância parecida com o hormônio progesterona, que é produzido naturalmente pelos ovários.

 

A pílula, sem dúvida, realiza o que propõe - evita gravidez. Mas ao mesmo tempo pode fazer muitas outras coisas, algumas das quais não são agradáveis. O aspecto mais desconcertante da pílula é que ela pode afetar todo o sistema de órgãos do corpo. Mais do que trinta efeitos colaterais têm sido documentados nas revistas médicas, nos boletins de informações de Ministério da Saúde de vários países e nos Conselhos de eminentes organizações médicas. Isto não surpreende, pois não pode fazer bem um preparado farmacêutico colocado num organismo que funciona bem, para que não funcione bem.

 

Dentre os efeitos colaterais da pílula, sejam assinalados: trombose, derrame cerebral, tumores do fígado, deformidades congênitas, tumores do seio, diabetes...

 

Enquanto mulheres em número crescente estão preferindo o DIU, em razão de não estarem satisfeitas com a pílula, o DIU não parece resolver o problema delas. Além da possibilidade de câimbras dolorosas, provoca desordens menstruais e infecções internas, algumas mulheres exprimem indignação ao conceber a ideia de ter que tolerar por anos e anos aparelhos de metal ou plástico dentro dos seus órgãos reprodutivos.

 

2.2. Laqueadura ou ligação das trompas

 

Entre os males assim causados enumeram-se sangramento severo, infecção pélvica, gravidez ectópica... A taxa de gravidez ectópica após a ligadura das trompas de Falópio é calculada em vinte vezes maior do que ocorre ordinariamente. A incidência de problemas menstruais tais como sangramento forte varia de 8 a 25%.

 

Não nos deteremos sobre outros métodos artificiais enumerados e comentados pelas autoras do livro em foco; evidenciam os notáveis inconvenientes de todos esses recursos.

 

3. Métodos naturais

 

São quatro: o método do Ritmo ou da tabelinha, o de Doyle ou da temperatura basal, o Sintotérmico e o da Ovulação (de Billings).

 

1) O Método da tabelinha não merece crédito, pois calcula à distância os dias férteis, podendo este cálculo falhar quando o organismo da mulher sofrer irregularidades.

 

2) O Método da Temperatura basal

No tempo da ovulação ou logo depois, há uma pequena elevação na temperatura basal do organismo. Existe um termômetro especial para medir a temperatura em tais circunstâncias. Há problemas associados a este Método:

a)A alteração da temperatura seria somente uma indicação retrospectiva de que a ovulação ocorreu; não oferece aviso prévio da ovulação e da crescente fertilidade do organismo.

b)A tomada de temperatura pode causar equívocos. Uma temperatura aparentemente alta pode provir de febre ou de grande ingestão de álcool.

c)A exigência de que a temperatura seja tomada na mesma hora após descanso ou sono pode ser impraticável em muitas situações familiares.

 

3)  O Método Sintotérmico combina vários elementos do Método da Temperatura Basal e da Ovulação. Tanto a temperatura como o muco cervical são considerados para entender o estado de fertilidade.

 

4)  O Método da Ovulação consiste em levar a mulher a perceber ela mesma como está o muco produzido pela cervi ou pelo colo uterino. Esta percepção fornece uma indicação reconhecível e cientificamente comprovada do seu estado de fertilidade. Não acarreta despesas farmacêuticas nem perturba o funcionamento do organismo e exige do casal uma solidariedade benfazeja na procura do seu ideal de família, sendo marido e mulher portadores da responsabilidade comum. Não há dúvida de que as mulheres têm um conjunto de sinais inatos referentes à sua fertilidade. Está continuamente crescendo o número de mulheres que encontram no uso destes sinais um processo libertador.

 

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)



[1] Ed. Paulus, São Paulo, 253 pp.

[2] Lubrificante para facilitar a passagem dos espermas.


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