REVISTA PeR (8473)'
     ||  Início  ->  
Artigo

PERGUNTE E RESPONDEREMOS 346 – março 1991

Otimismo peia sugestão:

 

"Liberte seu Poder Extra"

Pedro A. Grisa

 

Em síntese: O livro recenseado tenciona disseminar otimismo na base de proposições panteístas fantasiosas. "Como o filho de peixe, peixinho é, os filhos de Deus, deuses têm que ser também" (pp. 31s). Desta afirmação deduz o autor que o homem é co-Criador, e, pelo poder de sua mente concentrada com otimismo sobre determinado objetivo, é capaz de obter ou realizar tal objetivo. O livro ensina exercícios e técnicas de concentração, aos quais atribui efeitos maravilhosos. Ora o panteísmo é aberração não somente no plano religioso, mas também no plano filosófico ou racional, pois identifica o Absoluto e o relativo, o Infinito e o finito. Os efeitos que Pedro Grisa atribui às suas técnicas, quando realmente ocorrem, são, na grande maioria dos casos, devidos à força da sugestão ou de condicionamentos positivos que as sentenças do autor incutem ao respectivo cliente. Não queremos, porém, negar as atividades parapsicológicas do ser humano (percepção extrassensorial, telepatia, clarividência. . .), que são reconhecidas e estudadas por autores católicos em perspectiva cristã, sem panteísmo ou sem a concepção de que a Divindade, o mundo e o homem constituem uma grande rede de vibrações e comunicações.

 

Os autores de Psicologia e Parapsicologia têm-se aplicado, ultimamente, a despertar no público atitudes de otimismo, dando a impressão de que a mente humana é todo-poderosa como o próprio Deus o é. Os livros portadores de tal mensagem fazem grande sucesso. Todavia quem os lê atentamente, verifica que, no plano doutrinário, não resistem ao crivo da razão ou da lógica. — É o que se poderá averiguar após o exame sereno do livro de Pedro A. Grisa: "Liberte seu Poder Extra". ([1])

 

1. A mensagem do autor

 

1.1. A mente é poderosa.. . Por quê?

 

Pedro Grisa afirma que todo ser humano dispõe de poder enorme situado em sua mente, mas desconhecido ou não utilizado pela maioria dos indivíduos. E como justifica essa afirmação?

 

Supõe que o Universo seja uma rede de seres que estão em sintonia entre si, de modo que quem sabe acionar um elemento dessa rede consegue acionar outros de grande alcance. São palavras do autor:

 

"Una-se a mim ou a ele, construindo um novo Nós, sintonizando mais e mais com a Harmonia Cósmica...

Que seu futuro, por mais difícil que pareça ser, seja sempre mais marcado pela Riqueza, pela Saúde, pela Sabedoria e pela Felicidade, vivendo na paz, no amor e na dinâmica Harmonia evolutiva do Universo" (pp. 7s).

 

O poder assim atribuído à mente humana faz o homem co-criador do Universo ou, de certo modo, igual a Deus:

 

"Pela Lei da Criação tornamo-nos CO-CRIADORES do Universo com Deus. Assim podemos compreender a Rea/idade Objetiva existente por trás da expressão bíblica que diz serem os seres humanos filhos de Deus.

Sabemos, pela observação da Natureza, que 'filho de peixe, peixinho é', 'filhote de onça nasce pintado'', 'de ventre de ovelha não nasce cabrito'...

 

Assim, se somos Filhos de Deus, deuses temos que ser também. Pelo Poder de Criar a realidade em que vivemos, pela Lei da Criação comprovamos a legitimidade de nossa origem divina. Como Deus cria o Universo pela palavra (Verbo), por Seu Pensamento, assim nós — Seres Humanos, Filhos de Deus — criamos o nosso mundo pelo Poder da Mente (Subconsciente): '0 que se cria na Mente, torna-se realidade'" (pp. 31 s). ([2])

 

Pedro A. Grísa explica ulteriormente o seu pensamento, falando de EU-PROFUNDO, que se liga à Onipotência Divina:

 

"Todas as expressões como: 'Eu-Superior, Cristo-Interior, Mente-Mística, Poder-Cósmico, Eu-Verdadeiro. . .' poderíamos também chamar de EU-PROFUNDO, a realidade mais profunda da interioridade humana, que nos põe em ligação direta com os atributos divinos da Onipotência (omni-po-tentia), poder tudo ou tudo poder, poder infinito da Mente), fonte do Poder Extra; bem como da Onipresença (estar em toda parte) e da Oniciência (saber tudo, registro pleno de todas as leis cósmicas)" (p. 32).

 

Merece atenção ainda o texto da p. 152:

 

"Você possui os poderes ilimitados do Psiquismo não porque é João, Maria, Tibúrcio ou Felisberto, mas sim porque você está integrado na Perfeita Harmonia do Universo.

 

O Poder está em você, enquanto estiver unido à fonte do Absoluto Poder Cósmico".

 

Como se vê, as leis da mente ou o exercício do pensamento e as leis do universo estão em íntima relação mútua — o que confirma a conclusão de que, segundo Pedro A. Grisa, o homem faz parte de uma rede de vibrações que é preciso captar e emitir sabiamente para conseguir efeitos extraordinários. — Pergunta-se agora:

 

1.2. E como se exercita o poder da mente?

 

O autor explana a resposta às pp. 35-47. Acha-se sintetizada às pp. 46s:

 

"Aqui está o grande segredo que habita as profundezas do Ser Humano: a Programação da Fé" (p. 46).

 

E como se pode acionar o processo psíquico que desemboca na fé todo-poderosa?

 

"Simples ... A Palavra desperta o Pensamento. O Pensamento ativa a Imaginação. A Imaginação produz até a Emoção. A Emoção grava a Convicção. A Convicção mais a Emoção é a Fé. E a Fé, automaticamente, aciona o

PODER EXTRA, entra em sintonia com o infinito Poder Criador do Universo. ENTÃO VOCÊ PODE DESENVOL VER A FÉ EM SI MESMO".([3])

 

Praticamente isto quer dizer o seguinte:

Quem quer alcançar um objetivo muito importante (saúde, riqueza, felicidade. . .), deve começar por repetir palavras ou frases condizentes com esse objetivo. A mente deve habituar-se a repetir essas palavras. Deve também imaginar situações positivas correspondentes ao objetivo almejado. A imaginação deverá despojar-se de todo pessimismo e desânimo para fazer desabrochar imagens de beleza, vitória e felicidade. Em consequência, acabará conseguindo ou criando o bem ou os bens a que aspira: "O Sucesso, a Riqueza, a Saúde, o Amor, a Felicidade serão plantas que amadurecerão os frutos saborosos de novo Paraíso plantado em seu coração" (p. 47).

Esta afirmação reaparece à p. 190:

 

"Se em sua Mente (Subconsciente) estiver a imagem clara e forte de você sadio e bem-sucedido — a saúde e o sucesso serão atraídos para a alegria de sua vida".

 

Ou à p. 178:

 

"Existe apenas a satisfação ou a felicidade daquele que se vê crescendo — em processo de realização, isto é, de criação cósmica. — Estamos inseridos no processo da EVOLUÇÃO CÓSMICA".

 

O final do livro repete mais uma vez a tese do autor:

 

"Você está ligado à Perfeita Harmonia Cósmica através do 'cordão umbilical' do Eu-Profundo.

E você possui — em si — o instrumento para integrar-se — praticamente — concretamente — à Perfeita Harmonia Cósmica, desencadeando o PODER EXTRA, que desconhece limites e barreiras –é o PROCESSO PSÍQUICO que dispara a FÉ.

 

DESENCADEAR O PROCESSO PSÍQUICO SERVINDO-SE DOS INSTRUMENTOS DE IMAGINAÇÃO, RESPEITANDO, MAIS E MAIS, AS LEIS CÓSMICAS, E DESCOBRIU-SE PARA VOCÊ O CAMINHO DA PROSPERIDADE, DO SUCESSO, DA HARMONIA FAMILIAR, DA SAÚDE E BEM-ESTAR, DA FELICIDADE.

VOCÊ PODE SER FELIZ. - QUER?" (p. 193).

 

1.3. A Prece Científica

 

Pedro Grisa identifica a oração com o processo psíquico desencadeador do Poder da Mente. A oração seria todo-poderosa na medida em que fosse devidamente ativado o Poder Mental! Eis a explanação do autor:

 

"A grande descoberta científica do valor das mensagens telepáticas positivas, para ajudar outras pessoas, é um fato que as religiões já utilizavam, há séculos, sob o nome de prece ou oração.

• A chamada Prece Científica fundamenta-se em dois aspectos:

1o— No sentido de auto-ajuda — desencadeia o Processo Psíquico.

2o — No sentido de hetero-ajuda, orarem benefício de alguém — faz-se presente a mensagem positiva direcionada.

    É a mensagem telepática positiva direcionada que pode ser exercitada, treinada e desenvolvida através das técnicas de Relax e Domínio da Imaginação.

    Muitos oram ou rezam, pedindo auxílio a Deus para si ou para outros, e não são atendidos. Simplesmente porque rezam e continuam preocupados, isto é, desconfiam de Deus e de si mesmos. Não desencadeiam o Processo Psíquico. A violência destruidora da dúvida está presente.

    Por outro lado, sua mensagem telepática quer ser positiva mas — de fato — é negativa. São mais fortes, em sua mente, as imagens e os sentimentos negativos. Transmite, em verdade, mensagem mais negativa que positiva.

    Em tais casos, nem Deus pode ajudar, porque Ele respeita, acima de tudo, a Sua Obra Suprema. E, em Sua Obra Suprema, dotou o ser humano de potencia/ides e o equipou com instrumentos que Ele respeita.

O ser humano dispõe de Liberdade e Responsabilidade para utilizá-los, instrumentos e potencialidades, como quiser.

• A verdadeira forma de rezar ou de orar é a ensinada pelas técnicas de Relax e Domínio da Imaginação. Cristo ia ao silêncio do deserto.

 

E o caminho da busca do aperfeiçoamento e perfeição da Prece Científica está indicado nas Leis Mentais ou da Harmonia Cósmica" (pp. 114s).

 

Ao fazermos a avaliação do livro, diremos que tal concepção nada tem que ver com a oração propriamente dita. Esta é sempre uma humilde elevação da alma a Deus; pede filialmente ao Pai do céu as graças de que o orante necessita. A oração é eficaz na medida em que Deus livre e soberanamente lhe queira dar atendimento, e não por força da habilidade psíquica do homem.

 

1.4. A Água Energizada

 

À guisa de espécime, vai aqui transcrita uma das receitas de Pedro A. Grisa, esta "para eliminar a própria dor":

 

"Se você quiser eliminar dores que você sente ou solucionar outros problemas, vencer outras dificuldades, como nervosismo, perturbações fisiológicas, e ajudar processos de terapia clínica, use a ÁGUA ENERGIZADA.

1 — Você já está com as mãos energizadas ou com a Energia Eletromagnética Kiharmonizada, segundo a Técnica XV.

2 — Você pega um copo de tamanho médio. Enche até a metade de

água.

3  — Coloca o copo sobre a mão fraca. A mão forte fica acima do copo, com os dedos voltados para dentro (sem entrarem no copo).

4  — Enquanto se mantém nessa posição, IMAGINA raios de luz irradiados nas pontas dos dedos, atravessando e ativando a água.

5—Enquanto isso, ANALISA a sua dificuldade. Procura descobrir por que está com essa dor ou com tal dificuldade.

6 — Analisando o problema (não deve durar mais que dois minutos), segura o copo com a mão forte. Inspira profundamente e mantém o ar preso nos pulmões até não aguentar mais. Quando percebe que não pode continuar mantendo o ar preso nos pulmões, bebe a água — SEM SOL TAR O AR.

7— Terminando de tomar a água — solta o ar, dizendo: ESTÁ RE-SOL VIDO MEU PROBL EMA!

Em menos de um minuto, a dor terá desaparecido.

- Em casos de enxaqueca — repetir três vezes, com intervalos de cinco a dez minutos.

 

Aqui também, há relação com atos religiosos, como:

    a água benta;

    a água fluidificada, etc." (p. 151).

 

Infelizmente o autor confunde mais uma vez os temas psicológicos e religiosos. A água benta nada tem que ver com a água energizada; ela não produz efeitos "certeiros" encomendados pelo homem, nem efeitos mágicos; trata-se de um sacramental, que Deus pode tornar eficaz desde que isto convenha aos verdadeiros interesses da criatura.

 

Neste contexto não nos surpreende outra afirmação de Pedro Grisa:

 

"A união dos três dedos .-polegar, médio e indicador - intensifica o campo da energia vital das mãos. . . E aqui também há relação com gestos religiosos: na Igreja Católica os bispos e o Papa dão a bênção ao povo unindo os dedos polegar e indicador. E os três dedos fazem-se presentes praticamente em todas as bênçãos que usam instrumentos tais como:ramos molhados de égua benta, turíbulo com incenso" (p. 153).

 

Na verdade, teria sido melhor o autor não entrar em assuntos de Liturgia, dos quais ele mostra ter pouco ou errôneo conhecimento. O juntar os dedos na celebração da S. Missa tem explicação bem diferente da parapsicológica; além do quê, é prática que hoje não mais se usa na Liturgia Latina. Os orientais, ao dar a bênção, juntam os três dedos mencionados para indicar os mistérios da SS. Trindade e da Encarnação.

 

O autor ainda disserta, em vários capítulos, sobre aspectos da sua tese, abordando, por exemplo, o domínio dos Sonhos, as Energias Coloridas, a Irradiação da Energia Vital, as Leis Cósmicas. .. Em suma, porém, a mensagem do livro está apresentada nos termos até aqui propostos.

 

No corpo do livro insere-se a indicação de exercícios e técnicas, das quais alguns consistem em conceber um teatro interior fantasioso, no qual o sujeito imagina ocorrer o prodígio (cura, vitória sobre o fumo, ajuda ao próximo. . .) que ele muito deseja obter. São técnicas assaz complexas, mas sedutoras pelas promessas de benefícios que lhes estão anexas.

 

É óbvio indagar:

 

2. E que dizer?

 

Não se pode ignorar a boa intenção de Pedro A. Grisa, que deseja pôr a serviço do próximo recursos que ele julga altamente poderosos. Todavia nem por isto se pode dar um aval às suas idéias. Estas são deficientes no plano filosófico mesmo (sem que haja necessidade de recorrer a alguma crença religiosa).

 

2.1. Panteísmo

 

O autor fala de Criador e criação (cf. p. 31), mas as suas teorias supõem a Divindade identificada com o mundo e o homem, ou seja, o panteísmo. É o que demonstram os textos atrás citados, aos quais outros se podem acrescentar:

 

"O Ser Humano, ([4]) por seu Pensamento, sua Mente, está integrado, unido ao Pensamento Cósmico, que gerou o Universo.

Por isso, o Ser Humano participa, através de seus atos mentais, do Processo Psíquico, da Criação do Universo, do mundo em que vive" (p. 175).

 

Os conceitos de fé e oração, que são noções religiosas, não devem ser reduzidos a processos meramente psicológicos. Ter fé e orar são atitudes acessíveis a qualquer indivíduo, mesmo aos mais traumatizados, enfermos e prostrados; são efeitos da graça de Deus no homem. Pedro A. Grisa reduz todo o relacionamento do homem com Deus (re-ligião) a um exercício mental, que torna o homem autônomo, tão poderoso quanto Deus. Nem se poderia esperar outra conclusão, visto que o autor adota os princípios do panteísmo (identifica pan, tudo — homem e universo - com theós, Deus).

 

Muitos leitores desprevenidos poderão enganar-se a respeito do pensamento religioso de Grisa, dado que ele cita a Bíblia, dando a impressão de que encontra apoio nas páginas sagradas: cf. pp. 31.55.61 s. 146.187.192.

 

Sabemos que Pedro A. Grisa, em sua infância, recebeu formação católica, da qual ainda conserva o vocabulário, mas da qual perdeu abertamente o conteúdo.

 

A respeito do panteísmo já se tem escrito repetidamente em PR: é aberração no plano da lógica, porque identifica o Absoluto, o Eterno, o Perfeito (a Divindade) com o relativo, o temporal, o imperfeito (a criatura). Supõe a transição do humano para o divino, ou do finito para o Infinito, o que é inconcebível aos olhos da lógica.

 

O fato de ser o homem imagem e semelhança de Deus não quer dizer que ele seja centelha ou partícula da Divindade, mas implica apenas que o homem tenha inteligência e vontade, que lhe dão o poder de dominar e reger o Universo em continuação da obra de Deus.

 

2.2. Corpo e Alma

 

O panteísmo de Pedro Grisa se manifesta também quando nega a distinção entre corpo e alma (p. 23). E consequentemente o autor admite a transição do material ao mental, do orgânico ao espiritual (p. 193). Em suma, nega a distinção entre matéria e espírito:

 

"Não há uma real distinção entre matéria e espírito... A matéria não existe.O que existe é energia assumindo a forma de pensamento" (p. 174).

 

Esta proposição é falha. A Física pode ensinar que a meteria é energia; ela quer dizer que o que parece sólido e compacto a olho nu, resulta de ondas, que constituem o âmago do átomo e das partículas subatômicas. Ora essa energia não é espírito; é ainda matéria pelo fato de ser quantitativa, matematizável, ponderável. A Física, como Física, não conhece o conceito de espírito, que não é matematizável, mas é estritamente do nível do raciocínio e da lógica.

 

"A energia assume a forma de pensamento" é sentença errônea, pois o pensamento não é um fluido energético. É ação do intelecto (faculdade espiritual), que se serve do cérebro para elaborar conceitos, juízos e raciocínios; estes são atividades espirituais, produtos de uma potência espiritual, que utiliza o cérebro (faculdade corpórea).

 

2.3. A Sugestão

 

Não se pode negar que as proposições e técnicas apresentadas por Pedro A. Grisa deem resultados em muitos casos patológicos. Os seus efeitos positivos, porém, não se elevem a uma pretensa sintonia cósmica nem ao poder infinito da mente, mas à força da sugestão. Esta é de grande alcance; quem está positivamente sugestionado, emancipa-se de bloqueios interiores e funciona mais desimpedidamente; realiza façanhas que o pessimismo e os condicionamentos negativos não lhe permitiriam efetuar.

 

As receitas de exercícios de Pedro Grisa sugestionam poderosamente e são capazes realmente de obter efeitos de alívio em favor de certos pacientes. Há doenças que são psicogênicas ou são geradas por estado de ânimo perturbado ou nervoso; ora, se alguém consegue acalmar o seu psíquico mediante sugestionamento e condicionamentos, elimina a causa de tais moléstias e é curado. Eis a explicação simples e exata da maioria dos êxitos obtidos pelas técnicas indicadas. Seria oportuno, porém, que Pedro Grisa, utilizando o poder da sugestão para beneficiar os seus pacientes, não misturasse essa técnica com valores religiosos; a sugestão funciona independentemente de proposições religiosas (verdade é que a religião pode ser manipulada como um dos mais poderosos fatores de condicionamento). A arte de sugestionar é lícita contanto que seja honesta e não envolva falsamente proposições religiosas.

 

A emissão de raios a partir do corpo humano é assunto controvertido. É aleatório fundar sobre tal hipótese uma ampla terapia.

 

Não negamos, porém, as faculdades parapsicológicas que Pedro A. Grisa recenseia em seu livro: percepção extrassensorial, telepatia, clarividência... São estudadas e reconhecidas pelos parapsicólogos genuinamente cristãos, sem mescla de panteísmo. Deus criou o homem, dotando-o de um funcionamento paranormal (em alguns indivíduos mais possante do que em outros); mas isto nada tem que ver com panteísmo ou rede de vibrações ou com Harmonia Cósmica ou leis evolutivas do homem.

 

Em suma: o livro de Pedro A. Grisa soma-se a uma série de outros que, com a capa de mensagem cristã, estão impregnados de idéias não cristãs (entre as quais o panteísmo) e, através de uma linguagem religiosa cristã, instilam conceitos não cristãos e mesmo aberrantes no plano da lógica. O público precisa de reconforto e terapia, sem dúvida; esta, porém, não há de ser proposta em parâmetros irracionais e fantasiosos; para suscitar otimismo, confiança e esperança, a sã razão e a autêntica fé cristã são plenamente suficientes, como atesta a vida de tantos heróicos cristãos inteiramente fiéis à cosmovisão do Evangelho e da Igreja.

 

Dom Estêvão Bettencourt (OSB)



[1] EDIPAPPI, Editora de Parapsicologia e Psicotrônica, Florianópolis, 1990 (5? edição), 140 X 210 mm, 193 pp.

[2] Poder-se-ia perguntar ao autor: por que usa tantas maiúsculas? Será que julga que as forças neutras do homem e do mundo são divinas? Estaria então professando o panteísmo? — A resposta afirmativa a esta pergunta decorre da leitura do livro.

[3] O autor dá o nome de FÉ a um produto do psiquismo humano, como se vê à p 43: "Convicção profunda somada a uma forte emoção produz o que chamamos, cientificamente, de FÉ". - Ora tal não é o conceito de Fé que a Teologia católica professa. É lamentável que Pedro Grisa use um termo classicamente consagrado pela S Escritura e a Teologia para designar algo que pode não ter valor religioso algum.

([4]) Por que maiúsculas? — Pergunta do articulista.


Como você se sente ao ler este artigo?
Feliz Informado Inspirado Triste Mal-humorado Bizarro Ri muito Resultado
4 0
PUBLICAR - COMENTAR - EMAIL -  FACEBOOK 
-

:-)